O Parkinson evolui igual em todas as pessoas? O que os subtipos revelam
A doença de Parkinson não evolui da mesma forma em todas as pessoas. A combinação entre idade ao diagnóstico, intensidade dos sintomas motores, cognição, alterações autonômicas e transtorno comportamental do sono REM pode ajudar a estimar riscos e organizar o acompanhamento, mas não funciona como uma previsão exata.
Publicado em 16 de julho de 2026
Entenda por que o Parkinson pode evoluir de formas diferentes e quais sintomas iniciais ajudam o neurologista a planejar o acompanhamento.


Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.
Resposta curta
A doença de Parkinson não evolui da mesma forma em todas as pessoas. Algumas permanecem muitos anos com sintomas predominantemente motores e boa independência. Outras apresentam mais cedo alterações de equilíbrio, cognição, sono ou funcionamento automático do organismo.
Isso não significa que seja possível olhar para uma pessoa recém-diagnosticada e prever exatamente o que acontecerá. Os estudos oferecem estimativas de risco para grupos, e não uma data ou destino individual.
O principal avanço foi perceber que o prognóstico não depende apenas de tremor, rigidez ou lentidão. Sintomas como tontura ao levantar, constipação, alterações urinárias, agir durante os sonhos e dificuldades cognitivas também precisam ser avaliados desde o início.
Na prática, reconhecer esses sinais ajuda a organizar um acompanhamento mais atento, prevenir quedas, tratar problemas de sono e pressão arterial, acompanhar a cognição e orientar melhor a família.
Em 30 segundos
- Parkinson é uma doença muito variável.
- Tremor sozinho não define se a evolução será lenta ou rápida.
- Movimento, equilíbrio, cognição, sono, sintomas autonômicos e idade devem ser avaliados em conjunto.
- Os pesquisadores descreveram três perfis gerais de progressão.
- Esses perfis não são caixas fixas nem sentenças.
- O objetivo é antecipar necessidades, não assustar o paciente.
O que importa de verdade
Mensagem 1
- Em 1 frase: duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter trajetórias muito diferentes.
- Por que isso importa: o acompanhamento deve ser individualizado.
- A nuance: diferenças entre grupos não permitem prever com precisão o futuro de uma pessoa.
Mensagem 2
- Em 1 frase: os sintomas não motores podem ser tão importantes quanto o tremor e a rigidez.
- Por que isso importa: alterações de memória, sono, pressão, intestino e bexiga merecem investigação ativa.
- A nuance: nenhum desses sintomas isoladamente define o prognóstico.
Mensagem 3
- Em 1 frase: um perfil de maior risco deve levar a mais prevenção, não a fatalismo.
- Por que isso importa: vários problemas associados ao Parkinson podem ser tratados ou compensados.
- A nuance: tratar sintomas não significa necessariamente modificar a causa biológica da doença.
Para quem este texto é útil?
Este texto é especialmente útil para:
- pessoas que receberam recentemente o diagnóstico de Parkinson;
- familiares tentando entender por que pacientes diferentes evoluem de maneiras distintas;
- cuidadores que perceberam mudanças de equilíbrio, memória, sono ou pressão arterial;
- pacientes que têm poucos tremores, mas apresentam outros sintomas importantes;
- pessoas preocupadas com previsões rígidas de tempo ou incapacidade.
O que são subtipos de Parkinson?
Um subtipo é uma tentativa de reunir pessoas que apresentam combinações semelhantes de sintomas.
Imagine várias pessoas começando uma viagem pela mesma região. Todas receberam o diagnóstico de Parkinson, mas não percorrem exatamente a mesma estrada. Algumas encontram mais dificuldades relacionadas ao movimento. Outras enfrentam também alterações de sono, equilíbrio, pressão arterial ou cognição.
Os pesquisadores tentam mapear essas trajetórias para entender:
- quais problemas tendem a surgir juntos;
- quais pessoas podem precisar de acompanhamento mais próximo;
- como organizar estudos de novos tratamentos;
- quais mecanismos biológicos podem explicar as diferenças.
Os subtipos são, portanto, mapas aproximados, e não trilhos obrigatórios.
Por que apenas observar o tremor não é suficiente?
Durante muitos anos, uma das principais divisões foi entre:
- Parkinson com predomínio de tremor;
- Parkinson com maior rigidez, lentidão, dificuldade de marcha e instabilidade postural.
Em média, pessoas com tremor predominante pareciam evoluir mais lentamente. Pessoas com maior dificuldade de marcha e equilíbrio apresentavam maior risco de quedas e declínio cognitivo.
O problema é que essa divisão não é estável em todas as pessoas. Um paciente pode começar com tremor e desenvolver alterações de marcha posteriormente. Além disso, tremor, rigidez e equilíbrio podem progredir em velocidades diferentes e responder de formas diferentes à levodopa.
Por isso, classificações mais recentes passaram a considerar também os sintomas não motores.
Quais foram os três perfis descritos?

| Perfil estudado | Características observadas no início | Evolução média observada |
|---|---|---|
| Predomínio motor leve | Menor carga de sintomas motores e poucos sintomas não motores importantes | Progressão média mais lenta |
| Intermediário | Características entre os dois extremos | Ritmo intermediário e variável |
| Perfil difuso | Maior carga motora combinada com alterações cognitivas, autonômicas ou do sono REM | Progressão média mais rápida |
Os artigos utilizaram o termo inglês diffuse malignant, traduzido como “difuso maligno”.
Esse nome pode causar medo, mas precisa ser entendido corretamente:
- não significa câncer;
- não significa que a doença seja “maligna” no sentido oncológico;
- não garante que a pessoa perderá rapidamente sua independência;
- é apenas um rótulo estatístico utilizado para um grupo com maior carga de sintomas.
Uma expressão mais clara para pacientes seria perfil difuso de progressão mais rápida.
Quais sinais ajudaram a estimar o ritmo de progressão?

Idade ao diagnóstico
Nos estudos, uma idade mais avançada no momento do diagnóstico esteve associada a progressão média mais rápida e menor tempo até alguns marcos da doença.
Isso não significa que a idade determine sozinha a evolução. Condicionamento físico, outras doenças, reserva cognitiva, resposta ao tratamento e acesso à reabilitação também importam.
Intensidade dos sintomas motores e alterações da marcha
Maior lentidão, rigidez, instabilidade postural e dificuldade para caminhar foram mais comuns nos grupos com progressão rápida.
Quedas precoces ou frequentes exigem atenção especial. Elas também podem levantar a necessidade de revisar o diagnóstico e considerar outras síndromes parkinsonianas.
Cognição
Dificuldades de atenção, planejamento, organização, percepção espacial ou memória podem ocorrer no Parkinson.
Quando alterações cognitivas já estão presentes no início, o acompanhamento deve incluir avaliações periódicas e orientação à família.
Uma alteração em um teste cognitivo não é sinônimo de demência. Sono ruim, ansiedade, depressão, medicamentos e baixa escolaridade também podem afetar o desempenho.
Sistema autonômico
O sistema nervoso autonômico controla funções que normalmente acontecem sem esforço consciente.
Seus sintomas incluem:
- tontura ou escurecimento da visão ao levantar;
- desmaios;
- constipação;
- esvaziamento lento do estômago;
- urgência ou dificuldade para urinar;
- alterações de suor;
- disfunção sexual.
Uma carga maior desses sintomas esteve associada ao perfil de progressão mais rápida.
Transtorno comportamental do sono REM
Durante o sono REM, fase em que ocorrem muitos sonhos, os músculos normalmente ficam temporariamente relaxados.
No transtorno comportamental do sono REM, essa proteção pode falhar. A pessoa fala, grita, gesticula, soca, chuta ou parece representar fisicamente o conteúdo do sonho.
Nos estudos, esse transtorno apareceu com maior frequência no perfil difuso. Entretanto, falar durante o sono ocasionalmente não confirma o diagnóstico. A história precisa ser avaliada e, em alguns casos, complementada por polissonografia.
Como os estudos foram feitos?
Estudo prospectivo com Parkinson inicial
O estudo publicado no periódico Brain analisou 421 pessoas com diagnóstico recente de Parkinson, ainda sem tratamento dopaminérgico.
Os pesquisadores avaliaram:
- sintomas motores;
- capacidade para atividades diárias;
- cognição;
- ansiedade e depressão;
- sono;
- olfato;
- sintomas autonômicos;
- informações genéticas;
- exames de imagem;
- marcadores do líquido cefalorraquidiano.
Foram classificados:
- 223 pacientes no perfil de predomínio motor leve;
- 146 no perfil intermediário;
- 52 no perfil difuso.
Quatrocentas e uma pessoas tiveram pelo menos um ano de acompanhamento. O seguimento médio foi de aproximadamente 2,7 anos.
Estudo com confirmação em autópsia
Outro estudo analisou 111 pessoas acompanhadas regularmente no Reino Unido e que tiveram o diagnóstico de Parkinson confirmado após a morte.
Os pesquisadores reconstruíram o curso da doença e registraram o tempo até:
- quedas recorrentes;
- necessidade de cadeira de rodas;
- demência;
- necessidade de cuidados residenciais;
- morte.
Foram classificados:
- 54 pacientes no perfil de predomínio motor leve;
- 39 no perfil intermediário;
- 18 no perfil difuso.
A confirmação neuropatológica foi uma grande força do estudo. Por outro lado, todos os participantes pertenciam a um banco de cérebros e já haviam falecido, o que limita a aplicação direta dos números a pacientes atuais.
O que o estudo prospectivo encontrou?
O perfil difuso apresentou:
- maior intensidade de sintomas motores;
- mais dificuldade de marcha;
- mais alterações autonômicas;
- mais sintomas de sono REM;
- maior carga de ansiedade, apatia e fadiga;
- pior desempenho cognitivo médio;
- maior alteração no exame funcional do sistema dopaminérgico;
- maior atrofia em uma rede cerebral associada ao Parkinson;
- progressão mais rápida no índice global utilizado pelo estudo.
O líquido cefalorraquidiano desse grupo também apresentou um padrão médio mais próximo daquele observado em processos relacionados à doença de Alzheimer.
Isso não significa que essas pessoas tivessem necessariamente Alzheimer. O resultado sugere que diferentes processos biológicos podem contribuir para a diversidade clínica do Parkinson.
O que o estudo de longo prazo encontrou?

A tabela abaixo mostra o tempo médio desde o diagnóstico observado na coorte de autópsia:
| Marco clínico | Predomínio motor leve | Intermediário | Perfil difuso |
|---|---|---|---|
| Primeiro marco importante | 14,3 anos | 8,2 anos | 3,5 anos |
| Quedas recorrentes | 15,5 anos | 8,6 anos | 4,5 anos |
| Uso de cadeira de rodas | 16,9 anos | 11,8 anos | 4,9 anos |
| Demência | 17,1 anos | 10,6 anos | 4,1 anos |
| Cuidados residenciais | 18,0 anos | 12,2 anos | 6,0 anos |
| Sobrevida desde o diagnóstico | 20,2 anos | 13,2 anos | 8,1 anos |
Esses números exigem muita cautela.
Eles são:
- médias de grupos;
- derivados de apenas 111 pessoas;
- provenientes de um centro especializado;
- baseados em registros retrospectivos;
- influenciados pela idade ao diagnóstico;
- referentes a pacientes tratados em diferentes períodos históricos;
- particularmente imprecisos no perfil difuso, que tinha somente 18 participantes.
Portanto, não são prazos individuais nem uma contagem regressiva.
Na análise ajustada, o perfil difuso apresentou uma velocidade relativa maior para atingir marcos clínicos e para mortalidade. Uma razão de risco elevada não significa que todos naquele grupo terão o desfecho, nem informa sozinho em quantos anos ele ocorrerá.
O que a análise do cérebro mostrou?
Seria intuitivo imaginar que cada subtipo tivesse um padrão neuropatológico completamente diferente. Isso não foi observado de maneira simples.
No momento da autópsia:
- a maioria dos pacientes já tinha doença neuropatológica avançada;
- a distribuição final dos corpos de Lewy foi semelhante entre os grupos;
- a quantidade de alterações relacionadas ao Alzheimer também não separou claramente os subtipos.
Uma possível explicação é que os grupos tenham atingido estágios finais semelhantes, mas em velocidades diferentes.
Em outras palavras, duas estradas podem chegar a um ponto parecido, embora uma viagem tenha durado mais tempo que a outra.
A idade também se associou a maior presença de alterações relacionadas à doença de Alzheimer. Isso reforça que o prognóstico pode resultar da combinação entre Parkinson, envelhecimento e outras alterações cerebrais.
Os subtipos são permanentes?
Não necessariamente.
Os sintomas do Parkinson mudam com o tempo. Uma pessoa inicialmente classificada como tremor predominante pode desenvolver dificuldade de marcha. Sintomas cognitivos ou autonômicos podem surgir anos depois.
Além disso, classificações estatísticas dependem:
- dos sintomas medidos;
- dos instrumentos utilizados;
- dos valores de corte;
- da população estudada;
- do número de grupos que os pesquisadores decidiram procurar.
Por isso, é mais adequado pensar em um espectro clínico do que em três caixas rígidas.
O perfil deve ser reavaliado ao longo do acompanhamento.
O que isso muda na prática?

A principal mensagem não é descobrir um rótulo. É verificar quais áreas precisam de atenção.
Avaliar mais do que o movimento
Uma consulta de Parkinson deve incluir perguntas sobre:
- tremor, rigidez e lentidão;
- marcha e quedas;
- memória e atenção;
- sono e sonhos agitados;
- tontura ao levantar;
- intestino e bexiga;
- humor e apatia;
- deglutição;
- capacidade para atividades diárias.
Prevenir quedas precocemente
Dependendo da avaliação, podem ser indicados:
- fisioterapia motora;
- treinamento de equilíbrio;
- revisão do ambiente doméstico;
- ajuste de dispositivos de apoio;
- correção de problemas visuais;
- revisão de medicamentos que causam sonolência ou queda de pressão.
Tratar sintomas autonômicos
Tontura, constipação e alterações urinárias não devem ser aceitas automaticamente como inevitáveis.
O tratamento pode envolver hidratação, alimentação, atividade física, medidas posturais, revisão de medicamentos e terapias específicas, sempre definidas individualmente.
Investigar o sono
Agir durante os sonhos pode causar lesões no paciente ou no parceiro.
Além da investigação médica, medidas de segurança no quarto podem ser necessárias, como afastar objetos cortantes e proteger áreas próximas à cama.
Acompanhar a cognição
Avaliações periódicas ajudam a distinguir:
- oscilação passageira;
- efeito de sono ou humor;
- efeitos medicamentosos;
- comprometimento cognitivo progressivo.
Identificar alterações cedo permite organizar rotinas, revisar medicamentos e orientar familiares.
Rever o diagnóstico quando necessário
Quedas muito precoces, perda rápida de autonomia, disfunção autonômica grave ou resposta muito limitada à levodopa podem exigir uma nova análise diagnóstica.
Isso não significa automaticamente que o diagnóstico inicial esteja errado, mas justifica avaliação por neurologista com experiência em distúrbios do movimento.
Um exemplo do dia a dia
Duas pessoas recebem o diagnóstico de Parkinson no mesmo mês.
A primeira apresenta tremor em uma mão, discreta lentidão e boa independência. Não tem quedas, alterações cognitivas, tontura ao levantar ou sonhos agitados.
A segunda tem pouco tremor, mas apresenta rigidez, desequilíbrio, constipação importante, quedas de pressão, movimentos durante os sonhos e dificuldade crescente para organizar tarefas.
As duas têm Parkinson, mas suas necessidades de acompanhamento são diferentes.
A segunda pessoa pode precisar mais cedo de:
- prevenção de quedas;
- avaliação cognitiva;
- investigação do sono;
- controle da pressão arterial;
- orientação ao cuidador;
- acompanhamento mais frequente.
Isso não permite dizer exatamente como cada uma estará daqui a cinco ou dez anos.
Checagem rápida para levar à consulta
Esta lista não diagnostica um subtipo. Ela ajuda a lembrar sintomas relevantes.
Nos últimos meses, houve:
- quedas ou quase quedas?
- piora rápida da marcha?
- desmaio ou escurecimento da visão ao levantar?
- constipação importante?
- urgência ou dificuldade urinária?
- gritos, socos ou chutes durante os sonhos?
- repetição de perguntas ou dificuldade para organizar tarefas?
- redução importante da autonomia?
- resposta menor ou mais curta aos medicamentos?
- sonolência excessiva ou alucinações?
Registre quando o sintoma começou, sua frequência e a relação com os horários dos medicamentos.
O que vale perguntar ao médico?
- Meu quadro apresenta predomínio de tremor, marcha ou sintomas não motores?
- Minha cognição precisa ser avaliada formalmente?
- A tontura pode estar relacionada à queda de pressão?
- Meus movimentos durante o sono sugerem transtorno comportamental do sono REM?
- Preciso de fisioterapia ou avaliação de risco de quedas?
- Algum medicamento pode estar piorando pressão, sono ou cognição?
- Existem sinais que justificam revisar o diagnóstico?
- Qual deve ser a frequência do acompanhamento?
FAQ
Medo
Ter o perfil de progressão mais rápida significa que tudo vai piorar rapidamente?
Não. O perfil descreve médias observadas em grupos.
Pessoas dentro do mesmo grupo podem evoluir de formas muito diferentes. Tratamento, reabilitação, outras doenças e características individuais também influenciam a trajetória.
O termo “difuso maligno” significa câncer?
Não. Não há qualquer relação com câncer.
É um nome técnico utilizado nos artigos para identificar o grupo que apresentou maior carga de sintomas e progressão média mais rápida.
Os números de sobrevida do estudo valem para mim?
Não diretamente.
O estudo envolveu uma população selecionada de banco de cérebros, tratada ao longo de diferentes períodos. Os números não funcionam como previsão pessoal.
Dia a dia
Ter tremor indica uma forma mais leve?
Nem sempre.
O tremor predominante esteve associado a progressão mais lenta em alguns estudos, mas o tremor isoladamente não prevê cognição, quedas ou sobrevida.
Não ter tremor significa que a doença será grave?
Não.
Muitas pessoas têm pouco tremor e permanecem independentes por longos períodos. É preciso avaliar o conjunto do quadro.
O que são sintomas autonômicos?
São alterações das funções automáticas do organismo.
Incluem tontura ao levantar, constipação, alterações urinárias, problemas de suor, digestão e função sexual.
Falar ou se mexer durante os sonhos é relevante?
Pode ser.
Gritos, socos, chutes ou movimentos complexos podem indicar transtorno comportamental do sono REM, especialmente quando recorrentes.
Tratamento
Saber o subtipo muda o medicamento contra o Parkinson?
Nem sempre muda o medicamento principal.
Pode, porém, mudar as prioridades: prevenir quedas, tratar a pressão, avaliar a cognição, investigar o sono e orientar cuidadores.
Exercício pode mudar o prognóstico?
O exercício regular é recomendado porque melhora mobilidade, equilíbrio, condicionamento e qualidade de vida.
Os estudos analisados não provam que o exercício transforme uma pessoa de um subtipo em outro, mas manter atividade física é parte importante do cuidado.
Devo iniciar ou suspender algum medicamento por causa do subtipo?
Não por conta própria.
O tratamento depende dos sintomas, riscos, idade, outras doenças e resposta individual.
Futuro
O subtipo pode mudar?
Sim.
A classificação pode mudar conforme surgem novos sintomas. Por isso, ela deve ser revista e não tratada como um rótulo permanente.
Existe um exame que prevê exatamente a evolução?
Ainda não.
Exames de imagem e marcadores do líquido cefalorraquidiano mostraram diferenças entre grupos, mas não conseguem fornecer uma previsão individual precisa.
Ação
O que devo observar em casa?
Registre quedas, desmaios, alterações de memória, mudanças de autonomia, sonhos agitados, constipação, sintomas urinários e resposta aos medicamentos.
Esses dados ajudam mais quando acompanhados de datas e frequência.
Como se preparar e o que discutir na consulta
Antes da próxima consulta
- Faça uma lista atualizada de medicamentos e horários.
- Registre quedas e quase quedas.
- Anote episódios de tontura, desmaio ou pressão baixa.
- Pergunte ao parceiro sobre movimentos durante o sono.
- Observe mudanças de memória, organização e autonomia.
- Leve informações sobre intestino, bexiga e deglutição.
- Informe quanto tempo cada dose do medicamento demora para agir e quanto dura.
Hábitos que costumam ajudar
- manter atividade física regular e adaptada;
- realizar fisioterapia quando indicada;
- cuidar da hidratação;
- manter rotina de sono;
- reduzir obstáculos e tapetes soltos;
- utilizar iluminação adequada durante a noite;
- manter acompanhamento médico regular.
O que não fazer sozinho
- não aumentar ou reduzir levodopa sem orientação;
- não suspender medicamentos abruptamente;
- não tratar tontura apenas aumentando sal ou líquidos sem avaliar coração, rins e pressão;
- não usar medicamentos para dormir sem discutir riscos;
- não interpretar uma classificação de pesquisa como diagnóstico definitivo.
Procure avaliação urgente quando houver
- fraqueza ou alteração da fala de início súbito;
- perda de consciência;
- queda com trauma importante;
- confusão mental aguda;
- febre associada a rigidez intensa ou sonolência;
- incapacidade súbita de caminhar;
- engasgos repetidos com dificuldade para respirar;
- piora abrupta após mudança de medicamento.
Esses sinais não representam uma progressão habitual do Parkinson e podem indicar outro problema médico.
O que este estudo/guia NÃO prova
- Não prova que todas as pessoas possam ser encaixadas de forma permanente em um dos três grupos.
- Não permite calcular quantos anos uma pessoa levará para desenvolver quedas, demência ou dependência.
- Não prova que os sintomas usados na classificação sejam a causa da progressão mais rápida.
- Não demonstra que tratar um sintoma específico mude obrigatoriamente o subtipo biológico.
- Não substitui a avaliação individual nem exclui outras formas de parkinsonismo.
- Não garante que os mesmos números se apliquem a pacientes tratados atualmente ou a populações diferentes das estudadas.
⚕️ IMPORTANTE
• Este conteúdo resume um estudo científico e não substitui consulta médica.
• Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde.
• Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria.
• Cada pessoa é única — o que vale para o grupo do estudo pode não valer para você.
Referência ABNT
FERESHTEHNEJAD, Seyed-Mohammad et al. Clinical criteria for subtyping Parkinson’s disease: biomarkers and longitudinal progression. Brain, v. 140, n. 7, p. 1959-1976, 2017. DOI: https://doi.org/10.1093/brain/awx118.
DE PABLO-FERNÁNDEZ, Eduardo et al. Prognosis and neuropathologic correlation of clinical subtypes of Parkinson disease. JAMA Neurology, v. 76, n. 4, p. 470-479, 2019. DOI: https://doi.org/10.1001/jamaneurol.2018.4377.
THENGANATT, Mary Ann; JANKOVIC, Joseph. Parkinson disease subtypes. JAMA Neurology, v. 71, n. 4, p. 499-504, 2014. DOI: https://doi.org/10.1001/jamaneurol.2013.6233.
SCHIESS, Mya Caryn; SUESCUN, Jessika. Clinical determinants of progression of Parkinson disease: predicting prognosis by subtype. JAMA Neurology, 2015. DOI: https://doi.org/10.1001/jamaneurol.2015.1067.
Assinatura
✍️ Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347
Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética
Hospital das Clínicas da FMUSP
📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP
🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com
🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes
📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta médica.
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Discuta seu caso com o Dr. Thiago G. Guimarães, neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Atendimento presencial em São Paulo ou por telemedicina.
📍 Consultório: R. Cristiano Viana, 328 - Conj. 201, Pinheiros, São Paulo/SP