Quando os hormônios afetam o cérebro e os nervos: sintomas neurológicos de doenças endócrinas
Alterações hormonais podem afetar o cérebro, os nervos e os músculos. Nem todo sintoma neurológico nesses casos é emergência, mas confusão intensa, desmaio, coma, convulsão, dor de cabeça súbita com alteração visual ou fraqueza importante exigem avaliação urgente.
Publicado em 26 de junho de 2026
Entenda como alterações hormonais da tireoide, hipófise, adrenal, cálcio e diabetes podem causar confusão, tremor, neuropatia, fraqueza, convulsões e coma.


Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.

Resposta curta
Sim: alterações hormonais podem afetar o cérebro, os nervos e os músculos.
Isso pode aparecer como tremor, confusão mental, sonolência, alterações de memória, fraqueza, dor em queimação nos pés, perda de sensibilidade, convulsões ou até coma.
Na maioria das vezes, o problema não é “misterioso”: hormônios ajudam o corpo a manter temperatura, energia, pressão, sais do sangue, glicose e funcionamento dos nervos. Quando esse equilíbrio se perde, o sistema nervoso pode ser um dos primeiros lugares a reclamar.
A parte mais importante é separar duas situações.
A primeira é o quadro crônico ou subagudo, como neuropatia do diabetes, lentidão mental no hipotireoidismo ou tremor no hipertireoidismo.
A segunda é a emergência endócrina, como hipoglicemia grave, crise adrenal, coma mixedematoso, tempestade tireotóxica, apoplexia hipofisária, alterações graves do cálcio ou crise hiperglicêmica.
Na prática: sintomas neurológicos novos, intensos ou rápidos em alguém com diabetes, doença da tireoide, uso de corticoide ou alteração hormonal conhecida merecem atenção. Alguns quadros são potencialmente reversíveis quando reconhecidos cedo.
Em 30 segundos
Hormônios são mensagens químicas. Eles ajudam a regular energia, temperatura, pressão, glicose, sais do sangue, músculos, nervos e cérebro.
Quando há hormônio demais, hormônio de menos ou mudança rápida demais, o corpo pode perder estabilidade.
Isso pode causar:
- tremor;
- ansiedade e insônia;
- lentidão mental;
- confusão;
- fraqueza muscular;
- dor ou queimação nos nervos;
- alterações visuais;
- convulsões;
- coma.
O diabetes é uma das causas mais conhecidas de neuropatia, especialmente nos pés. A tireoide pode afetar humor, cognição, reflexos, tremor e músculos. A adrenal pode causar fraqueza, pressão baixa e confusão. A hipófise pode causar dor de cabeça, perda visual e crises hormonais. Alterações importantes de cálcio e glicose podem causar sintomas neurológicos agudos.
A mensagem central é simples: nem todo sintoma neurológico é causado por uma doença primária do cérebro. Às vezes, o cérebro está reagindo a um desequilíbrio do corpo.

O que importa de verdade
Mensagem 1
- Em 1 frase: Doenças hormonais podem imitar doenças neurológicas.
- Por que isso importa: Uma pessoa com confusão, tremor, fraqueza ou neuropatia pode precisar investigar glicose, tireoide, adrenal, cálcio e outros marcadores metabólicos.
- A nuance: Nem todo exame alterado explica o sintoma; o resultado precisa fazer sentido com a história e o exame neurológico.
Mensagem 2
- Em 1 frase: A velocidade da mudança hormonal pode ser tão importante quanto o valor do exame.
- Por que isso importa: Uma alteração rápida da glicose, do sódio, do cálcio ou de hormônios pode causar sintomas neurológicos intensos.
- A nuance: Alguns quadros crônicos podem ser discretos; outros, mesmo raros, podem ser emergência.
Mensagem 3
- Em 1 frase: Muitos sintomas podem melhorar quando a causa hormonal é tratada cedo.
- Por que isso importa: Reconhecer o problema pode evitar exames desnecessários, atrasos e complicações.
- A nuance: Nem sempre a recuperação é completa, especialmente quando houve lesão prolongada do nervo, crise grave ou demora no diagnóstico.
Para quem este texto é útil?
Este texto é útil para pessoas que têm ou cuidam de alguém com:
- diabetes;
- pré-diabetes;
- hipotireoidismo;
- hipertireoidismo;
- doença de Graves;
- alteração de cálcio;
- doença da hipófise;
- uso crônico de corticoide;
- insuficiência adrenal;
- síndrome de Cushing;
- sintomas neurológicos sem causa clara.
Também é útil quando surgem perguntas como:
“Meu tremor pode ser da tireoide?”
“Minha dormência nos pés pode ser do diabetes?”
“Confusão mental pode ser alteração hormonal?”
“Quando uma alteração de glicose vira urgência?”
“Anticorpos da tireoide explicam sintomas neurológicos?”
O que é isso, em linguagem simples?
O sistema endócrino é o conjunto de glândulas que produzem hormônios.
Pense nos hormônios como mensagens químicas. Eles avisam aos órgãos quando acelerar, reduzir, guardar energia, liberar energia, reter água, eliminar sal, responder ao estresse ou manter a glicose estável.
O cérebro e os nervos dependem muito desse equilíbrio.
Quando a tireoide funciona rápido demais, o corpo pode ficar em estado de aceleração: tremor, palpitação, insônia, ansiedade, suor e perda de peso.
Quando a tireoide funciona devagar demais, o corpo pode ficar em estado de lentidão: cansaço, frio, constipação, pele seca, reflexos lentos, raciocínio mais lento e queixas de memória.
Quando o diabetes machuca os nervos, a pessoa pode sentir queimação, formigamento, dormência ou dor nos pés.
Quando a adrenal falha, pode haver queda de pressão, fraqueza, confusão e risco de crise adrenal.
Quando a hipófise sangra ou incha de forma súbita, pode haver dor de cabeça intensa, alteração visual e risco neurológico.
Como isso aparece no dia a dia?
Os sintomas variam conforme a glândula ou o desequilíbrio envolvido.
| Alteração | Como pode aparecer no corpo | Como pode aparecer no sistema nervoso |
|---|---|---|
| Hipertireoidismo | Calor, suor, perda de peso, palpitação | Tremor, ansiedade, insônia, hiperreflexia, piora de arritmia e risco de AVC por fibrilação atrial |
| Hipotireoidismo | Frio, ganho de peso, pele seca, constipação | Lentidão mental, depressão, queixa de memória, fraqueza, neuropatia |
| Diabetes | Sede, urina excessiva, glicose alta ou baixa | Neuropatia, dor em queimação, tontura autonômica, coma em crises graves, movimentos involuntários raros |
| Insuficiência adrenal | Cansaço, perda de peso, pressão baixa | Confusão, fraqueza, convulsão por distúrbios de sais, coma em crise adrenal |
| Cushing ou excesso de corticoide | Ganho de peso central, estrias, hipertensão, glicose alta | Fraqueza muscular proximal, alteração de humor, memória e sono |
| Alteração do cálcio | Sede, dor abdominal, arritmia ou câimbras | Confusão, sonolência, espasmos, formigamento, convulsões |
| Lesão hipofisária aguda | Náuseas, vômitos, alteração hormonal | Dor de cabeça súbita, visão dupla, perda visual, sonolência, coma |
Exemplo do dia a dia
Imagine que o corpo é uma cidade.
Os nervos são fios elétricos. O cérebro é a central de controle. Os hormônios são mensagens que regulam energia, água, pressão e velocidade da cidade.
Se a mensagem chega forte demais, a cidade acelera. Se chega fraca demais, tudo fica lento. Se a mensagem muda bruscamente, a rede elétrica pode falhar.
É por isso que um problema hormonal pode parecer neurológico.
Como o estudo foi feito?
Os documentos usados como base são revisões clínicas especializadas publicadas no periódico Continuum, da American Academy of Neurology.
Essas revisões não são ensaios clínicos de um tratamento único. Elas reúnem conhecimento médico sobre:
- como doenças endócrinas afetam o sistema nervoso;
- quais sintomas neurológicos podem aparecer;
- quais situações são urgentes;
- quais exames e abordagens costumam ser considerados;
- quais limites e incertezas ainda existem.
Esse tipo de artigo é útil para organizar raciocínio clínico, especialmente quando o problema envolve mais de uma área da medicina, como neurologia e endocrinologia.
A força da evidência varia conforme a condição. Neuropatia diabética, por exemplo, tem base ampla de estudos. Já algumas emergências endócrinas são raras, e por isso têm menos estudos prospectivos e randomizados.
O que o estudo encontrou?
As revisões destacam que complicações neurológicas de doenças endócrinas podem atingir qualquer parte do sistema nervoso.
Podem afetar:
- cérebro;
- nervos periféricos;
- raízes nervosas;
- músculos;
- visão;
- consciência;
- movimento;
- sensibilidade;
- equilíbrio autonômico, como pressão, suor, intestino e bexiga.
Hipófise: quando a “central hormonal” comprime ou sangra
A hipófise fica na base do cérebro e controla várias glândulas.
Tumores benignos da hipófise podem causar dor de cabeça, alterações hormonais e perda de campo visual, especialmente quando comprimem estruturas da visão.
Uma situação mais grave é a apoplexia hipofisária, que significa sangramento ou infarto súbito da hipófise. Pode causar dor de cabeça explosiva, náuseas, vômitos, visão dupla, perda visual, sonolência e alteração de consciência.
Esse quadro é emergência médica.

Tireoide: corpo acelerado ou corpo em marcha lenta
No hipertireoidismo, a tireoide produz hormônio em excesso. O corpo pode ficar acelerado.
Isso pode gerar tremor fino, inquietação, ansiedade, insônia, hiperreflexia, fraqueza muscular e maior risco de arritmias, como fibrilação atrial, que aumenta risco de AVC.
No hipotireoidismo, há falta de hormônio tireoidiano. O corpo pode ficar lento.
Isso pode causar cansaço, lentidão do pensamento, dificuldade de memória, depressão, reflexos lentos, fraqueza muscular, câimbras e neuropatia.
Em casos extremos e não tratados, pode ocorrer coma mixedematoso, uma emergência com hipotermia, sonolência profunda, pressão baixa e risco de morte.
Anticorpos da tireoide: cuidado com interpretações fáceis
Anticorpos da tireoide podem aparecer em algumas pessoas sem serem a causa dos sintomas neurológicos.
Isso é importante porque existe risco de atribuir confusão mental, sintomas cognitivos ou queixas vagas a “encefalopatia de Hashimoto” sem excluir causas mais comuns.
A presença de anticorpos não basta. É preciso avaliar o quadro completo.
Adrenal: estresse, pressão e energia
As glândulas adrenais ajudam o corpo a responder ao estresse.
Na insuficiência adrenal, o corpo não produz cortisol suficiente. Em uma crise, pode haver pressão muito baixa, fraqueza intensa, vômitos, alteração de sódio e potássio, hipoglicemia, confusão, convulsões e coma.
No excesso de cortisol, como na síndrome de Cushing ou em uso prolongado de corticoide, pode haver fraqueza muscular, alteração de humor, insônia, dificuldade cognitiva e piora metabólica.
A fraqueza costuma ser mais percebida para levantar da cadeira, subir escadas ou erguer o corpo.

Diabetes: nervos, glicose e cérebro
O diabetes pode afetar o sistema nervoso de várias formas.
A forma mais conhecida é a neuropatia periférica diabética, que costuma começar nos pés, com formigamento, queimação, dormência, dor ou perda de sensibilidade.
Em alguns casos, pode haver comprometimento autonômico, com tontura ao levantar, alterações de sudorese, gastroparesia, urgência urinária ou disfunção sexual.
Há também quadros menos comuns, como dor torácica por radiculopatia diabética, fraqueza dolorosa em pernas por radiculoplexoneuropatia diabética e neuropatia induzida por tratamento, que pode ocorrer após melhora muito rápida do controle glicêmico.
O diabetes também aumenta risco de AVC e pode causar emergências por glicose muito alta ou muito baixa.
Cálcio: pouco ou muito também afeta o cérebro
O cálcio participa da contração muscular e da transmissão de sinais nervosos.
Cálcio muito alto pode causar sonolência, confusão, fraqueza, desidratação, arritmias e coma em casos graves.
Cálcio muito baixo pode causar formigamento ao redor da boca, espasmos nas mãos, câimbras, contrações dolorosas, laringoespasmo e convulsões.
Essas situações exigem avaliação médica, especialmente quando os sintomas são agudos.
O que isso muda na prática?
Muda principalmente o raciocínio.
Quando alguém apresenta sintoma neurológico novo, é natural pensar primeiro em AVC, epilepsia, demência, enxaqueca, neuropatia ou doença muscular.
Mas as revisões lembram que alterações hormonais e metabólicas também precisam entrar no mapa.
Na prática, vale pensar em causa endócrina quando há:
- confusão mental sem explicação clara;
- sonolência excessiva ou rebaixamento de consciência;
- convulsão nova;
- tremor com perda de peso, calor, suor e palpitação;
- lentidão mental com frio, pele seca e constipação;
- dor ou queimação nos pés em pessoa com diabetes ou pré-diabetes;
- fraqueza proximal em pessoa usando corticoide;
- pressão muito baixa com vômitos e fraqueza;
- dor de cabeça súbita com visão dupla ou perda visual;
- formigamento ao redor da boca ou espasmos nas mãos;
- sintomas neurológicos durante hipoglicemia ou hiperglicemia.
Teste rápido de checagem
Este teste não faz diagnóstico. Ele ajuda a decidir se a conversa com o médico deve incluir causas hormonais.
Responda “sim” ou “não”:
- O sintoma começou junto com mudança importante de peso, calor, frio, sede, urina ou apetite?
- Há diabetes, pré-diabetes ou uso de insulina?
- Houve ajuste recente e intenso do controle da glicose?
- A pessoa usa corticoide há semanas ou meses?
- Houve suspensão recente de corticoide?
- Há doença conhecida da tireoide, hipófise, adrenal ou paratireoide?
- O sintoma veio com pressão muito baixa, desmaio, vômitos ou febre?
- Há confusão mental, convulsão ou sonolência profunda?
- Há dor de cabeça súbita muito forte com alteração visual?
- Há formigamento ao redor da boca, espasmos nas mãos ou câimbras intensas?
Se uma ou mais respostas forem “sim”, isso não confirma uma causa hormonal. Mas justifica levar essa informação à consulta.
O que vale perguntar ao médico?
Algumas perguntas ajudam a organizar a consulta:
- Este sintoma pode ter relação com glicose, tireoide, cortisol, sódio, cálcio ou magnésio?
- O padrão parece mais neurológico primário ou metabólico/endócrino?
- Há sinais de neuropatia periférica no exame?
- Preciso investigar diabetes ou pré-diabetes?
- Minha tireoide está realmente explicando os sintomas ou o achado é incidental?
- O uso de corticoide pode estar causando fraqueza?
- A queda de glicose ou a correção rápida da glicose pode ter relação com dor nos nervos?
- Há necessidade de exame de imagem da hipófise?
- Há algum sinal de urgência?
- Quais sintomas devem me levar ao pronto-socorro?
FAQ
Medo
Alteração hormonal pode parecer doença neurológica?
Sim. Alterações hormonais podem causar sintomas neurológicos reais.
Confusão mental, tremor, fraqueza, neuropatia, alteração visual, convulsão e coma podem ocorrer em diferentes doenças endócrinas. O desafio é descobrir se o sintoma vem do cérebro, dos nervos, dos músculos ou de um desequilíbrio do corpo afetando essas estruturas.
Isso significa que todo sintoma neurológico vem de hormônios?
Não. Hormônios são uma parte do raciocínio, não a explicação de tudo.
AVC, epilepsia, enxaqueca, demências, doenças neuromusculares, infecções, efeitos de medicamentos e outras causas também precisam ser consideradas.
Quando devo procurar urgência?
Procure urgência se houver confusão intensa, convulsão, coma, desmaio, fraqueza súbita, perda visual, dor de cabeça explosiva, febre alta com agitação, glicose muito baixa ou muito alta, ou pressão muito baixa com piora geral.
Esses sintomas podem ter várias causas, incluindo emergências endócrinas.
Dia a dia
Hipotireoidismo pode causar esquecimento?
Pode causar queixa de memória, lentidão mental e dificuldade de concentração.
Mas nem toda queixa de memória em alguém com hipotireoidismo é causada pela tireoide. Sono, humor, medicamentos, deficiência de vitaminas, depressão, doenças neurológicas e idade também entram na avaliação.
Hipertireoidismo pode causar tremor?
Sim. O hipertireoidismo pode causar tremor fino, palpitação, ansiedade, insônia, suor e intolerância ao calor.
Em geral, tratar a causa tireoidiana ajuda a melhorar os sintomas, mas a abordagem precisa ser individualizada.
Diabetes pode dar queimação nos pés?
Sim. A neuropatia diabética pode causar queimação, formigamento, choque, dor, dormência ou perda de sensibilidade nos pés.
O controle de glicose, pressão, colesterol, peso e cuidados com os pés são parte importante da prevenção de progressão.
Tratamento
Existe remédio para neuropatia diabética dolorosa?
Existem medicamentos que podem reduzir dor neuropática, mas eles não “reconstroem” o nervo de forma garantida.
Entre as classes usadas estão gabapentinoides, antidepressivos que modulam dor e bloqueadores de canais de sódio. A escolha depende de idade, rim, sono, humor, outros remédios e risco de efeitos colaterais.
Posso ajustar levotiroxina, insulina ou corticoide sozinho?
Não. Esses medicamentos podem causar problemas quando ajustados de forma inadequada.
Levotiroxina em excesso pode causar sintomas de hipertireoidismo. Insulina em excesso pode causar hipoglicemia. Corticoide não deve ser interrompido abruptamente após uso prolongado sem orientação.
Corticoide pode causar fraqueza?
Sim. O uso prolongado ou o excesso de corticoide pode causar miopatia, que é fraqueza muscular.
Ela costuma afetar mais músculos próximos ao tronco, como coxas e quadris. A pessoa percebe dificuldade para levantar da cadeira ou subir escadas.
Futuro
Esses sintomas melhoram?
Muitos melhoram quando a causa é reconhecida e tratada cedo.
Mas a recuperação depende da gravidade, da duração do problema, da idade, das doenças associadas e do tipo de lesão. Neuropatias com perda axonal importante, por exemplo, podem deixar sintomas residuais.
Anticorpos da tireoide significam encefalite autoimune?
Não necessariamente.
Anticorpos tireoidianos podem aparecer em pessoas sem doença neurológica autoimune. O diagnóstico de encefalopatia associada à tireoidite autoimune exige cuidado e exclusão de outras causas.
Ação
Que informações devo levar à consulta?
Leve lista de remédios, doses, datas de início, ajustes recentes, exames de glicose, hemoglobina glicada, TSH, T4 livre, cálcio, sódio, magnésio, cortisol se houver, além de uma linha do tempo dos sintomas.
A linha do tempo é essencial: quando começou, se piorou rápido, se veio após infecção, cirurgia, jejum, mudança de dose ou perda de peso.
Como explicar o sintoma para o médico?
Descreva com exemplos concretos.
Em vez de dizer apenas “estou fraco”, diga: “não consigo levantar da cadeira sem usar os braços” ou “subir escadas piorou”. Em vez de “minha cabeça está estranha”, diga: “estou sonolento, confuso, esquecendo conversas e errando tarefas simples”.
Checklist de agência

Sinais de alerta
Procure atendimento urgente se houver:
- convulsão;
- coma ou sonolência profunda;
- confusão mental súbita;
- dor de cabeça explosiva;
- perda visual ou visão dupla súbita;
- fraqueza súbita de um lado do corpo;
- febre alta com agitação e palpitação intensa;
- pressão muito baixa com vômitos e fraqueza;
- glicose muito baixa com alteração de comportamento;
- glicose muito alta com desidratação, vômitos ou sonolência;
- espasmos intensos, formigamento ao redor da boca ou suspeita de cálcio baixo.
Perguntas para consulta
- Meus sintomas podem ter causa hormonal ou metabólica?
- Quais exames fazem sentido para meu caso?
- Há sinais de neuropatia no exame neurológico?
- A minha glicose mudou rápido demais?
- Minha tireoide explica o quadro ou é só um achado associado?
- Algum medicamento pode estar contribuindo?
- Preciso de avaliação conjunta com endocrinologia?
- Quais sinais indicam pronto-socorro?
Hábitos apoiados por evidência geral
- manter seguimento regular do diabetes;
- evitar grandes oscilações de glicose;
- cuidar dos pés quando há neuropatia;
- controlar pressão arterial e colesterol;
- não suspender corticoide prolongado sem orientação;
- manter tratamento adequado de tireoide;
- informar médicos sobre todos os remédios e suplementos;
- buscar orientação antes de dietas extremas ou mudanças intensas no controle glicêmico.
O que não fazer sozinho
- não ajustar insulina sem plano médico;
- não suspender corticoide de longa duração abruptamente;
- não aumentar ou reduzir levotiroxina por conta própria;
- não usar betabloqueador, antitireoidiano ou diurético sem avaliação;
- não tratar confusão mental como “normal da idade”;
- não atribuir tudo a ansiedade sem checar sinais clínicos.
Quando buscar ajuda urgente
Busque ajuda urgente quando o sintoma for novo, intenso, rápido, progressivo ou acompanhado de alteração de consciência, convulsão, perda visual, queda de pressão, desidratação, febre, dor de cabeça explosiva ou glicose muito fora da faixa habitual.
O que este estudo/guia NÃO prova
- Não prova que todo sintoma neurológico em uma pessoa com doença hormonal seja causado pelos hormônios.
- Não substitui avaliação individual, exame neurológico e interpretação dos exames no contexto certo.
- Não define um único protocolo de tratamento para todas as emergências endócrinas, porque várias são raras e têm pouca evidência de ensaios randomizados.
- Não garante recuperação completa após correção hormonal, especialmente quando houve lesão prolongada do nervo ou quadro grave.
- Não autoriza ajuste de insulina, levotiroxina, corticoide ou medicamentos para dor neuropática sem orientação médica.
Bloco de segurança
⚕️ IMPORTANTE • Este conteúdo resume estudos científicos e não substitui consulta médica. • Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde. • Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria. • Cada pessoa é única — o que vale para o grupo dos estudos pode não valer para você.
Referência ABNT
MUSTAFA, Rafid. Neurologic Complications of Endocrine Disorders. Continuum (Minneapolis, Minn.), v. 32, n. 1, p. 105-130, 2026. DOI: NR.
ISHII, Makoto. Endocrine Emergencies With Neurologic Manifestations. Continuum (Minneapolis, Minn.), v. 23, n. 3, p. 778-801, 2017. DOI: NR.
Assinatura
✍️ Dr. Thiago G. Guimarães CRM-SP 178.347 Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética Hospital das Clínicas da FMUSP
📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP 🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com 🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes 📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro
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