Teste genético na ataxia: por que um resultado negativo não encerra a investigação
Nos estudos analisados, variantes consideradas causadoras foram encontradas em aproximadamente um quarto a um terço dos pacientes selecionados. Um resultado negativo não exclui ataxia genética, porque expansões repetitivas, alterações estruturais, regiões não codificantes e genes ainda desconhecidos podem escapar do exame.
Publicado em 16 de julho de 2026
Entenda quanto os testes genéticos conseguem descobrir nas ataxias, o que significam VUS e resultados negativos e por que o exame pode precisar de reanálise.


Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.
Resposta curta
A ataxia não é uma doença única. É um conjunto de sinais — como desequilíbrio, dificuldade para coordenar as mãos, fala arrastada ou marcha instável — que pode ter muitas causas diferentes.
Quando causas adquiridas e potencialmente tratáveis já foram investigadas, um teste genético pode ajudar a encontrar a explicação. Nos dois estudos analisados, uma variante considerada patogênica ou provavelmente patogênica foi encontrada em aproximadamente um quarto a um terço dos pacientes selecionados.
Isso também significa que muitos pacientes continuaram sem uma resposta definitiva.
Um exame negativo não prova que a causa não seja genética. Ele informa apenas que aquele método, com sua cobertura e suas limitações, não encontrou uma alteração capaz de explicar o quadro.
A gravidade depende da doença específica. Algumas ataxias evoluem lentamente, outras podem comprometer diferentes sistemas do organismo e algumas possuem intervenções direcionadas. Por isso, o valor do diagnóstico não está apenas em “dar um nome”, mas em orientar acompanhamento, riscos familiares, exames adicionais e, em situações selecionadas, tratamento.
Em 30 segundos
- Um painel de 285 genes encontrou uma causa provável em 33,2% de 377 pacientes.
- No estudo do exoma, variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas foram encontradas em 25% de 260 pacientes.
- Achados incertos foram frequentes, mas uma VUS não é um diagnóstico confirmado.
- Cerca de metade dos pacientes permaneceu sem uma explicação molecular definitiva.
- Um resultado negativo pode precisar de reanálise ou de testes para expansões, alterações estruturais, DNA mitocondrial e regiões que o exoma não lê bem.
- A ausência de outros familiares doentes não exclui uma causa hereditária.
O que importa de verdade
Mensagem 1
- Em 1 frase: um teste genético pode esclarecer a causa da ataxia, mas não encontra todas as causas possíveis.
- Por que isso importa: um resultado negativo não deve ser interpretado automaticamente como “não é genético”.
- A nuance: a chance de resposta varia conforme o quadro clínico, os exames feitos antes, a tecnologia do laboratório e os genes incluídos.
Mensagem 2
- Em 1 frase: encontrar uma variante no DNA não significa necessariamente encontrar a causa.
- Por que isso importa: muitas pessoas recebem um resultado chamado VUS e acreditam que o diagnóstico foi confirmado.
- A nuance: uma variante incerta precisa ser comparada com os sintomas, a herança familiar, bancos de dados e novos estudos.
Mensagem 3
- Em 1 frase: um laudo genético deve ser visto como um documento que pode ser reinterpretado.
- Por que isso importa: o conhecimento sobre genes e doenças aumenta continuamente.
- A nuance: a reanálise não garante uma resposta, mas pode mudar a classificação de algumas variantes.
Para quem este texto é útil?
Este texto é especialmente útil para pessoas que:
- apresentam ataxia sem causa definida;
- fizeram um painel genético ou exoma com resultado negativo;
- receberam uma variante de significado incerto;
- não têm outros casos conhecidos na família;
- estão avaliando se familiares também devem ser testados;
- desejam entender a diferença entre painel, exoma e genoma.
O que é ataxia, em linguagem simples?
Ataxia significa dificuldade para coordenar os movimentos.
Ela pode aparecer como:
- marcha com base alargada ou aparência de embriaguez;
- quedas ou necessidade de apoio;
- dificuldade para alcançar um objeto com precisão;
- tremor durante movimentos;
- fala lenta, separada ou arrastada;
- movimentos anormais dos olhos;
- dificuldade para engolir;
- associação com neuropatia, rigidez, espasticidade, epilepsia ou alterações cognitivas.
O cerebelo é uma das principais estruturas envolvidas. Ele funciona como um sistema de ajuste fino: compara o movimento planejado com o movimento realizado e faz correções rápidas.
Entretanto, sintomas parecidos podem surgir por alterações no cerebelo, nas vias da sensibilidade, no sistema vestibular, na medula, nos nervos periféricos ou em combinações dessas regiões.
Por que descobrir a causa pode ser tão difícil?
Existem centenas de genes relacionados direta ou indiretamente à ataxia.
Além disso:
- alterações no mesmo gene podem produzir sintomas diferentes;
- doenças causadas por genes diferentes podem parecer quase iguais;
- algumas formas são dominantes;
- outras são recessivas;
- algumas surgem por uma alteração nova, ausente nos pais;
- certas expansões genéticas não são detectadas adequadamente pelo exoma;
- parte dos casos pode ter causa adquirida, degenerativa ou multifatorial.
Uma forma simples de entender é imaginar o DNA como uma biblioteca.
Um painel genético lê uma seleção de livros considerados mais relevantes. O exoma lê principalmente os capítulos que contêm instruções para produzir proteínas. O genoma tenta examinar praticamente toda a biblioteca, incluindo regiões entre os capítulos.
Mesmo assim, ler é apenas uma parte do trabalho. Também é necessário interpretar se uma diferença encontrada realmente explica os sintomas.

Qual é a diferença entre painel, exoma e genoma?
| Exame | O que analisa | Ponto forte | O que pode escapar |
|---|---|---|---|
| Teste para expansões | Repetições anormais em regiões específicas | Detecta causas frequentes que outros testes podem perder | Analisa somente as expansões incluídas |
| Painel multigênico | Uma lista de genes relacionados à ataxia | Cobertura focada e interpretação mais direcionada | Genes fora da lista e muitas regiões não codificantes |
| Exoma | Principalmente regiões que produzem proteínas | Avalia milhares de genes ao mesmo tempo | Muitas expansões, regiões não codificantes e algumas alterações estruturais |
| Genoma | Quase todo o DNA | Alcance mais amplo | Interpretação complexa e limitações técnicas ainda existentes |
| DNA mitocondrial | Material genético das mitocôndrias | Investiga doenças mitocondriais | Pode exigir amostra e método específicos |
| Análise de CNV | Perdas ou ganhos de trechos do DNA | Detecta deleções e duplicações | A sensibilidade depende do tamanho da alteração e da técnica |
Nenhum desses exames deve ser escolhido apenas pelo nome. A utilidade depende do fenótipo, da idade de início, dos sintomas associados e da qualidade técnica do laboratório.
Como os estudos foram feitos?
Estudo com painel multigênico
Os pesquisadores analisaram 377 pessoas com suspeita clínica de ataxia hereditária, mas sem diagnóstico nos exames genéticos de rotina.
Antes do painel, os participantes já haviam sido testados para algumas expansões frequentes.
O painel examinava 285 genes ligados à ataxia ou a doenças em que a ataxia poderia fazer parte do quadro.
A população era bastante variada: havia crianças, adultos, idosos, casos familiares e casos aparentemente esporádicos.
Estudo com exoma
O segundo trabalho reuniu uma coorte total de 260 pessoas com ataxia, espasticidade ou quadros relacionados.
Os pesquisadores:
- analisaram 184 casos novos;
- revisaram os dados de 76 pessoas sequenciadas anteriormente;
- procuraram determinadas alterações de número de cópias;
- pesquisaram expansões em uma parte da amostra;
- compararam os resultados com outros estudos publicados.
A reanálise ocorreu aproximadamente cinco anos depois da avaliação inicial.
O que os estudos encontraram?
| Resultado | Painel de 285 genes — 377 pessoas | Exoma — coorte combinada de 260 pessoas |
|---|---|---|
| Variante patogênica ou provavelmente patogênica | 33,2% | 25% |
| Variante incerta | 15,6% | Incluída nos 52% de achados clinicamente relevantes |
| Sem explicação definitiva | 51,2% | Aproximadamente metade |
| Mensagem principal | Um painel amplo e bem direcionado pode ter bom rendimento | O exoma encontra muitas causas, mas apresenta um limite importante |
No estudo do painel, 56 genes diferentes explicaram os 125 casos considerados positivos. Os genes mais frequentes foram STUB1, PRKCG e SPG7, mas nenhum gene isolado respondeu pela maioria dos diagnósticos.
Isso mostra por que a investigação gene por gene se torna pouco eficiente em muitos pacientes.
No estudo do exoma, 52% das pessoas apresentaram algum achado considerado clinicamente relevante. Porém, esse número somava resultados confirmatórios e variantes incertas. A proporção com variantes classificadas como patogênicas ou provavelmente patogênicas foi de 25%.

O que significa o “teto diagnóstico” do exoma?
Os autores observaram que, mesmo em famílias com vários indivíduos afetados — nas quais uma causa genética seria bastante provável — o exoma continuava sem encontrar uma resposta em uma parcela importante.
Eles propuseram que os métodos de exoma utilizados naquela época pareciam alcançar um limite próximo de 50% quando também eram contabilizadas variantes incertas clinicamente relevantes.
Esse “teto” não é uma lei biológica. Também não significa que todo laboratório encontrará exatamente a mesma porcentagem.
O número depende de:
- quais pacientes foram selecionados;
- quais exames já haviam sido realizados;
- quais genes eram conhecidos;
- qual plataforma de sequenciamento foi usada;
- como as variantes foram filtradas;
- se familiares estavam disponíveis;
- se expansões e alterações estruturais foram investigadas;
- quais critérios foram usados para considerar um resultado relevante.
A mensagem principal é outra: o exoma não enxerga todos os tipos de alteração genética.
Por que um teste pode ser negativo?
Um resultado negativo pode ocorrer porque:
- a alteração está em um gene ainda não relacionado à ataxia;
- a variante está em uma região não codificante;
- existe uma expansão repetitiva não detectada;
- há uma deleção, duplicação ou rearranjo estrutural difícil de identificar;
- a alteração está no DNA mitocondrial;
- a cobertura de determinada região foi insuficiente;
- uma variante foi inicialmente classificada como benigna ou incerta;
- a causa não é genética;
- o quadro clínico corresponde a outra doença que imita uma ataxia hereditária.
Por isso, “negativo” significa:
Este teste não encontrou uma alteração capaz de explicar o quadro com o conhecimento e o método utilizados.
Ele não significa:
Foi comprovado que não existe uma causa genética.

O que é uma VUS?
VUS é a sigla em inglês para variante de significado incerto.
Ela representa uma diferença no DNA cuja importância ainda não está clara.
Uma VUS pode posteriormente ser classificada como:
- benigna;
- provavelmente benigna;
- provavelmente patogênica;
- patogênica;
- ou continuar incerta.
Uma VUS não deve ser usada isoladamente para:
- confirmar uma doença;
- prever a evolução;
- testar parentes saudáveis como se o diagnóstico estivesse resolvido;
- tomar decisões reprodutivas definitivas;
- iniciar tratamentos de risco.
A interpretação depende da combinação de vários elementos:
- compatibilidade entre gene e sintomas;
- tipo de herança;
- frequência da variante na população;
- presença da variante em familiares afetados;
- ausência em familiares não afetados;
- estudos funcionais;
- relatos de outros pacientes;
- evolução do conhecimento científico.

Por que testar familiares pode ajudar?
O teste de familiares é chamado de estudo de segregação.
Imagine que uma variante seja encontrada em uma pessoa com ataxia. A interpretação pode ficar mais convincente quando a mesma variante aparece em vários familiares afetados e está ausente nos familiares saudáveis mais velhos.
O contrário também pode acontecer. Uma variante inicialmente suspeita pode ser encontrada em parentes saudáveis e deixar de parecer a causa mais provável.
No estudo com painel, a chance de diagnóstico foi maior quando existiam familiares disponíveis para comparação.
Isso não significa que todos os parentes devam ser testados imediatamente. A decisão precisa considerar:
- idade;
- presença ou ausência de sintomas;
- tipo de variante;
- padrão de herança;
- possíveis repercussões emocionais;
- consequências familiares e reprodutivas;
- direito da pessoa de não saber.
O resultado pode mudar depois de alguns anos?
A sequência do DNA geralmente permanece a mesma. O que muda é o conhecimento usado para interpretá-la.
No estudo do exoma, a reanálise dos 76 casos iniciais modificou a classificação de parte dos achados.
A proporção com variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas aumentou de 21% para 28%.
Ao mesmo tempo:
- algumas VUS foram reclassificadas como benignas;
- casos antes negativos passaram a ter uma variante reportável;
- variantes em genes diferentes se tornaram mais compatíveis com o quadro;
- análises estruturais encontraram alterações que o exame inicial não havia identificado.
Isso mostra que reanalisar não significa apenas “procurar novamente”. Significa interpretar os mesmos dados com novas informações.
O que um diagnóstico genético pode mudar?
Um resultado conclusivo pode:
- encerrar uma investigação longa;
- evitar repetição de exames pouco úteis;
- orientar exames de acompanhamento;
- identificar manifestações fora do sistema nervoso;
- esclarecer o padrão de herança;
- estimar riscos para familiares;
- permitir aconselhamento reprodutivo;
- facilitar acesso a estudos clínicos;
- direcionar tratamentos em algumas doenças específicas.
Entretanto, encontrar um gene não garante que exista uma terapia capaz de interromper a doença.
Em muitas ataxias, o principal benefício imediato é organizar o acompanhamento e reduzir a incerteza diagnóstica.
Um exemplo do dia a dia
Considere uma pessoa de 52 anos com desequilíbrio lentamente progressivo, fala arrastada e neuropatia.
Ninguém conhecido na família apresenta os mesmos sintomas.
Um exoma negativo não encerraria automaticamente a hipótese genética. Dependendo dos demais achados, ainda poderia ser necessário verificar:
- se expansões relacionadas a ataxias de início tardio foram pesquisadas;
- se o exame avaliou deleções e duplicações;
- se houve análise do DNA mitocondrial;
- se o fenótipo sugere um teste específico;
- se os dados podem ser reanalisados;
- se a ressonância ou o exame neurológico apontam para outra causa.
O raciocínio deve começar pelo paciente, não pelo nome do exame.
Checagem rápida antes de considerar a investigação concluída
Pergunte se é possível responder a estas questões:
- As causas adquiridas e potencialmente tratáveis foram investigadas?
- O teste incluiu as expansões relevantes para o quadro?
- O laboratório analisou deleções e duplicações?
- O DNA mitocondrial foi considerado quando indicado?
- Existem familiares que poderiam ajudar na interpretação?
- O laudo contém uma VUS tratada indevidamente como diagnóstico?
- Há recomendação de reanálise?
- O quadro clínico mudou desde o teste?
Quanto mais respostas estiverem indefinidas, maior a possibilidade de a investigação ainda estar incompleta.
O que vale perguntar ao médico?
- Meu quadro é realmente compatível com uma ataxia hereditária?
- Quais causas adquiridas ainda precisam ser excluídas?
- Já foram pesquisadas expansões genéticas?
- O exame realizado foi painel, exoma ou genoma?
- Quais tipos de alteração esse exame não detecta bem?
- O laboratório avaliou deleções e duplicações?
- O DNA mitocondrial foi analisado?
- O resultado encontrado é conclusivo ou é uma VUS?
- Testar meus pais, irmãos ou outros parentes ajudaria?
- Quando seria razoável solicitar uma reanálise?
- O diagnóstico mudaria meu acompanhamento ou tratamento?
- Há implicações para filhos e outros familiares?
FAQ
Medo
Um teste negativo significa que nunca terei um diagnóstico?
Não. Algumas causas podem ser descobertas com outro método ou após reanálise.
Por outro lado, também é possível que a causa continue sem identificação, mesmo após uma investigação extensa.
Um resultado genético positivo significa que meus filhos terão a doença?
Não necessariamente.
O risco depende do gene, do tipo de alteração e do padrão de herança. Formas dominantes, recessivas, ligadas ao X e mitocondriais têm riscos familiares diferentes.
A presença de uma mutação define a gravidade?
Não.
Pessoas com alterações semelhantes podem apresentar sintomas, idade de início e evolução diferentes.
Dia a dia
A ataxia pode ser genética sem histórico familiar?
Sim.
Isso pode acontecer em doenças recessivas, alterações novas, famílias pequenas, manifestação tardia ou sintomas não reconhecidos em parentes.
Devo montar uma árvore familiar?
Pode ser muito útil.
Registre dificuldades de marcha, fala, tremores, neuropatia, uso de cadeira de rodas, epilepsia, perda auditiva, alterações visuais e diagnósticos neurológicos, mesmo que os nomes utilizados na época fossem diferentes.
Preciso guardar o arquivo original do exame?
Sim.
Guarde o laudo completo e, quando possível, informações sobre o laboratório e a possibilidade de reanálise dos dados brutos.
Tratamento
Encontrar o gene significa que haverá um medicamento específico?
Nem sempre.
Algumas doenças possuem tratamento direcionado, mas muitas ainda são acompanhadas com reabilitação, controle de sintomas e prevenção de complicações.
Uma VUS pode justificar um tratamento experimental?
Não isoladamente.
A decisão exigiria evidências adicionais, compatibilidade clínica e avaliação especializada.
Futuro
Vale a pena reanalisar um exoma antigo?
Pode valer, principalmente quando o exame foi realizado há vários anos, o quadro evoluiu ou novos familiares foram avaliados.
O intervalo adequado depende do caso e da política do laboratório.
O sequenciamento do genoma sempre resolverá o caso?
Não.
Ele amplia a investigação, mas ainda existem limitações técnicas e dificuldades para interpretar alterações raras.
Ação
Quem deve interpretar o resultado?
Idealmente, um profissional com experiência em neurogenética, em conjunto com aconselhamento genético quando disponível.
A interpretação exige integrar o laudo ao exame neurológico, às imagens, à história familiar e aos demais testes.
Quando é necessário atendimento urgente?
Procure atendimento imediato quando o desequilíbrio surgir subitamente ou vier acompanhado de fraqueza, alteração da fala, perda de visão, confusão, dor de cabeça intensa, vômitos persistentes ou incapacidade súbita de caminhar.
Esses quadros podem ter causas agudas e não devem ser atribuídos automaticamente a uma ataxia hereditária.
Checklist de agência
Organize antes da consulta
- laudo genético completo;
- arquivos ou relatórios de exames anteriores;
- ressonâncias e respectivos laudos;
- lista atualizada de medicamentos;
- idade aproximada de início dos sintomas;
- evolução ao longo do tempo;
- informações neurológicas de parentes;
- histórico de consanguinidade, quando houver;
- resultados de avaliações metabólicas, imunológicas e nutricionais.
Confirme com a equipe
- qual tecnologia foi utilizada;
- quais expansões foram avaliadas;
- se houve análise de CNV;
- se o DNA mitocondrial foi incluído;
- se a variante é conclusiva ou incerta;
- se familiares devem ser testados;
- se existe possibilidade de reanálise;
- se o diagnóstico mudaria o acompanhamento.
O que não fazer sozinho
- não interpretar uma VUS como confirmação;
- não solicitar testes preditivos em familiares sem orientação;
- não iniciar suplementos ou dietas específicas com base apenas em uma variante;
- não interromper medicamentos;
- não abandonar a investigação de causas adquiridas;
- não usar exames recreativos de ancestralidade como substitutos da avaliação clínica.
Sinais de alerta
Busque avaliação urgente diante de:
- início súbito do desequilíbrio;
- nova fraqueza ou dormência de um lado;
- alteração súbita da fala;
- visão dupla ou perda visual aguda;
- dor de cabeça intensa e diferente do habitual;
- confusão ou redução do nível de consciência;
- vômitos persistentes;
- piora rápida em horas ou poucos dias;
- incapacidade súbita de permanecer em pé ou caminhar.
O que estes estudos NÃO provam
- Não provam que todas as ataxias sejam genéticas.
- Não provam que um painel específico seja sempre superior ao exoma ou ao genoma.
- Não permitem aplicar a mesma porcentagem de diagnóstico a todos os pacientes e laboratórios.
- Não demonstram que uma VUS seja responsável pelos sintomas.
- Não provam que um resultado negativo exclua uma causa genética.
- Não garantem que encontrar o gene mudará o tratamento.
- O chamado “teto de 50%” descreve os métodos e as coortes avaliados, não um limite definitivo da genética.
Bloco de segurança
⚕️ IMPORTANTE
• Este conteúdo resume estudos científicos e não substitui consulta médica.
• Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde.
• Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria.
• Cada pessoa é única — o que vale para os grupos estudados pode não valer para você.
Referências ABNT
GALATOLO, Daniele et al. NGS in hereditary ataxia: when rare becomes frequent. International Journal of Molecular Sciences, Basel, v. 22, n. 16, art. 8490, 2021. DOI: 10.3390/ijms22168490.
NGO, Kathie J. et al. A diagnostic ceiling for exome sequencing in cerebellar ataxia and related neurological disorders. Human Mutation, Hoboken, v. 41, n. 2, p. 487-501, 2020. DOI: 10.1002/humu.23946.
Assinatura
✍️ Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347
Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética
Hospital das Clínicas da FMUSP
📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP
🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com
🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes
📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro
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