Insônia crônica: o que realmente funciona para dormir melhor?
Para a insônia crônica, as principais diretrizes recomendam a terapia cognitivo-comportamental para insônia, ou TCC-I, como tratamento de primeira linha. Medicamentos podem ajudar em situações selecionadas, mas a escolha depende do padrão de sono, idade, outras doenças, riscos e tratamentos já utilizados.
Publicado em 12 de agosto de 2026
Entenda como a insônia crônica é diagnosticada, por que a terapia cognitivo-comportamental para insônia é o tratamento de primeira linha e quando medicamentos podem ser considerados.


Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.
Resposta curta
Insônia crônica tem tratamento — e o tratamento mais bem sustentado pelas diretrizes não começa necessariamente por um comprimido para dormir.
A principal recomendação é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), um tratamento estruturado que modifica horários, hábitos, comportamentos e pensamentos capazes de manter a dificuldade para dormir.
Medicamentos também podem ser úteis. Mas a escolha depende de qual é o problema predominante — demora para adormecer, despertares durante a noite ou despertar muito cedo —, da idade, das outras doenças da pessoa, dos medicamentos que ela já usa e do risco de efeitos adversos.
Outro ponto importante: dormir mal não significa automaticamente ter transtorno de insônia. Apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, depressão, ansiedade, dor, medicamentos e outros problemas podem interferir no sono e precisam ser considerados.
A mensagem mais prática da revisão publicada no New England Journal of Medicine é simples: o objetivo não deveria ser apenas sedar uma pessoa à noite, mas entender por que o sono deixou de funcionar bem e corrigir os fatores que perpetuam o problema.
Em 30 segundos
O transtorno de insônia envolve dificuldade persistente para iniciar o sono, permanecer dormindo ou obter um sono satisfatório, acompanhada de sofrimento ou prejuízo durante o dia.
O artigo utiliza como referência uma frequência de três ou mais noites por semana durante mais de três meses, desde que a pessoa tenha oportunidade adequada para dormir.
A avaliação deve investigar também:
- horários de dormir e acordar;
- cochilos;
- cafeína, álcool e outras substâncias;
- exposição à luz;
- atividade física;
- medicamentos;
- ansiedade e depressão;
- dor;
- ronco e apneia;
- desconforto nas pernas;
- comportamentos anormais durante o sono.
A primeira linha de tratamento recomendada pelas principais diretrizes é a TCC-I.
Medicamentos podem ser usados como alternativa ou complemento em situações selecionadas.
O que importa de verdade
Mensagem 1
- Em 1 frase: TCC-I é o tratamento de primeira linha para insônia crônica.
- Por que isso importa: ela atua nos mecanismos que ajudam a perpetuar a insônia, em vez de simplesmente produzir sedação.
- A nuance: não significa que medicamentos nunca devam ser usados.
Mensagem 2
- Em 1 frase: passar mais tempo na cama não significa necessariamente dormir melhor.
- Por que isso importa: ficar muitas horas tentando dormir pode aumentar frustração, vigilância e fragmentação do sono.
- A nuance: o ajuste do tempo na cama usado pela TCC-I é uma técnica terapêutica e não deve ser confundido com privação de sono improvisada.
Mensagem 3
- Em 1 frase: o melhor medicamento depende do tipo de insônia e do perfil de risco da pessoa.
- Por que isso importa: drogas diferentes têm mecanismos, duração de ação e efeitos adversos diferentes.
- A nuance: evidência de eficácia em estudos não significa que um medicamento seja apropriado para todas as pessoas.

Para quem este texto é útil?
Este conteúdo é especialmente útil se você:
- demora muito para dormir;
- acorda repetidamente durante a noite;
- acorda muito antes do horário desejado;
- passa muito tempo na cama tentando compensar uma noite ruim;
- está preocupado por depender de medicamentos para dormir;
- experimentou melatonina ou produtos vendidos sem receita sem grande benefício;
- tem insônia junto com ansiedade, depressão ou dor;
- quer entender o que realmente significa TCC-I.
Também é útil para familiares que observam alguém progressivamente modificando toda a rotina por causa do sono.
O que é insônia, em linguagem simples?
Todo mundo pode ter algumas noites ruins.
Estresse, viagens, doença, preocupações e mudanças de rotina podem temporariamente atrapalhar o sono.
O problema é diferente quando a dificuldade persiste.
O artigo define transtorno de insônia pela combinação de:
1. Dificuldade para dormir. Pode ser para pegar no sono, permanecer dormindo ou ter um sono considerado satisfatório.
2. Frequência. O problema acontece pelo menos três noites por semana.
3. Persistência. Dura mais de três meses.
4. Consequência durante o dia. Há sofrimento, cansaço ou prejuízo funcional.
5. Oportunidade para dormir. A pessoa tinha tempo e condições razoáveis para dormir.
Esse último ponto é importante.
Uma pessoa que dorme quatro horas porque trabalha até 2h e precisa levantar às 6h tem privação de sono, mas isso não é automaticamente transtorno de insônia.
Como isso aparece no dia a dia?
A insônia frequentemente começa depois de algum fator desencadeante.
Pode ser:
- uma fase de estresse;
- doença;
- dor;
- mudanças hormonais;
- alteração de horário;
- uma viagem;
- ansiedade;
- dificuldades emocionais.
Muitas pessoas voltam gradualmente ao sono anterior.
Em outras, aparecem comportamentos inicialmente compreensíveis que acabam mantendo o problema.
Imagine alguém que teve três noites ruins.
No quarto dia, decide deitar duas horas mais cedo para “garantir” que dormirá.
Não consegue.
Fica olhando o relógio.
Começa a calcular quantas horas ainda restam.
No dia seguinte, dorme até mais tarde e cochila à tarde.
À noite, chega à cama menos sonolento.
A tentativa de recuperar o sono acabou diminuindo a pressão natural para dormir.
A insônia começa, então, a alimentar a própria insônia.
A Figura 1 da revisão, na página 3, representa justamente esse ciclo ao longo das 24 horas: horário de acordar, luz matinal, cochilos, exercício, refeições, atividades, nível de alerta à noite, horário de deitar, tempo para adormecer e despertares fazem parte do mesmo sistema.

Como o artigo foi feito?
Este não foi um novo ensaio clínico com participantes recrutados pelos autores.
É uma revisão de prática clínica publicada em 2024 no New England Journal of Medicine.
Os autores reuniram evidências provenientes de:
- ensaios clínicos;
- revisões sistemáticas;
- meta-análises;
- estudos sobre medicamentos;
- diretrizes profissionais.
Por isso, os números apresentados no artigo vêm de diferentes estudos e não de uma única população.
Isso também explica por que a força das conclusões varia conforme o tratamento analisado.
O que o artigo encontrou?
A TCC-I é a estratégia mais importante
TCC-I significa terapia cognitivo-comportamental para insônia.
Ela não é simplesmente uma conversa sobre “pensar positivo” e também não é apenas uma lista de regras de higiene do sono.
É um tratamento estruturado.
A Tabela 3, na página 5 do artigo, apresenta seus principais componentes.
Ajuste do tempo na cama
A pessoa pode inicialmente reduzir o período em que permanece na cama para aproximá-lo do período em que realmente consegue dormir.
Com a melhora da eficiência do sono, esse intervalo é gradualmente ampliado.
Pode ocorrer sonolência no início dessa fase, razão pela qual a estratégia precisa ser bem planejada.
Controle de estímulos
Entre os princípios descritos estão:
- ir para a cama quando estiver sonolento;
- sair da cama se não conseguir dormir;
- associar cama e quarto predominantemente ao sono;
- manter horário consistente para acordar;
- evitar cochilos quando eles estiverem perpetuando a insônia.
O objetivo é fazer o cérebro reaprender a associação:
cama → sono
em vez de:
cama → preocupação + tentativa + frustração + relógio.
Terapia cognitiva
Outro componente trabalha pensamentos como:
“Se eu não dormir oito horas hoje, amanhã será um desastre.”
Quanto maior o medo de não dormir, maior pode ficar o estado de alerta.
A TCC-I tenta reduzir essa vigilância e mudar expectativas pouco realistas em relação ao sono.
Relaxamento
Algumas abordagens utilizam relaxamento muscular, imaginação guiada e outras técnicas para diminuir tensão corporal e mental.
Higiene do sono
Luz, ruído, temperatura, exercício, cafeína, álcool e outros hábitos também são abordados.
Mas isso é apenas uma parte do tratamento.

Qual é a chance de a TCC-I ajudar?
Os resultados apresentados na revisão são relevantes.
Em conjunto, aproximadamente 60 a 70% dos pacientes tiveram resposta clínica.
Cerca de 50% alcançaram remissão após seis a oito semanas de tratamento.
E aproximadamente 40 a 45% mantiveram remissão durante 12 meses.
Esses números não significam que todas as pessoas terão o mesmo resultado.
Mas ajudam a explicar por que diferentes organizações profissionais colocam a TCC-I como primeira opção para a insônia persistente.
E terapia digital?
A revisão também analisa a TCC-I digital, realizada por programas estruturados na internet.
Uma meta-análise citada pelos autores reuniu 11 ensaios clínicos randomizados e 1.460 participantes.
Foram observadas melhorias em diferentes medidas de sono, inclusive:
- gravidade da insônia;
- eficiência do sono;
- qualidade subjetiva;
- tempo acordado depois de inicialmente adormecer;
- tempo necessário para pegar no sono;
- duração total do sono.
Os efeitos foram mantidos nos períodos de acompanhamento avaliados.
Isso é particularmente interessante porque existe um problema prático: faltam profissionais treinados em TCC-I para atender toda a demanda.
Ainda assim, não significa que qualquer aplicativo que prometa melhorar o sono tenha evidência científica. A revisão destaca que alguns programas possuem dados muito mais robustos do que outros.
E os medicamentos para dormir?
Aqui a resposta precisa ser mais cuidadosa.
Medicamentos não são todos iguais.
A tabela de medicamentos apresentada nas páginas 6 e 7 da revisão compara eficácia e riscos de diferentes classes.
Benzodiazepínicos e medicamentos Z
Exemplos discutidos incluem medicamentos benzodiazepínicos e as chamadas Z-drugs, como zolpidem e eszopiclona.
Eles podem reduzir o tempo necessário para adormecer e o período acordado durante a noite.
Mas podem provocar:
- sedação no dia seguinte;
- alteração de memória;
- prejuízo cognitivo ou psicomotor;
- comportamentos complexos durante o sono;
- insônia de rebote;
- dependência fisiológica.
Com uso repetido todas as noites, a literatura citada pelos autores descreve tolerância ou dependência fisiológica em uma parcela relevante dos pacientes.
Estudos observacionais também encontraram associações entre uso prolongado e quedas, fraturas de quadril e demência. No entanto, o próprio artigo ressalta uma limitação importante: associação não demonstra que o medicamento tenha sido necessariamente a causa, porque as pessoas que usam essas drogas podem apresentar outros fatores de risco.
Antagonistas de orexina
Orexina é um dos sistemas cerebrais responsáveis por promover vigília.
Em vez de aumentar diretamente mecanismos de sedação, medicamentos como suvorexant, lemborexant e daridorexant bloqueiam o sistema que ajuda a manter o cérebro acordado.
Os ensaios apresentados na revisão mostram eficácia tanto para iniciar quanto para manter o sono.
Eles parecem produzir menos comprometimento cognitivo do que os agonistas de receptores benzodiazepínicos, embora ainda possam causar:
- sonolência;
- tontura;
- fadiga;
- sonhos anormais;
- pesadelos;
- paralisia do sono.
São contraindicados em pessoas com narcolepsia.
Como o artigo é americano, suas observações sobre aprovação formal dos medicamentos referem-se à FDA dos Estados Unidos.
Doxepina
Entre os antidepressivos sedativos discutidos, a revisão destaca evidência mais consistente para doxepina em doses baixas, particularmente para manutenção do sono.
Outros antidepressivos sedativos são muito utilizados na prática, mas nem todos possuem evidência equivalente.
E a trazodona?
É um exemplo interessante.
A trazodona é amplamente utilizada para dormir.
Entretanto, as meta-análises analisadas apresentaram resultados inconsistentes para:
- tempo até pegar no sono;
- tempo acordado durante a noite;
- duração total do sono.
Portanto, ser frequentemente prescrita não é a mesma coisa que possuir a melhor evidência para insônia.
E melatonina?
A melatonina costuma ser percebida como uma solução simples e natural.
Em adultos com insônia, entretanto, os estudos controlados discutidos na revisão mostram efeito pequeno para reduzir o tempo necessário para iniciar o sono, com pouco efeito sobre os despertares noturnos ou a duração total do sono.
Isso não significa que a melatonina nunca seja útil.
Significa apenas que seus efeitos dependem do problema que se pretende tratar e que ela não deve ser vista como tratamento universal da insônia crônica.
E antialérgicos vendidos sem receita?
Medicamentos sedativos anti-histamínicos são utilizados com frequência.
A revisão considera a evidência de eficácia fraca e lembra os riscos de:
- sedação excessiva;
- prejuízo cognitivo e psicomotor;
- efeitos anticolinérgicos.
E quetiapina?
Antipsicóticos sedativos como quetiapina e olanzapina podem produzir sono, mas isso não os transforma em bons tratamentos de rotina para insônia.
A revisão destaca que a limitada evidência específica para insônia e os riscos metabólicos, cardiovasculares e neurológicos pesam contra seu uso simplesmente como hipnóticos, exceto quando existe uma indicação psiquiátrica concomitante que justifique o tratamento.

TCC-I ou medicamento: qual funciona mais rápido?
Nos poucos estudos que fizeram comparações diretas, TCC-I e medicamentos hipnóticos produziram melhorias semelhantes na continuidade do sono nas primeiras semanas.
O medicamento pode aumentar mais rapidamente o tempo total de sono.
A combinação de TCC-I com medicamento também pode melhorar os sintomas mais rapidamente no início.
Mas essa vantagem diminui depois de aproximadamente quatro a cinco semanas.
E existe uma diferença importante:
os benefícios da TCC-I tendem a ser mais sustentados depois que o tratamento termina.
Essa é uma das razões pelas quais a estratégia comportamental ocupa a primeira posição nas recomendações.
Tenho depressão ou ansiedade. Basta tratar isso?
Nem sempre.
Insônia frequentemente ocorre junto de depressão, ansiedade, dor ou outras doenças.
Tratar a condição associada pode melhorar o sono.
Mas a revisão enfatiza que isso geralmente não resolve completamente uma insônia estabelecida.
O inverso também é interessante: tratar diretamente a insônia pode melhorar sintomas depressivos e, em determinados estudos, reduzir o aparecimento ou a recorrência de depressão.
Isso reforça a ideia de que insônia pode ser um problema clínico que merece tratamento próprio.
O que isso muda na prática?
Talvez a principal mudança seja esta:
uma boa consulta de insônia começa com perguntas, não necessariamente com uma receita.
Antes de decidir o tratamento, é útil entender:
| Pergunta | Por que importa |
|---|---|
| Você demora para pegar no sono ou acorda durante a noite? | Tratamentos podem funcionar de maneira diferente conforme o padrão |
| A que horas você se deita e acorda? | Horários irregulares podem perpetuar a dificuldade |
| Você cochila? | Cochilos podem diminuir a pressão natural de sono |
| Você ronca muito? | Pode haver apneia do sono |
| Sente desconforto nas pernas à noite? | Pode haver síndrome das pernas inquietas |
| Usa álcool, cafeína ou nicotina? | Podem interferir no sono |
| Usa outros medicamentos sedativos? | Combinações podem aumentar riscos |
| Existe ansiedade, depressão ou dor? | Condições associadas precisam ser reconhecidas |
| O que você já tentou? | Evita repetir estratégias ineficazes |
Teste rápido: vale conversar sobre insônia crônica?
Pergunte a si mesmo:
- Tenho dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo?
- Isso acontece pelo menos três noites por semana?
- Está acontecendo há mais de três meses?
- Meu funcionamento durante o dia está sendo prejudicado?
- Eu teria tempo e condições adequadas para dormir se o sono viesse normalmente?
Quanto mais respostas forem “sim”, mais razoável é discutir especificamente a possibilidade de transtorno de insônia com um profissional.
Esse teste não substitui diagnóstico médico.
O que vale perguntar ao médico?
Algumas perguntas tornam a consulta muito mais produtiva:
- Meu problema parece realmente insônia ou pode haver outro distúrbio do sono?
- Tenho sinais de apneia?
- Existe possibilidade de síndrome das pernas inquietas?
- Algum medicamento que uso pode estar interferindo no sono?
- Eu poderia me beneficiar de TCC-I?
- Existe TCC-I presencial ou digital adequada para mim?
- Se um medicamento for necessário, qual problema ele pretende tratar?
- Esse remédio é para iniciar o sono ou evitar despertares?
- Quais são os riscos de sonolência, quedas ou problemas de memória?
- Como saberemos se o tratamento realmente está funcionando?
FAQ
Medo
Insônia pode se tornar permanente?
Pode persistir durante muitos anos, mas isso não significa que seja inevitavelmente permanente. A revisão mostra que tratamentos estruturados podem produzir melhora importante e sustentada.
Insônia aumenta o risco de outras doenças?
Insônia persistente está associada a depressão, hipertensão, incapacidade laboral e outros problemas de saúde. Associação, porém, não significa que a insônia seja necessariamente a única causa dessas condições.
Vou ficar dependente de remédio para dormir?
Não necessariamente. Porém, alguns hipnóticos podem gerar dependência fisiológica quando usados repetidamente, principalmente por períodos prolongados.
Dia a dia
Ficar mais tempo na cama ajuda?
Frequentemente, não. Em algumas pessoas, permanecer muito tempo acordado na cama reduz a eficiência do sono e fortalece a associação entre cama e vigília.
Posso compensar dormindo até tarde?
Às vezes isso parece ajudar no dia seguinte, mas horários muito irregulares podem dificultar a consolidação do sono nas noites seguintes.
Cochilar é sempre ruim?
Não. Mas em pessoas com insônia, especialmente quando o cochilo é prolongado ou tardio, ele pode reduzir a pressão natural de sono à noite.
Tratamento
A higiene do sono é suficiente?
Nem sempre. Ela é útil, mas representa apenas uma parte da TCC-I.
TCC-I é psicoterapia?
É uma intervenção psicológica e comportamental específica para insônia. Seu foco é bastante prático: horários, comportamento na cama, regulação do sono e pensamentos relacionados à dificuldade para dormir.
Melatonina é mais segura porque é natural?
“Natural” não significa automaticamente eficaz ou apropriado para qualquer situação. Na revisão, o benefício para insônia em adultos foi pequeno e concentrado principalmente no início do sono.
Medicamentos nunca deveriam ser usados?
Não. Alguns possuem eficácia demonstrada e podem ser úteis como alternativa ou complemento, dependendo do caso.
Futuro
O tratamento pode continuar funcionando depois que a TCC-I acaba?
Sim. Esse é um dos principais pontos favoráveis à TCC-I: os benefícios podem se manter depois do término das sessões.
Ação
Quando devo procurar avaliação?
Quando a dificuldade para dormir é frequente, persiste durante meses, prejudica o dia ou está levando ao uso repetido de sedativos, uma avaliação específica do sono passa a ser particularmente útil.
Checklist de agência
Observe antes da consulta
- anote os horários em que se deita e levanta;
- estime quanto tempo demora para dormir;
- registre despertares;
- registre cochilos;
- anote café, álcool e outros estimulantes;
- leve uma lista completa dos medicamentos;
- observe roncos, engasgos ou pausas respiratórias;
- observe desconforto ou necessidade de movimentar as pernas.
Pergunte
- Existe outro distúrbio do sono além da insônia?
- TCC-I é indicada no meu caso?
- Qual é o objetivo de cada medicamento?
- Quanto tempo o tratamento será reavaliado?
Evite fazer sozinho
- aumentar repetidamente doses de hipnóticos;
- misturar sedativos com álcool;
- interromper abruptamente medicamentos usados regularmente;
- iniciar antipsicóticos apenas porque produzem sonolência;
- aplicar uma restrição agressiva de sono sem orientação quando houver risco de sonolência importante.
Procure ajuda rapidamente
A insônia isolada raramente constitui uma emergência. Mas procure atendimento urgente se a alteração do sono estiver acompanhada de:
- pensamentos de autoagressão;
- confusão aguda;
- comportamento perigosamente desorganizado;
- episódios sugestivos de mania;
- sonolência tão intensa que torne dirigir ou operar máquinas inseguro;
- dificuldade respiratória importante durante o sono.
O que este estudo/guia NÃO prova
- Esta revisão não demonstra que uma única estratégia funcione para todas as pessoas com insônia.
- Ela não permite escolher um medicamento individualmente sem conhecer idade, doenças, outros medicamentos e padrão específico de sono.
- As associações observacionais entre alguns hipnóticos e demência ou fraturas não demonstram automaticamente causalidade.
- Existem menos dados sobre eficácia e segurança de medicamentos utilizados durante muitos anos do que sobre tratamento de curto prazo.
- Embora a TCC-I digital seja promissora, nem todo aplicativo ou programa disponível comercialmente possui evidência equivalente.
Bloco de segurança
⚕️ IMPORTANTE • Este conteúdo resume um estudo científico e não substitui consulta médica. • Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde. • Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria. • Cada pessoa é única — o que vale para o grupo dos estudos pode não valer para você.
Referência ABNT
MORIN, Charles M.; BUYSSE, Daniel J. Management of Insomnia. New England Journal of Medicine, v. 391, n. 3, p. 247-258, 2024. DOI: 10.1056/NEJMcp2305655.
Assinatura
✍️ Dr. Thiago G. Guimarães CRM-SP 178.347 Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética Hospital das Clínicas da FMUSP
📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP 🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com 🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes 📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro
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