Pés gelados e polineuropatia: quando a causa pode ser intolerância à glicose

summarizeResposta Rápida

Uma polineuropatia distal crônica com sensação de pés gelados pode ter várias causas, mas uma das causas tratáveis mais importantes é a alteração do metabolismo da glicose. O teste oral de tolerância à glicose pode revelar intolerância à glicose mesmo quando a hemoglobina glicada está normal.

personDr. Thiago G. Guimarães
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Publicado em 4 de julho de 2026

Entenda como investigar uma polineuropatia distal crônica com sensação de pés gelados e por que a intolerância à glicose pode explicar o quadro mesmo com hemoglobina glicada normal.

Diorama médico mostrando nervos periféricos dos pés, glicose no sangue e investigação neurológica de polineuropatia
Dr. Thiago G. Guimarães

Dr. Thiago G. Guimarães

CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.

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Ficha de classificação do estudo

Campo Conteúdo
Tipo de estudo Revisão prática com busca estruturada em literatura científica e diretrizes
Doença/tema Polineuropatia distal crônica, axonal, sensitiva predominante, associada a intolerância à glicose
População Adultos com sintomas sensitivos em pés, evolução lenta, eletroneuromiografia compatível com polineuropatia comprimento-dependente
Pergunta do estudo Este texto tentou descobrir como investigar, de forma segura e prática, uma polineuropatia sensitiva distal lentamente progressiva e por que a intolerância à glicose pode ser uma causa importante mesmo quando a hemoglobina glicada é normal.
Nível de evidência Moderada para investigação inicial; preliminar a moderada para a relação entre pré-diabetes/intolerância à glicose e neuropatia
Nível de ansiedade do público Moderado

Resposta curta

Pés gelados podem ser apenas uma sensação incômoda, mas também podem ser o primeiro sinal percebido de uma neuropatia periférica.

No caso usado como exemplo, a eletroneuromiografia mostrou uma polineuropatia distal, crônica, axonal e predominantemente sensitiva. Traduzindo: os nervos mais longos, principalmente os que chegam aos pés, estavam funcionando pior, de forma leve e lenta.

A conclusão da investigação foi intolerância à glicose, uma forma de alteração do metabolismo do açúcar que pode aparecer antes do diabetes. O ponto importante é que isso pode acontecer mesmo quando a hemoglobina glicada está normal.

Por isso, em um quadro assim, um exame ganha muita importância: o teste oral de tolerância à glicose, também chamado de curva glicêmica com 75 g de glicose.

Em 30 segundos

A polineuropatia distal simétrica é uma doença dos nervos periféricos que costuma começar nos pés.

Ela pode causar formigamento, dormência, queimação, sensação de frio, perda de sensibilidade vibratória e redução dos reflexos.

Nem toda polineuropatia significa doença grave ou progressiva. O risco depende da causa, da velocidade de piora, da presença de fraqueza e dos sinais no exame neurológico.

No caso usado como exemplo, havia três pistas importantes:

  • evolução lenta, por cerca de 3 anos;
  • sintomas sensitivos, sem fraqueza e sem atrofia muscular;
  • exame mostrando reflexos reduzidos e menor percepção de vibração nos membros inferiores.

A eletroneuromiografia confirmou um padrão leve, distal e axonal.

A investigação apontou para intolerância à glicose. Isso é importante porque é uma causa potencialmente modificável.

O que importa de verdade

Mensagem 1

  • Em 1 frase: Polineuropatia distal crônica deve ser investigada antes de ser chamada de idiopática.
  • Por que isso importa: algumas causas são tratáveis ou modificáveis, como alterações da glicose, deficiência de vitamina B12, excesso de vitamina B6, álcool, medicamentos, doença renal, alterações da tireoide e gamopatias.
  • A nuance: nem sempre se encontra uma causa clara, mesmo com boa investigação.

Mensagem 2

  • Em 1 frase: Hemoglobina glicada normal não exclui intolerância à glicose.
  • Por que isso importa: o teste oral de tolerância à glicose pode revelar alteração duas horas após a sobrecarga de glicose.
  • A nuance: intolerância à glicose não explica todos os casos de neuropatia, mas deve ser procurada quando o padrão clínico combina.

Mensagem 3

  • Em 1 frase: "Pés gelados" pode ser nervo, circulação ou os dois.
  • Por que isso importa: a conduta muda se o pé está realmente frio por problema vascular ou se a pessoa sente frio por alteração sensitiva.
  • A nuance: uma eletroneuromiografia alterada confirma neuropatia de fibras grossas, mas não avalia perfeitamente fibras finas nem circulação arterial.

Para quem este texto é útil?

Este texto é útil para pessoas que têm:

  • sensação de pés gelados;
  • dormência ou formigamento nos pés;
  • perda de sensibilidade nos membros inferiores;
  • reflexos diminuídos no exame neurológico;
  • eletroneuromiografia mostrando polineuropatia axonal;
  • glicemia de jejum alterada ou suspeita de pré-diabetes;
  • hemoglobina glicada normal, mas sintomas compatíveis com neuropatia.

Também é útil para familiares que querem entender por que o neurologista pede tantos exames antes de concluir a causa da neuropatia.

O que é isso, em linguagem simples?

A polineuropatia é uma alteração de vários nervos periféricos.

Os nervos periféricos são como fios que levam informações entre o corpo e o sistema nervoso central. Eles ajudam a sentir toque, dor, temperatura, vibração e posição dos pés.

Quando a polineuropatia é distal, ela começa nas partes mais distantes do corpo, geralmente nos pés.

Quando é comprimento-dependente, os nervos mais longos sofrem primeiro. É como uma rede elétrica em que os cabos mais longos começam a falhar antes.

Quando é axonal, a parte longa do nervo, chamada axônio, está sofrendo.

Quando é sensitiva predominante, os sintomas principais são de sensibilidade, e não de força.

Como isso aparece no dia a dia?

Uma pessoa com esse tipo de neuropatia pode dizer:

  • "meus pés parecem gelados";
  • "sinto a sola diferente";
  • "parece que piso em algodão";
  • "tenho formigamento nos pés";
  • "não sinto bem a vibração";
  • "meus reflexos sumiram";
  • "não tenho fraqueza, mas sinto algo estranho nos pés".

No caso usado como exemplo, o sintoma principal era sensação de pés gelados havia cerca de 3 anos, com piora lenta.

O exame neurológico não mostrava fraqueza nem atrofia dos músculos dos pés. Isso é uma pista de que a neuropatia era leve ou predominantemente sensitiva.

Mas havia sinais objetivos:

  • arreflexia global, ou seja, reflexos reduzidos ou ausentes;
  • hipopalestesia em membros inferiores, ou seja, redução da percepção de vibração;
  • alteração sensitiva mais evidente nos pés.

Como o estudo foi feito?

Este artigo não resume um único ensaio clínico.

Ele se baseia em uma revisão prática com busca estruturada da literatura sobre polineuropatia distal crônica, investigação etiológica e diagnóstico diferencial.

Foram considerados termos como:

  • distal symmetric polyneuropathy;
  • chronic idiopathic axonal polyneuropathy;
  • length-dependent polyneuropathy;
  • axonal sensory neuropathy;
  • impaired glucose tolerance;
  • oral glucose tolerance test;
  • small fiber neuropathy;
  • monoclonal gammopathy;
  • Sjögren neuropathy;
  • transthyretin amyloidosis;
  • RFC1 sensory neuropathy.

As bases-alvo da estratégia foram PubMed, Scopus e Embase.

Limitação importante: nesta interface, não há acesso institucional direto para auditoria completa de Scopus e Embase, contagem final de resultados, deduplicação e fluxograma PRISMA. Portanto, o texto deve ser entendido como revisão prática com busca estruturada e não como revisão sistemática formal.

O que a literatura ajuda a entender?

Diretrizes e revisões sobre polineuropatia distal simétrica destacam que alguns exames têm maior rendimento inicial.

Entre eles estão:

  • glicemia de jejum;
  • hemoglobina glicada;
  • vitamina B12, idealmente com ácido metilmalônico quando necessário;
  • eletroforese de proteínas e imunofixação;
  • função renal;
  • função hepática;
  • hemograma;
  • eletrólitos.

Quando há suspeita de alteração glicêmica, o teste oral de tolerância à glicose pode acrescentar informação importante.

No caso usado como exemplo, a pista metabólica era forte: glicemia de jejum alterada, esteatose hepática e HDL baixo. Mesmo com hemoglobina glicada normal, o teste oral de tolerância à glicose mostrou intolerância à glicose.

Ilustração médica do teste oral de tolerância à glicose em relação à hemoglobina glicada e nervos periféricos dos pés

Por que a intolerância à glicose pode causar neuropatia?

A intolerância à glicose é uma situação intermediária entre metabolismo normal da glicose e diabetes.

Ela significa que o corpo ainda consegue lidar parcialmente com o açúcar, mas não de forma ideal, especialmente após uma sobrecarga de glicose.

Em adultos não gestantes, o teste oral de tolerância à glicose costuma ser feito com 75 g de glicose. A glicemia é medida em jejum e depois de 2 horas.

De forma simplificada:

Resultado após 2 horas no TOTG 75 g Interpretação
Menor que 140 mg/dL Normal
140 a 199 mg/dL Intolerância à glicose
200 mg/dL ou mais Faixa de diabetes, se confirmado conforme critérios clínicos

A intolerância à glicose pode se associar a lesão dos nervos periféricos, especialmente em padrões sensitivos e de fibras finas. Isso não significa que toda pessoa com pré-diabetes terá neuropatia, nem que toda neuropatia leve seja causada por pré-diabetes.

Mas, quando o quadro clínico combina, investigar faz diferença.

Por que a hemoglobina glicada pode estar normal?

A hemoglobina glicada mostra uma média aproximada da glicose nos últimos meses.

Ela é útil, mas não enxerga tudo.

Algumas pessoas têm glicose de jejum pouco alterada ou picos de glicose após as refeições, mas hemoglobina glicada ainda dentro da faixa normal.

É aí que o teste oral de tolerância à glicose pode ajudar.

Ele funciona como um "teste de estresse" do metabolismo da glicose. Em vez de olhar apenas a glicose parada, ele observa como o corpo responde depois de receber uma carga padronizada de açúcar.

Como diferenciar sensação de frio de problema vascular?

A frase "meus pés são gelados" precisa ser investigada com cuidado.

Ela pode significar três coisas diferentes.

Situação O que sugere Como avaliar
A pessoa sente frio, mas o pé está quente ao toque Disestesia neuropática, ou seja, sensação anormal gerada pelo nervo Exame neurológico, eletroneuromiografia, avaliação de fibras finas se necessário
O pé está realmente frio, pálido ou arroxeado Possível problema de circulação Pulsos, cor, temperatura, enchimento capilar, índice tornozelo-braquial
Há mudança de cor, suor, edema ou intolerância ao frio Possível componente autonômico ou vasomotor Exame clínico, testes autonômicos quando indicados

Em pessoas com história de tabagismo, diabetes, colesterol alterado ou doença vascular, é importante não atribuir tudo à neuropatia sem examinar a circulação.

Três possibilidades para pés gelados: sensação neuropática, circulação e componente autonômico ou vasomotor

O que a eletroneuromiografia mostrou no exemplo?

A eletroneuromiografia é um exame que avalia a condução dos nervos e a atividade dos músculos.

No caso usado como exemplo, o padrão foi compatível com:

  • polineuropatia distal;
  • comprimento-dependente;
  • predominantemente sensitiva;
  • axonal;
  • leve;
  • mais evidente em membros inferiores;
  • sem sinais de desnervação ativa relevante.

Em linguagem simples: havia sofrimento leve dos nervos mais longos, principalmente os que chegam aos pés, sem sinal de agressão rápida ou destrutiva naquele momento.

Isso reduziu a suspeita de algumas causas mais agressivas, como vasculite ativa, doença do neurônio motor, radiculopatia ativa importante ou neuropatia inflamatória desmielinizante típica.

Quais causas precisam ser investigadas?

A investigação deve ser organizada por probabilidade e por impacto prático.

Causas comuns e tratáveis

  • diabetes;
  • pré-diabetes;
  • intolerância à glicose;
  • deficiência de vitamina B12;
  • deficiência de vitamina B1;
  • excesso de vitamina B6;
  • álcool;
  • doença renal;
  • doença hepática;
  • hipotireoidismo;
  • medicamentos neurotóxicos;
  • quimioterapia prévia.

Causas importantes porque mudam conduta

  • gamopatia monoclonal;
  • amiloidose AL;
  • amiloidose por transtirretina;
  • Sjögren;
  • doença celíaca ou sensibilidade ao glúten;
  • vasculite;
  • neuropatias hereditárias;
  • expansão no gene RFC1 em fenótipos selecionados.

Causas menos prováveis no padrão do exemplo

No caso apresentado, algumas causas ficaram menos prováveis porque o quadro era lento, simétrico, leve, sem fraqueza e sem dor intensa.

Mesmo assim, elas podem voltar à investigação se aparecerem sinais de alerta.

Quando pensar em Sjögren, amiloidose ou RFC1?

Nem todo paciente com neuropatia precisa fazer todos os testes raros logo no início.

Mas alguns sinais mudam a rota.

Sjögren

Pensar mais quando há:

  • olho seco;
  • boca seca;
  • dor articular;
  • fadiga importante;
  • fenômeno de Raynaud;
  • neuropatia dolorosa;
  • neuropatia não comprimento-dependente;
  • disautonomia;
  • exames autoimunes sugestivos.

Amiloidose

Pensar mais quando há:

  • perda de peso inexplicada;
  • queda de pressão ao levantar;
  • diarreia ou constipação importante sem explicação;
  • síndrome do túnel do carpo bilateral;
  • cardiomiopatia;
  • proteinúria;
  • história familiar;
  • progressão mais rápida.

RFC1

Pensar mais quando há:

  • tosse crônica inexplicada;
  • desequilíbrio progressivo;
  • oscilopsia, que é sensação de que o mundo balança ao mover a cabeça;
  • alteração vestibular bilateral;
  • ataxia sensitiva;
  • neuropatia sensitiva pura ou neuronopatia sensitiva.

O que isso muda na prática?

No caso usado como exemplo, a conclusão de intolerância à glicose muda a conversa.

Em vez de dizer apenas "é uma neuropatia idiopática", a investigação encontrou um alvo concreto.

Isso permite discutir:

  • alimentação;
  • peso;
  • atividade física;
  • sono;
  • controle metabólico;
  • risco cardiovascular;
  • acompanhamento com clínico, endocrinologista ou nutrólogo quando indicado;
  • repetição de exames conforme contexto;
  • tratamento sintomático se houver dor, queimação ou desconforto importante.

O objetivo não é prometer reversão total da neuropatia.

O objetivo é reduzir fatores que podem piorar os nervos, acompanhar evolução e evitar perder causas tratáveis.

O que vale perguntar ao médico?

Leve estas perguntas para a consulta:

  • Minha neuropatia é leve, moderada ou grave?
  • Ela é mais sensitiva ou motora?
  • A eletroneuromiografia sugere padrão axonal ou desmielinizante?
  • Há sinais de progressão rápida?
  • O teste oral de tolerância à glicose foi feito?
  • Minha hemoglobina glicada normal exclui pré-diabetes?
  • Preciso dosar B12 com ácido metilmalônico?
  • Uso algum remédio ou suplemento que pode piorar neuropatia?
  • Meus pés estão realmente frios ou é uma sensação neuropática?
  • Preciso avaliar circulação com índice tornozelo-braquial?
  • Há sinais para investigar amiloidose, Sjögren, doença celíaca ou genética?
  • O tratamento deve focar causa, sintomas ou ambos?

Teste rápido de agência

Este bloco não fecha diagnóstico, mas ajuda a organizar a conversa.

Marque os itens que se aplicam:

  • sinto pés gelados, mas eles parecem normais ao toque;
  • sinto pés realmente frios e com mudança de cor;
  • tenho formigamento ou queimação;
  • perdi sensibilidade na sola dos pés;
  • tenho tropeços ou desequilíbrio;
  • tenho fraqueza para levantar a ponta do pé;
  • perdi peso sem explicação;
  • tenho boca ou olhos muito secos;
  • tenho queda de pressão ao levantar;
  • tenho histórico familiar de neuropatia;
  • uso suplementos com vitamina B6;
  • já fiz quimioterapia;
  • tenho glicemia de jejum alterada;
  • minha hemoglobina glicada é normal, mas nunca fiz TOTG.

Quanto mais itens de alerta, mais importante é discutir investigação dirigida.

FAQ

Medo

Pés gelados significam que vou perder os movimentos?

Não necessariamente.

No exemplo deste artigo, não havia fraqueza nem atrofia muscular no exame. Isso sugere um quadro mais sensitivo do que motor.

Mesmo assim, a evolução precisa ser acompanhada.

Polineuropatia axonal é sempre grave?

Não.

"Axonal" descreve o tipo de alteração no nervo, não a gravidade por si só. A gravidade depende da causa, da velocidade de progressão e do impacto funcional.

Isso pode virar uma doença incapacitante?

Pode em algumas causas, mas não é o esperado em todo caso.

Quadros leves, simétricos e lentamente progressivos costumam ter comportamento menos agressivo do que neuropatias rápidas, dolorosas, assimétricas ou com fraqueza.

Dia a dia

Por que sinto frio se o pé não está frio?

Porque o nervo pode enviar uma informação distorcida ao cérebro.

Isso se chama disestesia, uma sensação anormal. O cérebro interpreta como frio, mesmo quando a pele não está realmente fria.

Caminhar ajuda?

Pode ajudar a saúde metabólica e vascular, mas deve ser adaptado à segurança da pessoa.

Se houver perda de sensibilidade, dor, risco de queda ou feridas nos pés, o plano de exercício deve ser orientado.

Preciso olhar meus pés todos os dias?

É uma boa prática quando há perda de sensibilidade.

A pessoa pode machucar o pé e demorar para perceber. Olhar a pele, unhas, calçados e pontos de pressão ajuda a prevenir feridas.

Tratamento

Tratar a intolerância à glicose melhora a neuropatia?

Pode ajudar a reduzir risco de progressão e melhorar sintomas em algumas pessoas, mas não há garantia de reversão completa.

O mais importante é tratar o metabolismo como parte do cuidado neurológico e cardiovascular.

Pregabalina, duloxetina ou gabapentina tratam a causa?

Não.

Esses medicamentos podem ajudar sintomas como dor, queimação ou desconforto neuropático, mas não corrigem a causa da neuropatia.

Preciso tomar vitamina B12 mesmo com B12 normal?

Não automaticamente.

A decisão depende do valor, dos sintomas, do ácido metilmalônico, da dieta, do uso de medicamentos e do contexto clínico.

Futuro

Quando repetir a eletroneuromiografia?

Quando há piora clínica, surgimento de fraqueza, mudança de padrão ou necessidade de comparar evolução.

Não é obrigatório repetir em intervalos curtos se o quadro está estável.

Quando investigar genética?

Quando há história familiar, início precoce, deformidades nos pés, ataxia, tosse crônica inexplicada, alteração vestibular ou padrão sensitivo incomum.

Ação

Qual exame foi decisivo no exemplo?

O teste oral de tolerância à glicose.

Ele mostrou intolerância à glicose, mesmo com hemoglobina glicada normal.

Como pedir o teste oral de tolerância à glicose?

Uma forma clara de solicitar é:

Teste oral de tolerância à glicose - TOTG 75 g. Solicito curva glicêmica com 75 g de glicose anidra, com dosagens de glicemia nos tempos 0 e 120 minutos. Indicação: investigação etiológica de polineuropatia distal sensitiva crônica, com suspeita de disglicemia/intolerância à glicose.

Checklist de agência

Sinais de alerta

Procure avaliação médica se houver:

  • fraqueza nova;
  • queda do pé;
  • piora rápida em semanas ou poucos meses;
  • dor intensa e assimétrica;
  • perda de peso inexplicada;
  • desmaios ou queda importante de pressão;
  • feridas nos pés;
  • alteração de cor importante;
  • pé realmente frio e pálido;
  • perda de controle urinário nova;
  • dormência subindo rapidamente;
  • assimetria clara entre os lados.

Perguntas para consulta

  • Minha neuropatia é compatível com intolerância à glicose?
  • O TOTG foi necessário mesmo com hemoglobina glicada normal?
  • Preciso investigar fibras finas?
  • Preciso avaliar circulação dos pés?
  • Há algum suplemento ou remédio que devo revisar?
  • Existe sinal de neuropatia inflamatória?
  • Existe sinal de amiloidose, Sjögren ou doença genética?
  • Como vamos acompanhar a evolução?

Hábitos apoiados por evidência geral

Converse com seu médico sobre:

  • atividade física regular;
  • perda de peso quando indicada;
  • alimentação com menor carga glicêmica;
  • tratamento de apneia do sono quando presente;
  • redução de álcool;
  • cessação de tabagismo;
  • controle de pressão, colesterol e glicose;
  • cuidado diário com os pés.

O que não fazer sozinho

  • não iniciar suplementos em altas doses sem orientação;
  • não usar vitamina B6 em dose alta por conta própria;
  • não interromper medicamentos prescritos sem discutir;
  • não atribuir todo pé frio à neuropatia sem avaliar circulação;
  • não ignorar fraqueza nova.

Quando buscar ajuda urgente

Busque atendimento rápido se houver:

  • fraqueza súbita;
  • perda abrupta da marcha;
  • dor intensa com pé frio e pálido;
  • ferida infectada no pé;
  • perda de controle urinário com dormência progressiva;
  • sintomas neurológicos focais, como fala enrolada, assimetria facial ou perda de força de um lado do corpo.

O que este estudo/guia NÃO prova

  • Não prova que toda sensação de pés gelados seja neuropatia.
  • Não prova que toda polineuropatia distal seja causada por intolerância à glicose.
  • Não garante que tratar pré-diabetes reverta completamente os sintomas.
  • Não substitui avaliação individual, exame neurológico e interpretação da eletroneuromiografia.
  • Não elimina a necessidade de investigar outras causas quando houver sinais de alerta.

Bloco de segurança

IMPORTANTE

  • Este conteúdo resume literatura científica e não substitui consulta médica.
  • Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde.
  • Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria.
  • Cada pessoa é única: o que vale para um caso pode não valer para você.

Referência ABNT

ENGLAND, J. D. et al. Practice parameter: evaluation of distal symmetric polyneuropathy: role of laboratory and genetic testing. Neurology, v. 72, n. 2, p. 185-192, 2009. DOI: 10.1212/01.wnl.0000336370.51010.a1.

HOFFMAN-SNYDER, C. et al. Value of the oral glucose tolerance test in the evaluation of chronic idiopathic axonal polyneuropathy. Archives of Neurology, v. 63, n. 8, p. 1075-1079, 2006. DOI: 10.1001/archneur.63.8.noc50336.

MIRIAN, A. et al. Diagnosis and management of patients with polyneuropathy. CMAJ, v. 195, n. 6, p. E227-E233, 2023. DOI: NR.

AMERICAN DIABETES ASSOCIATION PROFESSIONAL PRACTICE COMMITTEE. Diagnosis and classification of diabetes: Standards of Care in Diabetes - 2026. Diabetes Care, v. 49, Suppl. 1, p. S27-S49, 2026. DOI: NR.

LAURIA, G. et al. European Federation of Neurological Societies/Peripheral Nerve Society guideline on the use of skin biopsy in the diagnosis of small fiber neuropathy. European Journal of Neurology, v. 17, n. 7, p. 903-912, 2010. DOI: 10.1111/j.1468-1331.2010.03023.x.

TAGLIAPIETRA, M. et al. RFC1 AAGGG repeat expansion masquerading as chronic idiopathic axonal polyneuropathy. Journal of Neurology, v. 268, p. 4280-4290, 2021. DOI: NR.

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