Períodos OFF e discinesias no Parkinson: por que acontecem e como são tratados
Períodos OFF acontecem quando o efeito do tratamento dopaminérgico diminui ou demora a começar, permitindo o retorno dos sintomas. Discinesias são movimentos involuntários que podem aparecer em determinadas fases do efeito da levodopa. Ambos podem ser tratados com ajustes individualizados.
Publicado em 1 de agosto de 2026
Entenda por que o efeito da levodopa pode oscilar na doença de Parkinson, o que são períodos OFF e discinesias e quais estratégias médicas podem ajudar.


Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.
Resposta curta
Na doença de Parkinson, o efeito de uma dose de levodopa pode ficar mais curto ou imprevisível com o passar dos anos. Quando o benefício diminui e os sintomas reaparecem, ocorre um período OFF. Quando surgem movimentos involuntários relacionados às variações do efeito do medicamento, chamamos isso de discinesia.
Essas complicações podem afetar muito a vida diária, mas não significam que o tratamento “fracassou”. Em muitos casos, elas indicam que o cérebro perdeu parte da capacidade de armazenar a dopamina produzida a partir da levodopa e passou a depender mais diretamente de cada dose.
A revisão científica analisada reforça que a levodopa continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas motores do Parkinson. Também não encontrou uma vantagem clara em atrasar seu início apenas por medo de futuras complicações.
Na prática, o melhor caminho é usar a dose necessária para preservar função e qualidade de vida, evitar doses maiores do que o necessário e reconhecer exatamente quando e como as oscilações aparecem.
Em 30 segundos
- ON é o período em que o medicamento está proporcionando bom controle dos sintomas.
- OFF é o período em que lentidão, rigidez, tremor, dor ou dificuldade para andar retornam.
- Wearing off ocorre quando o efeito termina antes da dose seguinte.
- Discinesia é um movimento involuntário relacionado ao efeito da levodopa.
- O risco é maior em pessoas com início mais jovem, doença mais avançada e necessidade de doses mais altas.
- Atrasar a levodopa apenas para “poupá-la” não demonstrou vantagem clara.
- O tratamento depende do padrão: ajustar horários e doses, utilizar formulações ou medicamentos complementares e, em casos selecionados, considerar terapias contínuas.
O que importa de verdade
Mensagem 1
- Em 1 frase: a levodopa não deve ser evitada quando já é necessária para manter a pessoa funcional.
- Por que isso importa: adiar um tratamento eficaz pode prolongar lentidão, rigidez, tremor, quedas e perda de autonomia.
- A nuance: doses acima das necessárias devem ser evitadas, pois doses mais altas estão associadas a maior risco de flutuações e discinesias.
Mensagem 2
- Em 1 frase: “OFF” não é um único fenômeno.
- Por que isso importa: fim precoce do efeito, atraso para a dose começar a agir e falha completa da dose exigem abordagens diferentes.
- A nuance: ansiedade, dor, cansaço e sintomas autonômicos também podem flutuar, mesmo quando a mudança motora parece pequena.
Mensagem 3
- Em 1 frase: o melhor tratamento depende do equilíbrio entre reduzir o OFF e não aumentar movimentos involuntários ou efeitos adversos.
- Por que isso importa: simplesmente aumentar a levodopa pode melhorar a lentidão, mas piorar discinesias, alucinações ou pressão baixa.
- A nuance: algum grau de discinesia leve pode ser funcionalmente menos prejudicial do que permanecer grande parte do dia em OFF.
Para quem este texto é útil?
Este conteúdo é especialmente útil para:
- pessoas que percebem que uma dose “não dura mais como antes”;
- pacientes que acordam muito lentos ou rígidos;
- familiares que observam mudanças bruscas entre momentos bons e ruins;
- pessoas que apresentam movimentos involuntários depois do medicamento;
- cuidadores que precisam registrar sintomas para uma consulta;
- pacientes que ouviram que deveriam “guardar” ou atrasar a levodopa.
O que são ON, OFF e flutuações motoras?
No início do Parkinson, uma dose de levodopa frequentemente mantém um benefício relativamente estável até a dose seguinte.
Com a progressão da doença, o cérebro perde mais neurônios capazes de produzir, armazenar e liberar dopamina. O efeito clínico passa a acompanhar mais de perto a subida e a descida da quantidade de levodopa disponível no organismo.
Uma comparação possível é a de um reservatório de água.
No início, o reservatório cerebral ainda consegue guardar parte da dopamina e liberá-la aos poucos. Mais tarde, esse reservatório fica menor. A torneira passa a depender diretamente de cada novo abastecimento.
Quando há dopamina suficiente e os sintomas estão controlados, a pessoa está em ON.
Quando o benefício diminui e os sintomas reaparecem, ela está em OFF.
A passagem entre esses estados recebe o nome de flutuação motora.
Como o período OFF aparece no dia a dia?
O OFF pode provocar:
- aumento da lentidão;
- maior rigidez;
- retorno ou piora do tremor;
- passos curtos ou dificuldade para iniciar a marcha;
- congelamento dos pés;
- redução da voz;
- dificuldade para se virar na cama;
- dor ou postura anormal do pé;
- dificuldade para usar talheres, vestir-se ou tomar banho.
Também podem ocorrer flutuações não motoras, como:
- ansiedade ou sensação de angústia;
- cansaço intenso;
- lentificação do raciocínio;
- dor;
- sudorese;
- sensação de falta de ar;
- desconforto abdominal;
- alterações urinárias;
- mudanças de humor.
Para ser considerada uma flutuação relacionada ao Parkinson, o sintoma costuma aparecer ou piorar junto com o OFF e melhorar quando o tratamento volta a fazer efeito.
Quais são os principais tipos de OFF?
| Tipo | Como costuma aparecer |
|---|---|
| Wearing off | O efeito diminui gradualmente antes da dose seguinte. |
| OFF matinal | A pessoa acorda lenta, rígida ou com dificuldade para se movimentar antes da primeira dose fazer efeito. |
| Delayed ON | A dose demora mais que o habitual para começar a agir. |
| Falha da dose | A dose é tomada, mas não produz benefício perceptível. |
| ON parcial | Há melhora, porém menor do que a pessoa costuma obter. |
| OFF imprevisível | Os sintomas retornam de forma aparentemente aleatória, sem relação clara com o horário. |
| Flutuação ON-OFF rápida | A pessoa alterna rapidamente entre mobilidade boa e ruim. |
Distinguir esses padrões é importante. Uma dose que termina cedo não é o mesmo problema que uma dose que fica parada no estômago e demora para ser absorvida.

O que é discinesia?
Discinesia induzida pela levodopa é o surgimento de movimentos involuntários relacionados ao ciclo de efeito do medicamento.
Eles podem parecer:
- balanços do tronco;
- movimentos de dança;
- torções;
- caretas;
- movimentos irregulares dos braços ou das pernas;
- posturas musculares sustentadas e dolorosas.
A pessoa pode não perceber todos os movimentos. Por isso, a observação de familiares e vídeos curtos feitos com consentimento podem ajudar durante a consulta.
Discinesia não é a mesma coisa que tremor.
O tremor costuma ser mais rítmico. A discinesia frequentemente é irregular, variável e flui de uma parte do corpo para outra.
Existem diferentes tipos de discinesia?
Discinesia de pico de dose
É a forma mais comum. Surge quando o efeito da levodopa está mais intenso.
Em geral, a pessoa está relativamente solta e móvel, mas apresenta movimentos involuntários.
Discinesia bifásica
Pode aparecer quando o efeito está começando e novamente quando está terminando.
É comum envolver as pernas e pode produzir movimentos repetitivos, torções ou dificuldade para caminhar justamente durante as transições.
Distonia do período OFF
Distonia é uma contração muscular que força uma postura anormal.
Durante o OFF, especialmente pela manhã, o pé pode virar para dentro, os dedos podem se dobrar e a panturrilha pode ficar dolorida.
Embora seja frequentemente discutida junto das discinesias, a distonia do OFF ocorre quando há pouco efeito dopaminérgico, e não durante o pico.

Isso acontece com todas as pessoas?
O risco aumenta com a duração da doença, mas o momento em que as complicações aparecem varia bastante.
Uma coorte prospectiva discutida na revisão acompanhou 734 pessoas por até dez anos. Durante o estudo:
- 34,7% desenvolveram flutuações motoras;
- 25,3% desenvolveram discinesias.
Outros estudos, realizados em diferentes épocas e com métodos distintos, encontraram números diferentes. A revisão destaca que quase todas as pessoas podem apresentar alguma flutuação ou discinesia após 15 a 20 anos de doença, mas isso não significa que todas terão sintomas incapacitantes.
A intensidade e o impacto funcional são tão importantes quanto a simples presença da complicação.
Quem apresenta maior risco?
Os fatores mais consistentemente associados às complicações foram:
- início do Parkinson em idade mais jovem;
- maior duração e gravidade da doença;
- necessidade de doses mais altas de levodopa;
- dose elevada em relação ao peso corporal;
- boa resposta à levodopa;
- maior carga de sintomas não motores.
Alguns estudos também encontraram associação entre discinesia, sexo feminino e menor peso corporal. Essas associações não permitem prever com exatidão o que acontecerá com uma pessoa específica.
A levodopa causa essas complicações?
A resposta exige cuidado.
As complicações aparecem no contexto de dois fatores que interagem:
- a progressão da doença, que reduz a capacidade cerebral de armazenar dopamina;
- a exposição intermitente à levodopa, que pode produzir picos e quedas mais marcados.
A levodopa está envolvida no aparecimento da discinesia, especialmente em doses mais altas. Entretanto, a duração da própria doença também tem papel fundamental.
Um estudo comparou pessoas de Gana, onde a levodopa costumava ser iniciada mais tarde por dificuldade de acesso, com pessoas da Itália. Apesar do menor tempo de uso da levodopa em Gana, as complicações surgiram após duração semelhante da doença.
Isso enfraquece a ideia de que existe um “relógio da levodopa” que começa a contar apenas no primeiro comprimido.
É melhor atrasar o início da levodopa?
A revisão não sustenta atrasar a levodopa a qualquer custo.
Estratégias que começavam com agonistas dopaminérgicos conseguiram adiar algumas flutuações e discinesias por alguns anos. Porém:
- o controle motor foi geralmente melhor com levodopa;
- alucinações, sonolência e inchaço foram mais frequentes com agonistas;
- podem ocorrer compulsão por compras, jogo, comida ou sexo;
- episódios de sono súbito podem trazer risco;
- a incapacidade de longo prazo acabou sendo semelhante.
Em outro estudo, iniciar levodopa imediatamente ou 40 semanas depois não produziu diferença significativa na progressão clínica ou nas complicações ao final de 80 semanas.
A mensagem prática é:
a levodopa costuma ser introduzida quando os sintomas passam a prejudicar função, segurança ou qualidade de vida.
Ela não precisa ser iniciada automaticamente no dia do diagnóstico se os sintomas forem mínimos. Porém, também não deve ser negada quando já existe uma necessidade funcional clara.

O que significa usar a menor dose eficaz?
Não significa deixar a pessoa rígida, lenta ou incapaz para evitar discinesia.
Significa procurar a menor dose que proporcione benefício funcional adequado, sem utilizar doses maiores apenas para tentar eliminar todo sinal visível do Parkinson.
A meta pode incluir:
- caminhar com segurança;
- vestir-se;
- comer;
- trabalhar;
- exercitar-se;
- conversar;
- dormir melhor;
- participar da vida familiar.
O alvo não é necessariamente fazer o exame neurológico parecer completamente normal durante poucas horas.
Como o estudo foi feito?
O documento é uma revisão narrativa publicada em 2020.
Os autores reuniram:
- estudos observacionais sobre frequência e fatores de risco;
- ensaios clínicos sobre levodopa e medicamentos complementares;
- pesquisas sobre formulações de ação prolongada;
- estudos sobre tratamentos de resgate;
- estudos sobre amantadina para discinesia;
- pesquisas sobre infusão intestinal de levodopa;
- estudos sobre infusão subcutânea de apomorfina;
- tratamentos que ainda estavam em desenvolvimento naquele momento.
Como não se trata de uma revisão sistemática com meta-análise única, a qualidade da evidência varia de um tópico para outro.
Além disso, a disponibilidade e a aprovação regulatória dos medicamentos descritos eram referentes principalmente aos Estados Unidos e à Europa em 2020.
Como as flutuações são tratadas?
Antes de acrescentar medicamentos, é necessário entender o padrão.
Perguntas importantes incluem:
- A dose demora para começar a agir?
- O benefício termina cedo?
- O OFF acontece após refeições?
- Existe discinesia no pico?
- Há movimentos anormais quando o efeito começa ou termina?
- O problema é pior ao acordar?
- Existem alucinações, sonolência ou quedas?
- Quantas horas boas a pessoa tem por dia?
Após essa análise, o neurologista pode considerar diferentes estratégias.
Ajustar os horários
Quando o efeito termina antes da dose seguinte, pode ser necessário reduzir o intervalo entre as doses.
O problema é que esquemas muito frequentes ficam difíceis de cumprir e aumentam o risco de atrasos e erros.
Fracionar as doses
Em algumas pessoas com OFF e discinesia de pico, doses menores e mais frequentes podem suavizar picos e vales.
Isso exige acompanhamento, porque reduzir demais cada tomada pode produzir ON parcial ou falha da dose.
Utilizar formulações de ação mais prolongada
Algumas formulações são desenvolvidas para manter níveis de levodopa mais estáveis.
A conversão entre formulações não é simples nem feita comprimido por comprimido. A quantidade total de levodopa pode mudar, exigindo ajustes precoces.
Acrescentar medicamentos que prolongam o efeito
Algumas classes reduzem a degradação da levodopa ou da dopamina, prolongando o benefício.
Entre as classes discutidas pela revisão estão:
- inibidores da COMT;
- inibidores da MAO-B;
- agonistas dopaminérgicos;
- antagonistas de adenosina A2A;
- outros medicamentos complementares.
Esses tratamentos podem reduzir o OFF, mas também podem aumentar discinesias ou provocar efeitos adversos.
Usar tratamentos de resgate
Tratamentos sob demanda podem ser utilizados para alguns episódios OFF, especialmente quando são inesperados ou relacionados à absorção digestiva.
A revisão descreve levodopa inalada e formas de apomorfina. A indicação, a disponibilidade e as contraindicações precisam ser avaliadas individualmente.
Tratar a discinesia
As opções podem incluir:
- reduzir doses individuais de levodopa;
- distribuir as doses de outra forma;
- rever medicamentos complementares;
- considerar amantadina;
- buscar uma forma mais contínua de estimulação dopaminérgica.
A amantadina possui evidência para redução de discinesia, mas pode causar alucinações, confusão, pressão baixa, edema, alterações na pele e quedas. Sua eliminação depende dos rins, exigindo atenção à função renal.
Por que não basta aumentar a levodopa?
Porque o tratamento é um equilíbrio.
Mais levodopa pode:
- reduzir lentidão;
- melhorar rigidez;
- diminuir o OFF;
- facilitar a marcha.
Mas também pode:
- aumentar discinesia;
- provocar náusea;
- piorar hipotensão;
- favorecer confusão ou alucinações;
- acentuar comportamentos impulsivos em determinadas combinações.
Da mesma forma, reduzir demais pode diminuir os movimentos involuntários, mas deixar a pessoa lenta, dolorida ou incapaz de caminhar.
Por isso, o objetivo costuma ser aumentar o ON funcional sem discinesia incômoda, e não simplesmente alcançar a maior ou a menor dose possível.
Quando entram as terapias contínuas?
Quando as oscilações permanecem importantes apesar de um esquema oral bem ajustado, podem ser consideradas terapias que fornecem medicamento de maneira mais contínua.
A revisão analisou duas estratégias principais.
Infusão intestinal de levodopa
Uma bomba administra levodopa diretamente no intestino por uma sonda.
Estudos mostraram redução do OFF e aumento do ON sem discinesia problemática. Porém, podem ocorrer:
- deslocamento ou obstrução da sonda;
- infecções ou complicações no local;
- falha da bomba;
- problemas relacionados ao procedimento.
Infusão subcutânea de apomorfina
Uma bomba administra apomorfina sob a pele durante parte do dia.
Ela pode reduzir o OFF e permitir redução de alguns medicamentos orais. As reações mais comuns incluem:
- nódulos e vermelhidão na pele;
- náusea;
- sonolência;
- pressão baixa.
Essas terapias podem ser consideradas antes de uma cirurgia, como alternativa para algumas pessoas ou em combinação com outros tratamentos. A decisão depende de cognição, saúde geral, suporte familiar, perfil dos sintomas e preferências pessoais.
E a estimulação cerebral profunda?
A revisão concentra-se no tratamento médico e nas infusões, não em uma análise detalhada da estimulação cerebral profunda.
Em pessoas cuidadosamente selecionadas, a estimulação cerebral profunda pode reduzir flutuações, tremor e discinesias. Entretanto, não é adequada para todos e exige avaliação específica de cognição, equilíbrio, sintomas psiquiátricos, resposta à levodopa e risco cirúrgico.
O diário do Parkinson realmente ajuda?
Sim.
Um diário simples pode mostrar padrões que não aparecem durante uma consulta de 40 ou 60 minutos.
Registre durante alguns dias:
| Horário | Medicamento | Refeição | Estado motor | Discinesia | Sintomas não motores |
|---|---|---|---|---|---|
| 07:00 | Dose da manhã | Jejum | OFF | Não | Rigidez e ansiedade |
| 07:40 | — | — | ON | Leve | Ansiedade melhorou |
| 10:30 | — | Lanche | OFF iniciando | Não | Cansaço |
| 11:00 | Próxima dose | — | OFF | Não | Marcha curta |
Não é necessário registrar cada minuto. O mais importante é identificar:
- hora da dose;
- quanto tempo demorou para agir;
- quanto tempo durou;
- quando surgiu OFF;
- quando apareceu discinesia;
- relação com refeições.
Teste rápido: qual padrão parece mais próximo?
Este teste não substitui a avaliação médica.
Situação A
“Fico bem depois da dose, mas começo a travar cerca de 30 minutos antes da próxima.”
Isso lembra wearing off.
Situação B
“Tomo o comprimido, mas às vezes ele demora mais de uma hora para fazer efeito, especialmente depois do almoço.”
Isso lembra delayed ON e possível interferência digestiva ou alimentar.
Situação C
“Quando estou mais solto, começo a balançar o tronco e os braços.”
Isso pode lembrar discinesia de pico.
Situação D
“Meu pé vira e dói antes da primeira dose da manhã.”
Isso pode lembrar distonia do OFF matinal.
Situação E
“Tenho movimentos fortes nas pernas quando a dose começa a agir e novamente quando está terminando.”
Isso pode lembrar discinesia bifásica.
Leve a descrição e, quando possível, um vídeo curto para a consulta. Não mude o esquema apenas com base neste teste.

O que isso muda na prática?
A revisão apoia uma abordagem em etapas:
- confirmar se o sintoma realmente acompanha o ciclo do medicamento;
- definir o tipo de OFF ou discinesia;
- registrar horários, refeições e impacto funcional;
- revisar adesão e possíveis falhas de absorção;
- ajustar dose e frequência com supervisão;
- avaliar medicamentos complementares;
- tratar efeitos adversos;
- considerar terapias avançadas quando o controle oral for insuficiente.
Não existe um medicamento universalmente melhor.
Uma pessoa idosa com alucinações precisa de uma estratégia diferente de uma pessoa jovem com discinesia, OFF imprevisível e cognição preservada.
O que vale perguntar ao médico?
- Meus sintomas representam OFF, discinesia ou outra condição?
- Qual é o padrão das minhas oscilações?
- O efeito termina cedo ou demora para começar?
- As refeições podem estar interferindo?
- Minha dose total está adequada ao meu peso e às minhas necessidades?
- Algum medicamento complementar pode estar aumentando alucinações ou sonolência?
- É melhor modificar a dose ou o intervalo?
- A amantadina é adequada para o meu caso?
- Preciso avaliar pressão arterial e função renal?
- Já existe indicação para discutir terapia de infusão ou estimulação cerebral profunda?
- Como devo montar um diário de ON, OFF e discinesia?
FAQ
Medo
A levodopa para de funcionar?
Geralmente não. Ela continua capaz de melhorar os sintomas motores, mas o benefício pode ficar mais curto ou menos previsível.
A discinesia significa que tomei levodopa demais por muitos anos?
Não necessariamente. A dose influencia, mas a progressão da doença e a maior sensibilidade do cérebro às oscilações também têm papel importante.
A levodopa acelera o Parkinson?
Os estudos discutidos na revisão não demonstraram que iniciar levodopa quando ela é clinicamente necessária acelere a doença.
Toda pessoa desenvolverá discinesia grave?
Não. Muitas pessoas apresentam movimentos leves, intermitentes ou pouco incômodos. A gravidade varia bastante.
Dia a dia
OFF pode causar ansiedade?
Pode. Em algumas pessoas, ansiedade, dor, sudorese ou sensação de mal-estar surgem junto com a perda do efeito motor.
Por que uma dose funciona em um dia e falha em outro?
Esvaziamento do estômago, refeições, constipação, horários irregulares e variações da própria doença podem interferir.
Proteína corta o efeito da levodopa?
Não em todas as pessoas. Em alguns pacientes, proteínas podem competir com a levodopa durante a absorção ou a entrada no cérebro. Mudanças alimentares devem preservar nutrição e ser orientadas individualmente.
Tratamento
Posso antecipar a dose quando começo a travar?
Não é recomendado alterar o esquema sozinho. Antecipar repetidamente pode produzir acúmulo, discinesia ou pressão baixa.
Toda discinesia precisa ser tratada?
Não. A decisão depende do incômodo, do risco de quedas, da dor e do impacto funcional. Discinesia leve pode ser preferível a um OFF incapacitante.
Existe um medicamento que elimina todas as oscilações?
Não. As opções reduzem oscilações em parte dos pacientes, mas cada uma apresenta limitações e efeitos adversos.
Futuro e ação
Quando devo discutir terapias avançadas?
Quando há várias horas de OFF, discinesias problemáticas ou grande imprevisibilidade apesar de tratamento oral cuidadosamente ajustado.
O que devo levar à consulta?
Lista completa de medicamentos, horários, diário de sintomas, relação com refeições, quedas, pressão baixa, alucinações e vídeos dos movimentos.
Checklist de agência
Observe e registre
- Horário exato de cada dose.
- Tempo até o início do benefício.
- Duração do ON.
- Horário e tipo de OFF.
- Presença de movimentos involuntários.
- Relação com refeições.
- Quedas, tontura ou desmaio.
- Alucinações ou confusão.
- Sonolência durante o dia.
- Comportamentos compulsivos novos.
Pergunte na consulta
- O padrão é previsível ou aleatório?
- Há espaço para ajustar intervalo ou formulação?
- Algum medicamento está produzindo efeitos adversos?
- Há necessidade de avaliar função renal?
- É hora de discutir uma terapia avançada?
Não faça sozinho
- Não suspenda levodopa abruptamente.
- Não dobre uma dose para compensar outra.
- Não retire agonistas dopaminérgicos de forma súbita.
- Não faça restrição importante de proteínas sem orientação.
- Não use medicamento de outra pessoa como “resgate”.
Procure avaliação urgente quando houver
- desmaio repetido;
- confusão aguda;
- alucinações com risco para a pessoa ou para terceiros;
- febre e rigidez intensa após interrupção de medicamentos;
- queda com traumatismo importante;
- incapacidade súbita de engolir;
- falta de ar persistente;
- movimentos contínuos e intensos com exaustão ou desidratação.
O que este estudo/guia NÃO prova
- Não prova que existe uma estratégia capaz de impedir todas as flutuações motoras.
- Não prova que atrasar a levodopa proteja o paciente no longo prazo.
- Não determina qual tratamento é melhor para uma pessoa específica.
- Não demonstra que toda discinesia precise ser eliminada.
- Não substitui uma diretriz atualizada sobre disponibilidade de medicamentos no Brasil.
- Como foi publicada em 2020, não inclui integralmente evidências e aprovações posteriores.
Bloco de segurança
⚕️ IMPORTANTE
• Este conteúdo resume um estudo científico e não substitui consulta médica.
• Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde.
• Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria.
• Cada pessoa é única — o que vale para o grupo do estudo pode não valer para você.
Referência ABNT
ARADI, Stephen D.; HAUSER, Robert A. Medical management and prevention of motor complications in Parkinson’s disease. Neurotherapeutics, v. 17, p. 1339–1365, 2020. DOI: 10.1007/s13311-020-00889-4.
Assinatura
✍️ Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347
Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética
Hospital das Clínicas da FMUSP
📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP
🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com
🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes
📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta médica.
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