Parkinson, equilíbrio e confiança: por que ficar muito tempo sentado pode atrapalhar a reabilitação
Na doença de Parkinson, o risco de quedas não depende apenas da força ou do equilíbrio medido em testes. A confiança que a pessoa sente no próprio equilíbrio também importa, e este estudo sugere que pessoas mais sedentárias podem precisar de uma reabilitação que combine treino físico progressivo com estratégias para medo de cair e autoconfiança.
Publicado em 12 de junho de 2026
Entenda, em linguagem simples, como sedentarismo, confiança no equilíbrio e reabilitação se relacionam na doença de Parkinson.


Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.
Resposta curta
Na doença de Parkinson, o risco de queda não depende apenas do equilíbrio “real” medido em testes. Também importa a confiança que a pessoa sente no próprio equilíbrio.
O estudo analisado avaliou um ponto muito prático: depois de um programa intenso de reabilitação de marcha e equilíbrio, as pessoas com Parkinson passam a perceber melhor seus próprios limites?
A resposta foi: no grupo total, não houve mudança significativa nessa diferença entre equilíbrio real e confiança percebida. Mas, em uma análise de subgrupo, pessoas mais sedentárias antes da reabilitação pareceram ajustar melhor essa percepção após o treino.
Isso não significa que ficar sentado seja bom. Significa que pessoas mais paradas talvez tenham mais espaço para “reaprender” segurança corporal quando expostas a um treino progressivo, supervisionado e desafiador.
A mensagem prática é simples: no Parkinson, reabilitação de equilíbrio não deve olhar só para força, marcha e testes motores. Ela também precisa olhar para medo de cair, autoconfiança, rotina sedentária e segurança no dia a dia.

Em 30 segundos
Este estudo reuniu dados de 97 pessoas com doença de Parkinson que participaram de dois estudos com o programa HiBalance, uma reabilitação intensa de equilíbrio e marcha.
Os participantes fizeram sessões em grupo de 1 hora, duas vezes por semana, por 10 semanas. Também havia treino em casa por 1 hora semanal.
Os pesquisadores queriam medir a chamada discordância de equilíbrio. Esse nome técnico quer dizer: a distância entre o equilíbrio que a pessoa realmente demonstra nos testes e a confiança que ela sente para se equilibrar.
Essa diferença importa porque duas situações podem ser perigosas:
| Situação | O que pode acontecer |
|---|---|
| A pessoa tem bom equilíbrio, mas pouca confiança | Pode evitar sair, andar menos, perder condicionamento e ficar mais limitada |
| A pessoa tem equilíbrio ruim, mas confiança excessiva | Pode se expor a situações arriscadas e cair |
No grupo completo, o treino não corrigiu essa discordância. Mas, em um subgrupo mais clínico e complexo, pessoas mais sedentárias antes do treino tiveram maior tendência a alinhar melhor percepção e capacidade real.
O que importa de verdade
Mensagem 1
- Em 1 frase: No Parkinson, equilíbrio e confiança nem sempre andam juntos.
- Por que isso importa: Uma pessoa pode melhorar em testes físicos e ainda continuar com medo de cair.
- A nuance: O medo nem sempre é “psicológico puro”; ele pode vir de quedas prévias, freezing, instabilidade, ansiedade, atenção dividida e experiências reais de insegurança.
Mensagem 2
- Em 1 frase: Reabilitação de equilíbrio pode precisar treinar o corpo e a percepção do corpo.
- Por que isso importa: O paciente precisa recuperar movimentos, mas também precisa aprender em quais situações está seguro e em quais precisa de ajuda.
- A nuance: O estudo não provou que qualquer fisioterapia corrige essa percepção; o programa usado era estruturado, intenso e supervisionado.
Mensagem 3
- Em 1 frase: Sedentarismo pode mudar a resposta à reabilitação.
- Por que isso importa: Quem passa muitas horas sentado pode ter menos oportunidades de testar o equilíbrio com segurança.
- A nuance: O achado apareceu de forma mais clara em um subgrupo e deve ser interpretado como hipótese, não como regra definitiva.
Para quem este texto é útil?
Este texto é útil para pessoas com Parkinson que:
- têm medo de cair;
- já caíram ou quase caíram;
- evitam sair de casa por insegurança;
- fazem fisioterapia, mas ainda se sentem instáveis;
- têm freezing, que é o “travamento” da marcha;
- passam muito tempo sentadas;
- parecem confiantes demais e se colocam em risco;
- parecem capazes nos testes, mas inseguras no dia a dia.
Também é útil para familiares que percebem uma diferença entre “o que a pessoa consegue fazer” e “o que ela acha que consegue fazer”.
Essa diferença pode aparecer dos dois lados. Algumas pessoas subestimam a própria capacidade. Outras superestimam.
As duas situações merecem atenção.
O que é isso, em linguagem simples?
O estudo fala de um conceito chamado discordância de equilíbrio.
Em linguagem simples, é o desencontro entre duas coisas:
- o equilíbrio real, medido em testes;
- a confiança que a pessoa sente no próprio equilíbrio.
Imagine o painel de combustível de um carro. O ideal é que ele mostre mais ou menos a quantidade real de combustível no tanque.
Se o painel mostra “vazio” quando ainda há combustível, a pessoa pode parar de dirigir antes da hora. No Parkinson, isso se parece com a pessoa que ainda tem capacidade, mas evita andar, sair, viajar ou fazer atividades por medo.
Se o painel mostra “cheio” quando o tanque está quase vazio, a pessoa pode se arriscar demais. No Parkinson, isso se parece com levantar rápido, andar em local irregular ou sair sem apoio mesmo tendo alto risco de queda.
A reabilitação ideal tenta melhorar o “tanque” e também calibrar o “painel”.

Como isso aparece no dia a dia?
A discordância de equilíbrio pode aparecer em situações simples.
A pessoa pode ir bem no consultório, mas travar no supermercado. Pode caminhar melhor no corredor de casa, mas ficar insegura em uma calçada irregular. Pode conseguir levantar da cadeira em teste, mas evitar sair para almoçar com a família.
Também pode ocorrer o contrário. A pessoa acha que “dá conta”, mas já tropeçou várias vezes. Recusa bengala, andador ou supervisão. Levanta de madrugada no escuro. Desce escada carregando objetos. Anda rápido quando está atrasada.
No Parkinson, isso importa porque a marcha exige várias funções ao mesmo tempo:
- força;
- equilíbrio;
- atenção;
- visão;
- velocidade de reação;
- ajuste postural;
- controle da pressão arterial;
- confiança;
- capacidade de lidar com dupla tarefa, como andar e conversar ao mesmo tempo.
Quando uma dessas peças falha, o risco de queda pode aumentar.
Como o estudo foi feito?
Os pesquisadores juntaram dados de dois estudos anteriores com o programa HiBalance.
O HiBalance é um treino de equilíbrio e marcha de alta intensidade, feito de forma progressiva e supervisionada.
O programa incluía:
- sessões em grupo de 1 hora;
- duas sessões por semana;
- duração de 10 semanas;
- treino domiciliar de 1 hora por semana;
- grupos pequenos;
- fisioterapeutas treinados;
- tarefas de equilíbrio, marcha e dupla tarefa.
Dupla tarefa significa fazer duas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo: caminhar enquanto conta números, carrega um objeto ou lembra uma sequência.
Isso é importante no Parkinson porque muitas quedas acontecem quando a pessoa precisa andar e prestar atenção em outra coisa ao mesmo tempo.
Os pesquisadores avaliaram 97 participantes:
| Característica | Dado do estudo |
|---|---|
| Número total | 97 pessoas com Parkinson |
| Idade média | Aproximadamente 70,7 anos |
| Duração média da doença | Aproximadamente 6,4 anos |
| Estágios avaliados | Hoehn & Yahr 1 a 3 |
| Quedas no último ano | Cerca de 44,7% relataram ao menos uma queda |
| Passos por dia antes do treino | Média aproximada de 4.998 passos |
| Tempo sedentário antes do treino | Média aproximada de 613 minutos por dia, cerca de 10 horas |
O equilíbrio real foi avaliado com testes como TUG e MiniBESTest.
O TUG é o teste em que a pessoa levanta de uma cadeira, caminha 3 metros, vira, volta e senta.
O MiniBESTest é uma escala que avalia diferentes componentes do equilíbrio.
A confiança no equilíbrio foi medida por uma escala chamada ABC, que pergunta quanta confiança a pessoa tem para fazer atividades do dia a dia sem perder o equilíbrio.
O que o estudo encontrou?
O resultado principal foi cauteloso.
No grupo completo, o treino HiBalance não mudou de forma significativa a discordância de equilíbrio. Em outras palavras: em média, a distância entre equilíbrio real e confiança percebida permaneceu parecida antes e depois do programa.
Isso é importante porque mostra que melhorar desempenho físico não garante, automaticamente, que a pessoa passe a se sentir mais segura ou a perceber melhor seus limites.
Mas houve um achado interessante.
Em uma das coortes, chamada Effectiveness/Implementation, mais próxima de uma população clínica, o sedentarismo antes da intervenção pareceu influenciar a resposta. Pessoas mais sedentárias antes do treino tenderam a alinhar melhor percepção e capacidade após a reabilitação.
Isso pode ter uma explicação prática. Quem estava mais parado talvez tivesse menos experiências recentes de movimento desafiador. Ao entrar em um programa supervisionado, progressivo e seguro, essa pessoa recebeu novas informações do próprio corpo: “eu consigo fazer mais do que imaginava” ou “eu preciso respeitar certos limites”.
O estudo também observou que esse efeito não apareceu da mesma forma na outra coorte, chamada EXPANd, que era mais típica de pesquisa e aparentemente mais selecionada.
Por isso, o achado deve ser visto como uma pista importante, não como conclusão definitiva.

O que isso muda na prática?
A principal mudança é olhar para a reabilitação de forma mais completa.
Não basta perguntar: “o equilíbrio melhorou no teste?”
Também é preciso perguntar:
- a pessoa está andando mais na vida real?
- ela evita sair por medo?
- ela sabe quando precisa de apoio?
- ela está confiante demais para o risco que tem?
- ela continua muito tempo sentada?
- ela consegue andar e conversar ao mesmo tempo?
- ela tem freezing?
- ela tem tontura, queda de pressão ou sonolência?
- os medicamentos estão bem ajustados?
- a casa está segura?
Para muitos pacientes, a reabilitação precisa ter três camadas.
| Camada | Objetivo |
|---|---|
| Corpo | Melhorar força, marcha, equilíbrio, viradas, transferências e reação postural |
| Cérebro e atenção | Treinar dupla tarefa, planejamento motor, foco e estratégias contra freezing |
| Confiança | Reduzir medo excessivo, evitar confiança perigosa e calibrar percepção de risco |
Essa terceira camada é muitas vezes esquecida.
O estudo sugere que estratégias psicológicas podem ser úteis junto com o treino físico, especialmente quando há medo de cair, evitação de atividades ou insegurança persistente.
Isso não significa que “está tudo na cabeça”. Significa que corpo, cérebro, emoções e experiências anteriores caminham juntos.
Teste rápido: existe desencontro entre equilíbrio e confiança?
Este teste não dá diagnóstico. Ele serve para organizar a conversa com o médico ou fisioterapeuta.
Marque mentalmente o que acontece com mais frequência.
| Pergunta | Sim | Não |
|---|---|---|
| Você evita sair de casa por medo de cair, mesmo em dias em que está andando razoavelmente bem? | ||
| Você se sente muito inseguro em lugares cheios, mercados ou calçadas? | ||
| Você já caiu ou quase caiu, mas continua andando rápido ou sem apoio? | ||
| Sua família acha que você se arrisca mais do que deveria? | ||
| Você passa muitas horas sentado por medo de desequilibrar? | ||
| Você piora quando precisa andar e conversar ao mesmo tempo? | ||
| Você levanta à noite no escuro sem acender luz ou sem apoio? | ||
| Você sente que a fisioterapia melhora o teste, mas não melhora sua segurança na rua? |
Se várias respostas forem “sim”, vale discutir a discordância entre equilíbrio real e confiança percebida.
O objetivo não é criar medo. É calibrar melhor o plano de segurança.
O que vale perguntar ao médico?
Leve perguntas concretas. Isso ajuda a transformar medo em plano.
- Minha instabilidade vem do Parkinson ou pode ter outras causas associadas?
- Tenho freezing da marcha?
- Algum remédio pode estar piorando pressão baixa, sonolência ou tontura?
- Preciso avaliar visão, audição, labirinto ou neuropatia?
- Minha fisioterapia está treinando dupla tarefa?
- Estou evitando atividades por medo de cair?
- Estou me expondo a riscos sem perceber?
- Preciso de bengala, andador ou adaptação temporária?
- Como posso reduzir tempo sentado com segurança?
- Que metas de caminhada são realistas para meu estágio da doença?
- Minha casa tem riscos fáceis de corrigir?
- Seria útil combinar fisioterapia com abordagem para medo de cair?
Como uma boa reabilitação pode ser pensada?
Uma boa reabilitação no Parkinson não é apenas “fazer exercício”.
Ela deve ser planejada conforme o problema predominante.
| Problema principal | Possível foco da reabilitação |
|---|---|
| Medo de cair | Exposição gradual, treino supervisionado, educação sobre risco real |
| Confiança excessiva | Treino de percepção de risco, estratégias de segurança, orientação familiar |
| Freezing | Pistas visuais, auditivas, treino de virada, planejamento de passo |
| Quedas ao virar | Treino de rotação, dissociação de tronco, passos fracionados |
| Piora em multidão | Treino de dupla tarefa e ambientes progressivamente mais complexos |
| Muito tempo sentado | Metas pequenas de interrupção do sedentarismo, com segurança |
| Instabilidade postural | Treino de limites de estabilidade, reação postural e força funcional |
O ponto central é personalizar.
Duas pessoas com Parkinson podem ter a mesma pontuação em um teste e precisar de estratégias completamente diferentes.

FAQ
Medo
Treino de equilíbrio cura o problema de marcha no Parkinson?
Não. Treino de equilíbrio não cura a doença de Parkinson.
Ele pode melhorar segurança, função e desempenho em algumas pessoas. Mas Parkinson é uma doença neurológica crônica, e a reabilitação deve caminhar junto com acompanhamento médico, ajuste de medicamentos e prevenção de quedas.
Ter medo de cair significa que a pessoa está exagerando?
Não necessariamente.
O medo pode nascer de experiências reais: quedas, quase quedas, freezing, tontura, travamentos, fraqueza ou insegurança em lugares cheios. O problema é quando o medo passa a reduzir demais a atividade e piora condicionamento, autonomia e qualidade de vida.
Confiança demais também é perigosa?
Sim.
Uma pessoa pode achar que está segura, mas ter reação postural lenta, freezing, pressão baixa ou dificuldade de virar. Nesses casos, a confiança excessiva pode aumentar exposição a quedas.
Dia a dia
O que é discordância de equilíbrio?
É o desencontro entre o equilíbrio medido em testes e a confiança que a pessoa sente no próprio equilíbrio.
Quando os dois estão alinhados, a pessoa tende a tomar decisões mais seguras. Quando estão desalinhados, pode evitar atividades desnecessariamente ou se arriscar demais.
Por que a pessoa vai bem em casa e mal na rua?
Porque a rua exige mais do cérebro e do corpo.
Calçada irregular, barulho, pessoas passando, pressa, conversas, obstáculos e mudanças de luz aumentam a carga de atenção. No Parkinson, essa combinação pode piorar marcha, equilíbrio e freezing.
Ficar sentado por muitas horas piora o equilíbrio?
O estudo não prova causalidade.
Mas muito tempo sentado pode reduzir oportunidades de praticar movimentos, testar limites com segurança e manter condicionamento. Em reabilitação, quebrar longos períodos sentado pode ser uma meta importante, desde que feita com segurança.
Tratamento
O programa HiBalance é igual a fisioterapia comum?
Não necessariamente.
O HiBalance é um programa estruturado, progressivo e desafiador. Ele trabalha equilíbrio, marcha, dupla tarefa e ajustes individuais de dificuldade. Isso não significa que toda fisioterapia precise copiar o programa, mas mostra a importância de treino específico e progressivo.
Posso fazer treino de equilíbrio sozinho em casa?
Com cautela.
Exercícios simples e seguros podem ser orientados para casa. Mas treino desafiador de equilíbrio não deve ser iniciado sozinho por quem já caiu, tem freezing, tontura, pressão baixa, sonolência, instabilidade importante ou mora em ambiente inseguro.
Medo de cair deve ser tratado junto com fisioterapia?
Muitas vezes, sim.
O estudo sugere que treino físico isolado pode não ser suficiente para alinhar equilíbrio real e confiança. Estratégias educativas e psicológicas, incluindo abordagens inspiradas em terapia cognitivo-comportamental, podem ajudar em alguns casos.
Futuro
Esse estudo muda as recomendações de tratamento?
Não sozinho.
Ele reforça uma direção prática: reabilitação no Parkinson deve considerar sedentarismo, confiança, medo de cair e risco real. Mas os resultados ainda precisam ser confirmados por estudos maiores e desenhados especificamente para essa pergunta.
O estudo vale para Parkinson avançado?
Com limitação.
Os participantes eram ambulatórios e conseguiam andar sem auxílio. Pessoas com Parkinson mais avançado, demência importante, muitas quedas, grande freezing ou dependência para marcha podem precisar de estratégias diferentes.
Ação
Qual é a principal atitude prática depois de ler este estudo?
Conversar com a equipe sobre equilíbrio real, confiança percebida e sedentarismo.
A pergunta não deve ser apenas “estou andando melhor?”. Também deve ser: “estou andando com segurança, confiança adequada e menos evitação?”
Quando procurar ajuda com mais urgência?
Procure avaliação médica com mais urgência se houver quedas repetidas, desmaios, tontura intensa, confusão, sonolência importante, piora súbita da marcha, trauma na cabeça, dor após queda ou perda rápida de autonomia.
Checklist de agência
Sinais de alerta
- quedas repetidas;
- queda com trauma;
- quase quedas frequentes;
- freezing com risco de queda;
- tontura ao levantar;
- desmaios;
- sonolência diurna intensa;
- confusão ou alucinações;
- piora súbita da marcha;
- medo de sair de casa;
- recusa de apoio apesar de quedas.
Perguntas para consulta
- Meu risco de queda é alto?
- Tenho discrepância entre equilíbrio real e confiança?
- Preciso de fisioterapia neurológica específica?
- Meu treino inclui dupla tarefa?
- Preciso treinar viradas, levantar da cadeira e marcha em obstáculos?
- Há sinais de pressão baixa ao levantar?
- Meus remédios podem aumentar queda?
- Preciso adaptar a casa?
- Devo usar bengala ou andador?
- Como posso reduzir sedentarismo sem aumentar risco?
Hábitos apoiados por evidência, quando individualmente seguros
- manter atividade física regular;
- interromper longos períodos sentado;
- treinar força e equilíbrio com orientação;
- revisar riscos da casa;
- manter boa iluminação noturna;
- usar calçados firmes;
- evitar pressa ao levantar;
- treinar estratégias para freezing;
- fazer acompanhamento regular com neurologista e fisioterapeuta.
O que não fazer sozinho
- não iniciar treino de equilíbrio desafiador sem orientação;
- não retirar bengala ou andador por vergonha;
- não mudar levodopa ou outros remédios por conta própria;
- não ignorar quedas;
- não atribuir toda instabilidade automaticamente ao Parkinson;
- não fazer exercícios em escada, tapete solto ou ambiente escorregadio sem supervisão.
Quando buscar ajuda urgente
Busque atendimento urgente se houver queda com batida na cabeça, desmaio, dor forte, suspeita de fratura, fraqueza súbita de um lado do corpo, fala enrolada nova, confusão aguda, febre com piora importante da marcha ou sonolência fora do habitual.
O que este estudo/guia NÃO prova
- Não prova que sedentarismo causa diretamente pior percepção de equilíbrio.
- Não prova que todo paciente sedentário vai melhorar mais com reabilitação.
- Não prova que o HiBalance reduz quedas em todos os perfis de Parkinson.
- Não prova que treino físico sozinho corrige medo de cair ou confiança excessiva.
- Não representa bem pessoas com Parkinson muito avançado, incapazes de andar sem auxílio ou com grandes limitações cognitivas.
- Não substitui avaliação individual de marcha, medicamentos, pressão arterial, visão, cognição, sono e ambiente domiciliar.
Bloco de segurança
⚕️ IMPORTANTE • Este conteúdo resume um estudo científico e não substitui consulta médica. • Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde. • Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria. • Cada pessoa é única — o que vale para o grupo do estudo pode não valer para você.
Referência ABNT
ALBRECHT, Franziska et al. Sedentary behavior modifies the effect of balance rehabilitation on balance discordance in Parkinson’s disease. npj Parkinson’s Disease, v. 12, artigo 98, 2026. DOI: 10.1038/s41531-026-01357-0.
Assinatura
✍️ Dr. Thiago G. Guimarães CRM-SP 178.347 Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética Hospital das Clínicas da FMUSP
📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP 🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com 🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes 📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro
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