Hidrocefalia de pressão normal: o que esperar depois da cirurgia de shunt?
Na hidrocefalia de pressão normal, a cirurgia de shunt pode melhorar marcha, cognição e controle urinário em pacientes selecionados, mas não interrompe todo o processo de envelhecimento nem garante independência permanente. Um estudo com 200 idosos encontrou sobrevida mediana de 7,7 anos após a cirurgia e manutenção funcional mediana de 2,6 anos no grupo com avaliação detalhada.
Publicado em 3 de junho de 2026
Estudo de longo prazo mostra o que pode acontecer com idosos com hidrocefalia de pressão normal após cirurgia de shunt, incluindo sobrevida, independência e limites do tratamento.


Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.
Resposta curta
A hidrocefalia de pressão normal é uma condição em que há acúmulo de líquido dentro do cérebro, geralmente em pessoas mais velhas, causando uma combinação de três sintomas: dificuldade para andar, piora da memória e perda urinária.
Ela pode ser importante, mas existe um ponto positivo: em alguns pacientes, é uma causa potencialmente tratável de piora neurológica.
O tratamento cirúrgico mais conhecido é o shunt: um sistema de drenagem colocado por neurocirurgia para desviar o excesso de líquido. Um estudo japonês acompanhou 200 idosos operados e observou que a sobrevida mediana após a cirurgia foi de 7,7 anos. No grupo com avaliação detalhada das atividades do dia a dia, a independência funcional foi mantida por mediana de 2,6 anos.
A mensagem principal é simples: o shunt pode ajudar pacientes bem selecionados, inclusive alguns com mais de 80 anos, mas não deve ser visto como uma “cura definitiva”. Depois da cirurgia, ainda é essencial acompanhar marcha, cognição, quedas, infecções, fragilidade, doenças da coluna e funcionamento do próprio shunt.

Em 30 segundos
A hidrocefalia de pressão normal, também chamada de HPN, é uma causa de alteração de marcha, esquecimento e perda urinária em idosos.
Ela recebe esse nome porque há aumento dos ventrículos, que são cavidades com líquido dentro do cérebro, mas a pressão do líquido pode estar normal no momento da medida.
O estudo analisado acompanhou idosos com HPN idiopática, isto é, sem uma causa clara como tumor, sangramento ou meningite. Todos foram tratados com cirurgia de shunt.
Os principais achados foram:
- a sobrevida mediana após a cirurgia foi de 7,7 anos;
- mulheres viveram mais que homens no estudo;
- pacientes com mais de 80 anos tiveram resultados de sobrevida semelhantes aos menores de 80 anos;
- a independência funcional foi mantida por mediana de 2,6 anos no grupo avaliado com mais detalhe;
- a piora ao longo do tempo ocorreu principalmente por fragilidade, pneumonia, AVC, doenças da coluna, sangramento subdural e mau funcionamento do shunt.
Na prática, isso reforça que a cirurgia pode ser útil, mas o cuidado não termina na alta hospitalar.
O que importa de verdade
Mensagem 1
- Em 1 frase: A cirurgia de shunt pode ajudar pacientes bem selecionados com hidrocefalia de pressão normal.
- Por que isso importa: algumas pessoas classificadas como “demência”, “idade” ou “fraqueza” podem ter uma condição potencialmente tratável.
- A nuance: o estudo não prova que todos melhoram, nem que a cirurgia impede a progressão de outras doenças do envelhecimento.
Mensagem 2
- Em 1 frase: Idade acima de 80 anos, sozinha, não deve ser o único motivo para descartar a cirurgia.
- Por que isso importa: muitos pacientes idosos podem ser excluídos cedo demais de uma avaliação especializada.
- A nuance: isso não significa que todo idoso com HPN deve operar; a decisão depende de sintomas, exames, fragilidade, riscos cirúrgicos e expectativa realista de benefício.
Mensagem 3
- Em 1 frase: Depois do shunt, o acompanhamento continua sendo parte central do tratamento.
- Por que isso importa: a piora funcional pode acontecer por causas tratáveis, como pneumonia, AVC, doença da coluna ou falha do shunt.
- A nuance: o shunt trata um componente do problema, mas não protege contra todos os efeitos do envelhecimento e das doenças associadas.
Para quem este texto é útil?
Este texto é útil para:
- pessoas com suspeita ou diagnóstico de hidrocefalia de pressão normal;
- familiares de idosos com piora da marcha, quedas, esquecimento e urgência urinária;
- cuidadores que querem entender o que esperar da cirurgia de shunt;
- pacientes que ouviram que “já passou da idade de operar”;
- famílias em dúvida entre observar, investigar melhor ou discutir cirurgia com a equipe médica.
Também pode ajudar quem está tentando entender a diferença entre HPN, Alzheimer, Parkinson, envelhecimento normal e fragilidade.
O que é isso, em linguagem simples?
A hidrocefalia de pressão normal é uma condição em que o líquido que circula dentro e ao redor do cérebro, chamado líquor, fica acumulado em excesso nos ventrículos.
Os ventrículos são como reservatórios internos de líquido no cérebro. Quando eles aumentam, podem “apertar” ou atrapalhar circuitos ligados à marcha, atenção, controle urinário e velocidade do pensamento.
A tríade clássica é:
| Sintoma | Como costuma aparecer |
|---|---|
| Alteração da marcha | passos curtos, lentos, arrastados, sensação de pé grudado no chão |
| Alteração cognitiva | lentidão, esquecimento, dificuldade de organizar tarefas |
| Sintomas urinários | urgência para urinar, escapes ou incontinência |
Na vida real, o primeiro sintoma mais valorizado costuma ser a marcha.
Muitas famílias contam algo como: “Antes ele esquecia um pouco, mas o que mais mudou foi o jeito de andar”.
Como isso aparece no dia a dia?
A HPN raramente aparece como um evento único. Ela costuma surgir aos poucos.
O paciente pode começar a andar mais devagar. Depois, passa a evitar sair de casa. Em seguida, surgem quedas, medo de cair, dificuldade para virar o corpo ou para iniciar o primeiro passo.
A família pode notar:
- passos mais curtos;
- pés arrastando;
- dificuldade para levantar da cadeira;
- marcha mais insegura;
- lentidão para responder;
- perda de iniciativa;
- urgência urinária;
- escapes de urina;
- queda de autonomia.
Um ponto importante: esses sintomas podem parecer “coisa da idade”, mas nem sempre são apenas envelhecimento normal.

Como o estudo foi feito?
O estudo analisou pacientes japoneses com hidrocefalia de pressão normal idiopática que passaram por cirurgia de shunt entre 2010 e 2024.
Foram incluídos 200 pacientes, com média de idade de 78,1 anos.
Os tipos de shunt usados foram:
| Tipo de shunt | Número de pacientes | Explicação simples |
|---|---|---|
| Lumboperitoneal | 110 | drena líquido da região lombar para o abdome |
| Ventriculoperitoneal | 68 | drena líquido dos ventrículos cerebrais para o abdome |
| Ventriculoatrial | 22 | drena líquido dos ventrículos para a circulação venosa próxima ao coração |
A maioria fez avaliação com punção lombar ou tap test, que é um teste em que se retira uma quantidade de líquor para observar se há melhora temporária, principalmente na marcha.
O estudo avaliou dois pontos principais:
- Sobrevida geral: quanto tempo os pacientes viveram após a cirurgia.
- Manutenção das atividades de vida diária: por quanto tempo mantiveram independência funcional, medida em parte dos pacientes pela escala de Rankin modificada, uma escala usada para medir grau de incapacidade.
O que o estudo encontrou?
O acompanhamento mediano foi de 5 anos para o grupo total.
Durante o seguimento, 99 dos 200 pacientes morreram. A sobrevida mediana após a cirurgia foi de 7,7 anos.
Houve diferença entre homens e mulheres:
| Grupo | Sobrevida mediana após shunt |
|---|---|
| Todos os pacientes | 7,7 anos |
| Homens | 5,9 anos |
| Mulheres | 8,8 anos |
| Pacientes com 80 anos ou mais | 6,9 anos |
| Pacientes com menos de 80 anos | 7,8 anos |
Um achado importante foi que pacientes com 80 anos ou mais tiveram sobrevida e tempo de manutenção funcional semelhantes aos pacientes mais jovens do estudo.
Isso sugere que a idade cronológica, isoladamente, não deve ser o único critério para negar uma avaliação cirúrgica. O estado geral, as comorbidades, a marcha, a cognição, os exames e a chance realista de benefício importam muito.
O que aconteceu com a independência funcional?
O estudo avaliou com mais detalhe as atividades do dia a dia em 88 pacientes.
Nesse grupo, 66 pacientes, ou 75%, tiveram queda funcional durante o acompanhamento. A mediana de manutenção das atividades de vida diária foi de 2,6 anos.
Isso não significa que o shunt “só funciona por 2,6 anos”. Significa que, nesse grupo acompanhado, metade dos pacientes manteve a função por mais que esse tempo e metade por menos, considerando a forma como o estudo mediu piora funcional.
As principais causas de piora funcional foram:
| Causa de piora funcional | Número de casos |
|---|---|
| Fragilidade/envelhecimento | 17 |
| Pneumonia | 9 |
| Doença óssea ou da coluna | 9 |
| AVC | 7 |
| Sangramento subdural | 5 |
| Mau funcionamento do shunt | 5 |
Esse ponto é muito prático: quando alguém piora depois do shunt, não se deve assumir automaticamente que “a cirurgia falhou” ou que “não há mais nada a fazer”.
É preciso procurar causas específicas.

O que isso muda na prática?
Este estudo ajuda a organizar expectativas.
A cirurgia de shunt pode trazer benefício, especialmente quando a indicação é bem feita. Porém, o paciente e a família precisam entender que HPN geralmente acontece em uma fase da vida em que outras condições também aparecem.
Depois da cirurgia, o plano de cuidado deve incluir:
- acompanhamento neurológico;
- acompanhamento neurocirúrgico quando indicado;
- ajuste da válvula do shunt, se necessário;
- fisioterapia para marcha e equilíbrio;
- prevenção de quedas;
- vacinação e prevenção de pneumonia;
- atenção a engasgos;
- tratamento de osteoporose e doenças da coluna;
- controle de pressão, diabetes, colesterol e risco vascular;
- reavaliação se houver piora cognitiva ou motora.
O shunt não deve ser visto como um botão de “liga e desliga”. Ele é uma parte do cuidado.
A imagem mais útil talvez seja esta: o shunt pode abrir uma porta para melhora, mas o paciente ainda precisa de uma estrada segura para caminhar depois.
Como pensar em melhora depois do shunt?
A melhora costuma ser mais fácil de observar na marcha.
Algumas perguntas úteis são:
- a pessoa levanta da cadeira com mais facilidade?
- inicia melhor o primeiro passo?
- vira com menos passos?
- reduziu quedas?
- anda com menos arrasto?
- ficou mais confiante para sair de casa?
- melhorou a urgência urinária?
- está mais atenta ou participativa?
É importante comparar com vídeos e medidas objetivas sempre que possível.
Um vídeo curto antes e depois da cirurgia, andando em um corredor seguro, pode ajudar muito a família e a equipe médica a perceberem mudanças reais.
Teste rápido de observação em casa
Este teste não faz diagnóstico e não substitui consulta. Ele serve apenas para organizar a observação.
Observe a pessoa em um ambiente seguro:
| Pergunta | Sim ou não |
|---|---|
| Os passos ficaram mais curtos? | |
| O pé parece grudar no chão? | |
| Há dificuldade para começar a andar? | |
| A pessoa precisa dar muitos passos para virar? | |
| Houve quedas ou quase quedas? | |
| A memória piorou junto com a marcha? | |
| Surgiu urgência ou perda urinária? | |
| A piora foi progressiva ao longo de meses? |
Se várias respostas forem “sim”, especialmente quando marcha, cognição e urina aparecem juntas, vale discutir HPN com um neurologista.
O que vale perguntar ao médico?
Leve perguntas objetivas para a consulta:
- Os sintomas parecem compatíveis com hidrocefalia de pressão normal?
- A ressonância mostra sinais típicos de HPN?
- Há outras causas possíveis para a marcha, como Parkinson, neuropatia, AVC, doença da coluna ou vestibulopatia?
- O tap test faz sentido neste caso?
- Qual sintoma tem maior chance de melhorar?
- Quais riscos cirúrgicos são relevantes para este paciente?
- A idade, sozinha, muda a decisão?
- Como será medido se houve melhora?
- Quem acompanhará o ajuste da válvula do shunt?
- Quais sinais sugerem mau funcionamento do shunt?

FAQ
Medo
Hidrocefalia de pressão normal é grave?
Pode ser importante, mas não significa automaticamente uma situação sem saída. A HPN pode causar perda de independência, quedas e piora cognitiva. Ao mesmo tempo, é uma das causas potencialmente tratáveis de alteração de marcha e cognição em idosos.
A cirurgia de shunt é perigosa?
Toda cirurgia tem risco. O estudo não encontrou mortes diretamente causadas pela cirurgia ou por mau funcionamento do shunt, mas isso não elimina riscos. Sangramento subdural, infecção, drenagem excessiva e falha do sistema são complicações possíveis.
Se meu familiar tem mais de 80 anos, já passou da idade?
Não necessariamente. Neste estudo, pacientes com mais de 80 anos tiveram sobrevida e manutenção funcional semelhantes aos menores de 80 anos. Mas isso vale para pacientes selecionados para cirurgia, não para todos os idosos.
Dia a dia
Qual sintoma costuma chamar mais atenção?
A marcha costuma ser o sintoma mais marcante. Passos curtos, lentos, arrastados, dificuldade para iniciar a caminhada e quedas são pistas importantes.
A memória pode melhorar depois do shunt?
Pode melhorar em alguns casos, mas a resposta cognitiva é variável. Se houver Alzheimer, doença vascular ou outra causa associada, a melhora da memória pode ser limitada.
A perda urinária pode ser da hidrocefalia?
Sim, especialmente quando vem junto com alteração de marcha e lentidão cognitiva. Mas infecção urinária, próstata, bexiga hiperativa, medicamentos e outras doenças também precisam ser considerados.
Tratamento
O que é o shunt?
Shunt é um sistema de drenagem implantado por cirurgia. Ele desvia o excesso de líquido para outra parte do corpo, geralmente o abdome, onde pode ser reabsorvido.
Como saber se alguém é candidato ao shunt?
A decisão combina história clínica, exame neurológico, ressonância, avaliação da marcha e testes como punção lombar ou tap test. O objetivo é estimar a chance de melhora e pesar riscos.
O shunt precisa de ajuste?
Muitas vezes, sim. O estudo descreve uso de válvulas programáveis, que podem ser ajustadas depois da cirurgia para tentar melhorar efeito e reduzir eventos adversos.
Futuro
A pessoa pode voltar a piorar depois de melhorar?
Sim. A piora pode ocorrer por fragilidade, pneumonia, AVC, doença de coluna, sangramento subdural ou mau funcionamento do shunt. Por isso, piora nova deve ser reavaliada.
O shunt aumenta a sobrevida?
Este estudo avaliou pacientes operados e encontrou sobrevida mediana de 7,7 anos, mas não comparou diretamente com um grupo semelhante não operado. Portanto, ele ajuda a entender prognóstico após cirurgia, mas não prova sozinho que o shunt aumenta a sobrevida em todos.
Ação
Quando procurar ajuda com urgência?
Procure atendimento urgente se houver sonolência importante, confusão súbita, fraqueza de um lado do corpo, convulsão, febre, dor de cabeça intensa nova, queda com trauma, piora abrupta da marcha ou suspeita de infecção.
Checklist de agência
Sinais que merecem avaliação
- marcha ficando lenta, curta ou arrastada;
- quedas ou quase quedas;
- dificuldade para iniciar o passo;
- piora cognitiva progressiva;
- urgência ou perda urinária;
- piora funcional após shunt;
- sonolência, febre, dor de cabeça nova ou confusão.
Perguntas para consulta
- A marcha é compatível com HPN?
- A ressonância apoia o diagnóstico?
- Existe outra doença explicando os sintomas?
- O tap test é indicado?
- O benefício esperado é marcha, urina, cognição ou todos?
- Qual é o risco cirúrgico individual?
- Como acompanhar o funcionamento do shunt?
Hábitos e cuidados que podem ajudar
- fisioterapia para marcha e equilíbrio;
- prevenção de quedas em casa;
- revisão de medicamentos que pioram equilíbrio ou cognição;
- controle de pressão, diabetes e risco vascular;
- vacinação e prevenção de infecções respiratórias;
- avaliação de engasgos quando houver tosse ao comer;
- tratamento de osteoporose e dor de coluna quando presentes.
O que não fazer sozinho
- não concluir que toda piora é “idade”;
- não concluir que toda piora é “falha do shunt”;
- não ajustar medicações por conta própria;
- não abandonar acompanhamento depois da cirurgia;
- não ignorar quedas, sonolência, febre ou confusão súbita.
Quando buscar ajuda urgente
Busque atendimento urgente diante de piora abrupta, queda com batida na cabeça, febre, confusão súbita, fraqueza de um lado do corpo, convulsão, sonolência importante ou dor de cabeça intensa nova.
O que este estudo/guia NÃO prova
Este estudo é útil, mas tem limites importantes.
- Não prova que todos os pacientes com HPN devem operar.
- Não prova que o shunt cura a doença ou impede todas as perdas funcionais futuras.
- Não compara diretamente pacientes operados com pacientes semelhantes não operados.
- Não define sozinho quem deve ou não fazer cirurgia.
- Não substitui avaliação individual com neurologista e neurocirurgião.
Bloco de segurança
⚕️ IMPORTANTE
• Este conteúdo resume um estudo científico e não substitui consulta médica.
• Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde.
• Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria.
• Cada pessoa é única — o que vale para o grupo do estudo pode não valer para você.
Referência ABNT
MOMOTA, Hiroyuki; SAITO, Tsuyoshi. Long-term outcomes after shunt surgery in older patients with idiopathic normal pressure hydrocephalus. Clinical Neurology and Neurosurgery, v. 249, p. 108783, 2025. DOI: 10.1016/j.clineuro.2025.108783.
Assinatura
✍️ Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347
Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética
Hospital das Clínicas da FMUSP
📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP
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