Hematoma subdural crônico: o que mudou no tratamento em 2026?

summarizeResposta Rápida

O hematoma subdural crônico é um acúmulo de sangue e líquido entre o cérebro e sua cobertura externa. Quando provoca sintomas ou compressão cerebral, a cirurgia continua sendo o principal tratamento, enquanto a embolização da artéria meníngea média surge como opção promissora para alguns pacientes.

personDr. Thiago G. Guimarães
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Publicado em 14 de agosto de 2026

Entenda o que é o hematoma subdural crônico, seus sintomas e como novas evidências estão mudando cirurgia, embolização da artéria meníngea média e acompanhamento.

Diorama médico tridimensional mostrando um cérebro com hematoma subdural crônico e diferentes possibilidades de tratamento
Dr. Thiago G. Guimarães

Dr. Thiago G. Guimarães

CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.

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Diorama médico tridimensional mostrando um cérebro com hematoma subdural crônico e diferentes possibilidades de tratamento

Resposta curta

O hematoma subdural crônico é um acúmulo de sangue e líquido entre o cérebro e sua cobertura externa. Ele aparece principalmente em pessoas mais velhas e muitas vezes surge semanas após uma queda aparentemente pequena.

Pode causar desde dor de cabeça e desequilíbrio até confusão, fraqueza de um lado do corpo e sonolência importante. Por isso, em alguns pacientes, pode parecer um AVC que evolui lentamente.

A boa notícia é que o tratamento melhorou. A cirurgia continua sendo fundamental quando o hematoma comprime o cérebro e causa sintomas, mas estudos recentes mostram que a maneira de operar, usar o dreno e mobilizar o paciente também faz diferença.

Além disso, a embolização da artéria meníngea média surgiu como uma estratégia promissora para diminuir a recorrência em pacientes selecionados. Porém, a revisão deixa um ponto importante: ainda não existe um tratamento único que seja o melhor para todos.

Em 30 segundos

  • O hematoma subdural crônico é particularmente frequente em idosos.
  • Uma queda pode ter ocorrido semanas ou meses antes.
  • Dor de cabeça, confusão, alteração da marcha e fraqueza podem ser os primeiros sinais.
  • Quando existe compressão do cérebro acompanhada de sintomas, a cirurgia continua sendo o tratamento principal.
  • Usar um dreno após a cirurgia reduz a chance de o hematoma voltar.
  • Mobilizar o paciente precocemente parece ser melhor do que mantê-lo dois dias na cama.
  • Corticoides não devem ser usados rotineiramente.
  • A embolização da artéria meníngea média é promissora, mas não é uma solução universal.
  • Hematomas pequenos e com poucos sintomas podem, em situações selecionadas, ser apenas acompanhados.

O que importa de verdade

Mensagem 1

  • Em 1 frase: a cirurgia continua sendo o tratamento mais estabelecido para hematomas sintomáticos que comprimem o cérebro.
  • Por que isso importa: novas técnicas não eliminaram a necessidade da cirurgia nos pacientes que realmente precisam dela.
  • A nuance: nem todo hematoma visto na tomografia exige operação.

Mensagem 2

  • Em 1 frase: pequenos detalhes do tratamento cirúrgico podem mudar o risco de recorrência.
  • Por que isso importa: irrigação adequada, uso de dreno e tempo correto de drenagem passaram a ter suporte de ensaios clínicos.
  • A nuance: a melhor estratégia precisa considerar idade, fragilidade e características do hematoma.

Mensagem 3

  • Em 1 frase: a embolização da artéria meníngea média provavelmente tem efeito biológico real contra a recorrência.
  • Por que isso importa: alguns estudos mostraram menor necessidade de nova cirurgia.
  • A nuance: até agora não foi demonstrada melhora consistente da independência funcional, e os resultados variam entre os estudos.

Para quem este texto é útil?

Principalmente para:

  • pessoas que receberam diagnóstico de hematoma subdural crônico;
  • familiares de idosos que apresentaram piora recente da marcha ou da cognição;
  • pessoas que tiveram quedas e depois começaram a apresentar sintomas neurológicos;
  • pacientes em uso de anticoagulantes ou antiagregantes;
  • familiares tentando entender por que o médico recomenda cirurgia, acompanhamento ou embolização.

O que é isso, em linguagem simples?

Imagine que o cérebro está dentro do crânio envolvido por algumas membranas protetoras.

No hematoma subdural crônico, sangue e líquido se acumulam no espaço entre o cérebro e uma dessas coberturas.

Com o passar das semanas, forma-se ao redor desse conteúdo uma espécie de membrana cheia de pequenos vasos frágeis. Esses vasos podem continuar vazando líquido e pequenas quantidades de sangue.

Por isso, o hematoma não funciona simplesmente como uma "poça de sangue antiga". Ele pode permanecer biologicamente ativo.

Essa compreensão ajuda a explicar por que tratamentos dirigidos aos vasos dessas membranas — como a embolização da artéria meníngea média — passaram a ser estudados.

Como isso aparece no dia a dia?

O quadro pode surgir de maneira insidiosa.

Entre os sintomas descritos estão:

  • dor de cabeça progressiva;
  • dificuldade nova para caminhar;
  • piora do equilíbrio;
  • confusão;
  • alteração da fala;
  • fraqueza de um lado do corpo;
  • sonolência;
  • nos casos graves, perda de consciência.

Um exemplo comum é o de uma pessoa idosa que sofreu uma queda aparentemente sem maiores consequências e, algumas semanas depois, começa a caminhar pior, ficar mais lenta ou parecer mais confusa.

O hematoma subdural deve fazer parte das possibilidades investigadas nesse cenário.

Infográfico explicando o hematoma subdural crônico e os sinais de alerta: dor de cabeça, confusão, dificuldade para caminhar, fraqueza, alteração da fala e sonolência

Por que ele é mais frequente em idosos?

A idade média relatada na revisão foi de aproximadamente 76 anos.

Com o envelhecimento, o cérebro tende a ocupar um pouco menos de espaço dentro do crânio. Isso aumenta a tensão sobre pequenas veias que atravessam essa região.

Quedas são um fator importante: aproximadamente 60% dos pacientes relatados em estudos tiveram algum trauma, muitas vezes semanas antes do diagnóstico.

Além disso, até metade dos pacientes que precisam de cirurgia utilizam medicamentos que interferem na coagulação ou nas plaquetas.

Isso não significa que esses medicamentos devam ser interrompidos automaticamente. O risco de sangramento precisa ser equilibrado com o risco de AVC, embolia ou trombose.

Como o estudo foi feito?

Os autores publicaram uma revisão ampla dos avanços ocorridos principalmente nos últimos cinco anos.

Foram pesquisadas bases como Medline e Embase entre janeiro de 2020 e julho de 2026, além de registros de ensaios clínicos.

A busca encontrou mais de quatro mil publicações. Os autores selecionaram estudos considerados clinicamente relevantes, metodologicamente sólidos e capazes de representar avanços importantes na área.

Portanto, não se trata de uma meta-análise única. É uma revisão clínica que integra vários ensaios randomizados, estudos observacionais, meta-análises e guidelines recentes.

Infográfico mostrando como sintomas, compressão cerebral e risco de recorrência orientam observação, cirurgia ou embolização em casos selecionados

O que o estudo encontrou?

A cirurgia continua sendo o tratamento principal quando há sintomas importantes

A técnica tradicional é realizar um ou dois pequenos orifícios no crânio, chamados burr holes, para retirar o conteúdo do hematoma.

Um ensaio que comparou diferentes técnicas encontrou recorrência de aproximadamente:

Técnica Recorrência
Burr hole 7,6%
Minicraniotomia 13,1%
Twist drill 19,5%

As diferenças não atingiram significância estatística naquele ensaio, mas o conjunto da literatura continua favorecendo o burr hole como técnica de referência.

Irrigar durante a cirurgia parece ajudar

No estudo FINISH, com 589 pacientes, a recorrência em seis meses foi:

  • 12,6% com irrigação
  • 18,3% sem irrigação

Outro ensaio mostrou algo ainda mais curioso: o líquido de irrigação próximo à temperatura corporal esteve associado a menos recorrências do que líquido em temperatura ambiente.

O dreno faz diferença

Um dos resultados mais sólidos nessa área é a importância do dreno depois da retirada do hematoma.

Em estudo clássico citado pela revisão, a recorrência ocorreu em aproximadamente:

  • 9 em cada 100 pacientes com dreno
  • 24 em cada 100 pacientes sem dreno

Meta-análises também indicam redução da recorrência e da mortalidade com drenagem.

Pesquisas recentes sugerem ainda que colocar o dreno sobre o osso, abaixo do couro cabeludo, pode evitar algumas complicações raras causadas pela introdução do dreno próximo ao cérebro.

Cerca de 24 horas de drenagem parecem importantes

Um estudo comparando 24 e 48 horas não encontrou diferença relevante na recorrência.

Quando pesquisadores testaram períodos ainda mais curtos, porém, a recorrência aumentou:

  • 6 horas: 27%;
  • 12 horas: 20%;
  • 24 horas: 10%.

Isso sugere que reduzir demais o período de drenagem passiva pode ser prejudicial.

O paciente precisa ficar dois dias deitado?

Provavelmente não.

O estudo GET-UP comparou mobilização precoce com 48 horas de repouso na cama.

Após um ano, um bom resultado funcional ocorreu em aproximadamente:

  • 77 em cada 100 pacientes mobilizados cedo
  • 58 em cada 100 mantidos em repouso

As complicações clínicas também foram menores com mobilização precoce.

Isso muda uma prática histórica importante: hoje, quando o estado clínico permite, levantar e começar a se movimentar precocemente pode fazer parte da recuperação.

Infográfico sobre irrigação, dreno, tempo de drenagem e mobilização precoce no tratamento cirúrgico do hematoma subdural crônico

O que é a embolização da artéria meníngea média?

Essa é provavelmente a mudança mais comentada dos últimos anos.

Em vez de retirar diretamente o hematoma, um neurorradiologista intervencionista introduz um cateter através de uma artéria e chega até a artéria meníngea média.

Essa artéria ajuda a alimentar os pequenos vasos das membranas que envolvem o hematoma.

Ao bloquear parte dessa circulação, tenta-se diminuir o estímulo para novos sangramentos e favorecer a resolução do hematoma.

A revisão analisa cinco grandes ensaios randomizados recentes: MAGIC-MT, STEM, EMBOLISE, EMPROTECT e MEMBRANE. A tabela da página 6 do artigo mostra como esses estudos incluíram populações e desfechos diferentes, o que ajuda a explicar por que seus resultados não são perfeitamente comparáveis.

Alguns resultados foram bastante promissores.

No EMBOLISE, por exemplo, recorrência ou progressão que levou a nova cirurgia em 90 dias ocorreu em:

  • 4,1% com embolização
  • 11,3% com cirurgia sem embolização

No MEMBRANE, o desfecho principal ocorreu em:

  • 11,6% com embolização
  • 22,1% no grupo controle

Mas outros estudos encontraram diferenças menores ou estatisticamente inconclusivas.

Então a embolização já deveria ser feita em todos?

Não.

Esse é um dos pontos mais importantes da revisão.

O conjunto dos estudos indica que a embolização provavelmente reduz biologicamente a persistência ou recorrência do hematoma.

Entretanto:

  • os estudos incluíram pacientes diferentes;
  • a definição de "recorrência" variou;
  • muitos pacientes muito frágeis foram excluídos;
  • alguns estudos foram financiados pela indústria;
  • não houve demonstração consistente de melhora da independência funcional.

Por isso, os autores consideram que ainda existem dados insuficientes para transformar a embolização em tratamento padrão para todas as pessoas com hematoma subdural crônico.

Ela pode ser especialmente interessante em pacientes selecionados com maior risco de recorrência.

E os corticoides?

Aqui a evidência mudou bastante a prática.

Como existe inflamação dentro das membranas do hematoma, durante muito tempo houve interesse em usar dexametasona ou outros corticoides.

Os estudos grandes, porém, mostraram um problema.

No Dex-CSDH, um bom resultado funcional após seis meses ocorreu em:

  • 83,9% com dexametasona
  • 90,3% com placebo

Eventos adversos graves ocorreram em:

  • 16% com dexametasona
  • 6,4% com placebo

É verdade que houve menos recorrência com o corticoide.

Mas reduzir o tamanho ou a recorrência do hematoma não basta se o paciente, como um todo, termina pior.

Por isso, a revisão conclui que corticoides não fazem parte do tratamento rotineiro atual.

Esse é um bom exemplo de por que precisamos de ensaios clínicos antes de adotar tratamentos que parecem biologicamente interessantes.

E o ácido tranexâmico?

O ácido tranexâmico reduz a degradação dos coágulos e pode diminuir pequenos sangramentos dentro do hematoma.

Uma meta-análise já sugeria redução de recorrência.

Além disso, um ensaio randomizado recente com 382 pacientes submetidos à cirurgia encontrou uma redução absoluta de aproximadamente 5,6 pontos percentuais na recorrência.

É um resultado promissor.

Mas outros ensaios estão em andamento, e o artigo não considera o medicamento como solução estabelecida para todos os pacientes.

Infográfico sobre embolização da artéria meníngea média, corticoides e ácido tranexâmico no hematoma subdural crônico

É possível apenas acompanhar o hematoma?

Sim, em situações selecionadas.

Nem todo hematoma encontrado numa tomografia continuará crescendo.

Em uma série de 159 pacientes inicialmente acompanhados sem cirurgia, aproximadamente 60% não precisaram de intervenção posterior.

Pacientes com:

  • hematomas pequenos;
  • poucos sintomas;
  • ausência de compressão cerebral relevante;
  • ou fragilidade extrema;

podem eventualmente ser acompanhados.

A decisão depende muito mais do conjunto sintomas + exame neurológico + imagem + estado geral do que apenas do tamanho do hematoma.

O fluxograma apresentado na página 4 da revisão reforça justamente essa lógica: primeiro é preciso perguntar se o hematoma encontrado na imagem está realmente causando sintomas.

Precisa repetir tomografia várias vezes?

Não necessariamente.

Um ensaio com 361 pacientes comparou tomografias de controle programadas após a cirurgia com exames realizados apenas quando havia indicação clínica.

Fazer tomografia rotineiramente não melhorou a sobrevida sem incapacidade grave.

Além disso, houve tendência a mais intervenções cirúrgicas no grupo submetido às tomografias programadas.

Isso ocorre porque pode permanecer uma quantidade relativamente grande de líquido após a cirurgia sem que isso signifique necessariamente falha do tratamento.

Especialmente em idosos, a resolução completa pode levar vários meses.

O que isso muda na prática?

A principal mudança é abandonar a ideia de que hematoma subdural crônico tem apenas duas opções: "operar" ou "não operar".

O tratamento moderno está cada vez mais individualizado.

Pode envolver:

  1. observação clínica;
  2. cirurgia;
  3. escolha da melhor técnica de drenagem;
  4. mobilização precoce;
  5. avaliação cuidadosa dos anticoagulantes;
  6. embolização da artéria meníngea média em pacientes selecionados;
  7. reabilitação;
  8. avaliação da fragilidade, cognição e risco de novas quedas.

A própria revisão enfatiza que o hematoma subdural crônico frequentemente faz parte de um problema maior de saúde do idoso.

Tratar apenas a imagem da tomografia pode não ser suficiente.

Teste rápido: o que merece atenção?

Depois de uma queda — mesmo que tenha ocorrido algumas semanas atrás — procure avaliação médica se surgir:

  • nova dificuldade para caminhar;
  • fraqueza em um braço ou uma perna;
  • fala diferente;
  • confusão progressiva;
  • sonolência fora do habitual;
  • dor de cabeça nova e progressiva;
  • redução importante da capacidade de realizar atividades habituais.

Fraqueza súbita, alteração da fala, rebaixamento da consciência ou deterioração neurológica importante exigem atendimento de urgência.

O que vale perguntar ao médico?

  • O hematoma explica os sintomas atuais?
  • Existe compressão significativa do cérebro?
  • O caso precisa de cirurgia ou pode ser acompanhado?
  • Qual técnica cirúrgica está sendo considerada?
  • Será utilizado dreno?
  • Existe motivo para considerar embolização da artéria meníngea média?
  • Como será feito o manejo do anticoagulante ou antiagregante?
  • Quando o paciente poderá levantar e iniciar reabilitação?
  • Quais sintomas indicariam possível recorrência?
  • É necessário repetir a tomografia mesmo se o paciente estiver melhorando?

FAQ

Medo

O hematoma subdural crônico pode ser grave?

Pode, mas existe uma grande variedade de apresentações. Alguns hematomas são pequenos e praticamente assintomáticos; outros comprimem o cérebro e exigem tratamento rápido.

Ele pode parecer um AVC?

Sim. Fraqueza, alteração da fala e confusão podem simular um AVC, embora frequentemente evoluam de forma mais lenta.

Uma queda pequena pode causar isso?

Sim. Especialmente em idosos, o trauma pode parecer irrelevante e ser lembrado apenas quando se pergunta especificamente sobre quedas ocorridas semanas antes.

Dia a dia

Por que a pessoa começa a andar pior?

Porque o hematoma pode comprimir regiões do cérebro responsáveis pelo movimento e pelo equilíbrio. Em idosos, a alteração da marcha pode ser um dos primeiros sinais.

O hematoma pode desaparecer sozinho?

Pode. Alguns hematomas pequenos ou pouco sintomáticos diminuem progressivamente sem intervenção.

Tratamento

Todo hematoma subdural precisa ser operado?

Não. A decisão depende principalmente dos sintomas, da compressão cerebral, da evolução e das condições gerais do paciente.

A embolização substitui a cirurgia?

Não para todos. Ela é uma ferramenta adicional que pode ser útil em pacientes selecionados.

Corticoide evita cirurgia?

Não deve ser usado com esse objetivo de forma rotineira. Grandes ensaios demonstraram mais complicações e piores resultados funcionais.

Futuro

O hematoma pode voltar?

Sim. Em estudos modernos, recorrências após cirurgia geralmente ficam aproximadamente na faixa de 7% a 14%, embora o risco varie bastante entre pacientes.

A embolização pode reduzir esse risco?

Provavelmente em alguns pacientes. Diversos ensaios mostram redução de recorrência ou reoperação, mas ainda existem dúvidas sobre quais pacientes mais se beneficiam.

Ação

Preciso repetir tomografia mesmo se estiver tudo bem?

Não necessariamente. A revisão mostra que exames programados de rotina após a cirurgia não melhoraram os resultados em um grande ensaio.

Quando procurar atendimento urgente?

Quando surgir deterioração neurológica. Fraqueza nova, alteração da fala, confusão progressiva, sonolência acentuada, convulsão ou perda de consciência justificam avaliação imediata.

Checklist de agência

Sinais de alerta

  • Observe se surgiu nova dificuldade para andar.
  • Observe mudanças recentes de memória, atenção ou comportamento.
  • Procure avaliação se houver dor de cabeça nova e progressiva após uma queda.
  • Considere como urgente fraqueza nova, alteração da fala ou rebaixamento da consciência.

Para levar à consulta

  • Informe quedas ocorridas nos últimos meses, mesmo que tenham parecido leves.
  • Leve uma lista completa dos medicamentos.
  • Informe especificamente anticoagulantes e antiagregantes.
  • Pergunte se o hematoma da tomografia realmente explica os sintomas.
  • Pergunte qual é o risco estimado de recorrência.
  • Pergunte quando iniciar ou intensificar fisioterapia e mobilização.

O que não fazer sozinho

  • Não suspenda anticoagulante ou aspirina sem orientação.
  • Não inicie corticoides por conta própria.
  • Não interprete apenas o tamanho do hematoma na tomografia sem considerar sintomas e exame clínico.
  • Não presuma que confusão ou dificuldade para andar em uma pessoa idosa seja apenas consequência da idade.

O que este estudo/guia NÃO prova

  • Não prova que todo hematoma subdural crônico deve ser tratado da mesma maneira.
  • Não demonstra que a embolização da artéria meníngea média deve substituir a cirurgia em todos os pacientes.
  • Não demonstra melhora funcional consistente com embolização, apesar da redução de recorrência observada em alguns ensaios.
  • Não sustenta o uso rotineiro de corticoides.
  • Não define com precisão qual é a melhor estratégia para pacientes extremamente frágeis, porque muitos ensaios excluíram indivíduos com pior estado funcional.
  • Não permite determinar uma regra universal para suspensão ou reinício de anticoagulantes.

Bloco de segurança

⚕️ IMPORTANTE • Este conteúdo resume um estudo científico e não substitui consulta médica. • Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde. • Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria. • Cada pessoa é única — o que vale para o grupo do estudo pode não valer para você.

Referência ABNT

EDLMANN, Ellie et al. Advances in chronic subdural haematoma management: beyond the burr hole. The Lancet Neurology, v. 25, p. 852–863, 2026. DOI: NR.

Assinatura


✍️ Dr. Thiago G. Guimarães CRM-SP 178.347 Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética Hospital das Clínicas da FMUSP

📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP 🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com 🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes 📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta médica.

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