Ataxia sensitiva na CIDP: quando a perda de equilíbrio vem dos nervos, não do cerebelo
Na CIDP, a dificuldade para andar pode vir da perda de sensibilidade profunda, e não de um problema no cerebelo. Quando a ataxia vem junto com tremor, paraproteína IgM ou má resposta à imunoglobulina, o médico deve considerar subtipos como anti-MAG, nodopatias autoimunes e CANOMAD.
Publicado em 19 de junho de 2026
Entenda por que algumas pessoas com CIDP têm desequilíbrio por perda de sensibilidade profunda, quais subtipos precisam de investigação específica e quando a resposta à imunoglobulina pode não ser a esperada.


Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.

Resposta curta
Na CIDP, a dificuldade para andar pode acontecer porque os nervos das pernas deixam de enviar corretamente ao cérebro a informação de posição dos pés. Isso se chama ataxia sensitiva: a pessoa não perde o equilíbrio porque o cerebelo está necessariamente doente, mas porque o cérebro fica “sem mapa” do corpo.
Esse detalhe muda muito a investigação. Algumas formas de CIDP respondem bem à imunoglobulina intravenosa. Outras condições parecidas, como neuropatia anti-MAG, CANOMAD e algumas nodopatias autoimunes, podem responder mal à imunoglobulina e exigir exames e tratamentos diferentes.
A mensagem principal é simples: quando há desequilíbrio por perda de sensibilidade, tremor, paraproteína IgM ou pouca melhora com imunoglobulina, vale revisar o diagnóstico com cuidado.
Em 30 segundos
A CIDP é uma neuropatia imunomediada, ou seja, uma doença em que o sistema de defesa participa de uma inflamação dos nervos periféricos. Ela pode causar fraqueza, dormência, formigamento, perda de reflexos e dificuldade para caminhar.
Em alguns pacientes, o sintoma mais marcante não é a fraqueza, mas o desequilíbrio. A pessoa pisa forte, olha muito para o chão, piora no escuro e pode cair ao fechar os olhos. Isso costuma acontecer por perda da sensibilidade profunda, que é a capacidade de perceber a posição dos pés e das pernas sem precisar olhar.
A revisão mostra que essa ataxia sensitiva pode aparecer em vários cenários:
- CIDP sensitiva;
- CIDP sensitiva-predominante;
- CISP ou CISMP;
- nodopatias autoimunes;
- neuropatia anti-MAG;
- CANOMAD ou CANDA;
- outras neuropatias que imitam CIDP.
O ponto prático é: nem toda “CIDP com ataxia” é igual. O subtipo muda exames, prognóstico e tratamento.
O que importa de verdade
Mensagem 1
- Em 1 frase: Ataxia na CIDP costuma ser sensitiva, não cerebelar.
- Por que isso importa: Isso muda o foco do exame: o médico precisa avaliar sensibilidade profunda, vibração, posição dos dedos, reflexos e marcha, não apenas coordenação cerebelar.
- A nuance: Uma pessoa pode ter desequilíbrio importante mesmo sem lesão no cerebelo.
Mensagem 2
- Em 1 frase: Ataxia com tremor pode ser uma pista de subtipos específicos.
- Por que isso importa: Tremor associado a ataxia sensitiva pode sugerir neuropatia anti-MAG ou nodopatias autoimunes, como anti-NF155.
- A nuance: Tremor não fecha diagnóstico sozinho, mas ajuda a escolher exames.
Mensagem 3
- Em 1 frase: Má resposta à imunoglobulina deve fazer o diagnóstico ser revisto.
- Por que isso importa: Algumas doenças parecidas com CIDP respondem mal à imunoglobulina e podem exigir outra estratégia.
- A nuance: Falhar à imunoglobulina não significa que “não há tratamento”; pode significar que o subtipo ainda não foi identificado.
Para quem este texto é útil?
Este texto é útil para pessoas que receberam diagnóstico ou suspeita de:
- CIDP;
- polineuropatia inflamatória desmielinizante crônica;
- neuropatia periférica imunomediada;
- ataxia sensitiva;
- neuropatia anti-MAG;
- neuropatia associada a paraproteína;
- CISP;
- CANOMAD;
- nodopatia autoimune.
Também é útil para familiares de pessoas que começaram a cair, andar olhando para o chão ou piorar muito no escuro.
O que é isso, em linguagem simples?
Pense nos nervos das pernas como cabos que levam mensagens dos pés até o cérebro.
Esses cabos não servem apenas para sentir dor, calor ou formigamento. Eles também informam ao cérebro onde os pés estão, qual é a posição dos dedos, se o chão está firme e se o corpo está inclinado.
Essa informação se chama propriocepção. Em linguagem simples: é o “GPS interno” do corpo.
Quando a CIDP ou uma doença parecida afeta fibras nervosas grossas, o cérebro perde parte desse GPS. A pessoa pode ter força razoável, mas andar como se o chão estivesse instável.
Isso é a ataxia sensitiva.

Como isso aparece no dia a dia?
A ataxia sensitiva pode aparecer de formas bem concretas:
- a pessoa bate o pé no chão com força;
- precisa olhar para os pés ao caminhar;
- piora muito no escuro;
- sente insegurança no banho;
- tem dificuldade em terrenos irregulares;
- cai ao virar rápido;
- desequilibra ao fechar os olhos;
- usa parede, móveis ou corrimão para se orientar;
- sente dormência, formigamento ou “pé de algodão”;
- pode ter tremor junto com a instabilidade.
Um teste comum no consultório é o Romberg. O paciente fica em pé, com os pés juntos. Se piora muito ao fechar os olhos, isso sugere que a visão estava compensando uma falha da sensibilidade profunda.
Esse teste não deve ser feito sozinho em casa se houver risco de queda.
Como o estudo foi feito?
O documento-base é uma revisão narrativa. Isso significa que ele não é um único ensaio clínico com pacientes sorteados para tratamentos diferentes.
Ele reuniu e organizou informações de diferentes fontes científicas sobre:
- guideline EAN/PNS 2021 de CIDP;
- revisões sobre neuropatias imunomediadas;
- revisões sobre nodopatias autoimunes;
- revisões sobre neuropatias paraproteinêmicas;
- estudos sobre medidas de desfecho em CIDP;
- diferenciais que imitam CIDP.
A força da evidência varia conforme o ponto discutido. A classificação geral da CIDP é mais bem sustentada. Já algumas condições raras, como CISP, CANOMAD e certas nodopatias, ainda dependem de séries de casos, revisões e experiência acumulada.
O que o estudo encontrou?
A revisão organiza uma ideia central: ataxia sensitiva em CIDP não deve ser tratada como um detalhe menor.
Ela pode indicar subtipos diferentes.
| Situação clínica | O que pode sugerir | Por que importa |
|---|---|---|
| Ataxia com perda de vibração e posição | CIDP sensitiva ou sensitiva-predominante | Pode responder à imunoterapia |
| Ataxia com eletroneuromiografia normal | CISP ou CISMP | Pode exigir PESS, líquor e imagem de raízes |
| Ataxia com tremor | Anti-MAG ou nodopatia autoimune | Pode mudar exames e tratamento |
| Ataxia com paraproteína IgM | Anti-MAG, CANOMAD ou outra neuropatia paraproteinêmica | A resposta à IVIg pode ser diferente |
| Ataxia com má resposta à IVIg | Anti-MAG ou nodopatia autoimune | Pode justificar reclassificação diagnóstica |
| Ataxia não comprimento-dependente | Ganglionopatia sensitiva | Pode exigir investigação de Sjögren, câncer ou autoimunidade |

CIDP sensitiva: quando o problema principal é a sensibilidade
Na CIDP sensitiva, o paciente pode ter pouca ou nenhuma fraqueza no exame. O problema principal é a perda de informações sensitivas.
A pessoa pode dizer:
“Minhas pernas têm força, mas eu não confio nelas.”
Esse relato é muito típico. A força pode até estar relativamente preservada, mas o cérebro não recebe bem os dados de posição.
Quando há alterações motoras na eletroneuromiografia, mesmo sem fraqueza evidente, o termo pode ser CIDP sensitiva-predominante. Isso significa que a sensibilidade domina o quadro, mas já existe sinal de envolvimento motor nos exames.
A revisão destaca que parte dos pacientes com forma sensitiva pode desenvolver fraqueza ao longo do tempo. Por isso, o acompanhamento clínico e eletrofisiológico é importante.
CISP: quando a eletroneuromiografia pode vir normal
A CISP é uma situação especial.
A sigla significa polirradiculopatia sensitiva imune crônica. Em termos simples: uma inflamação crônica das raízes sensitivas, que são as “entradas” dos nervos na medula.
Nesse caso, a eletroneuromiografia comum pode vir normal, porque o problema está mais perto da medula, antes da parte do nervo que o exame costuma medir melhor.
Por isso, em um paciente com ataxia sensitiva clara e eletroneuromiografia normal, o médico pode considerar outros exames, como:
- potenciais evocados somatossensitivos: exame que avalia se o sinal sensitivo chega adequadamente ao sistema nervoso;
- avaliação do líquor;
- imagem de raízes nervosas;
- revisão detalhada da história clínica.
A mensagem prática é: eletroneuromiografia normal não exclui toda neuropatia imune tratável.
Nodopatias autoimunes: quando parece CIDP, mas não se comporta como CIDP típica
As nodopatias autoimunes são doenças em que anticorpos atacam regiões muito específicas do nervo, chamadas nó e paranó.
Essas regiões funcionam como pontos de conexão que ajudam o impulso elétrico a passar de forma rápida e organizada.
Alguns anticorpos associados são:
- anti-NF155;
- anti-CNTN1;
- anti-Caspr1;
- pan-neurofascina.
Essas condições podem parecer CIDP nos exames, mas muitas vezes têm comportamento diferente.
Pistas importantes incluem:
- ataxia sensitiva marcante;
- tremor;
- início mais rápido;
- dano axonal precoce;
- proteína muito elevada no líquor em alguns casos;
- envolvimento de nervos cranianos em alguns subtipos;
- resposta ruim à imunoglobulina em vários pacientes.
Aqui está uma diferença prática importante: em algumas nodopatias, a imunoglobulina pode funcionar mal, e tratamentos voltados para células B, como rituximab, podem ser considerados por especialistas em casos selecionados.
Isso não significa que todo paciente com CIDP deva receber rituximab. Significa que o subtipo precisa ser bem definido.
Neuropatia anti-MAG: uma grande imitadora da CIDP
A neuropatia anti-MAG é uma neuropatia associada, em geral, a uma proteína monoclonal IgM.
Ela costuma causar:
- perda sensitiva distal;
- desequilíbrio;
- marcha instável;
- tremor;
- evolução lenta;
- alterações específicas na condução nervosa.
A revisão reforça um ponto crítico: anti-MAG não deve ser tratada como CIDP típica. Ela costuma responder mal à imunoglobulina e aos corticoides.
Por isso, quando um paciente tem ataxia sensitiva, tremor e paraproteína IgM, a pesquisa de anti-MAG pode ser decisiva.
Na prática, encontrar anti-MAG muda a conversa. O médico passa a pensar em uma neuropatia paraproteinêmica específica, muitas vezes acompanhada em conjunto com hematologia.
CANOMAD e CANDA: nomes difíceis, ideia importante
CANOMAD é uma sigla longa para uma condição rara. Em linguagem simples, é uma neuropatia crônica em que a ataxia sensitiva pode vir junto com alterações nos movimentos dos olhos, proteína monoclonal e anticorpos contra gangliosídeos.
O nome técnico completo envolve:
- neuropatia atáxica crônica;
- oftalmoplegia;
- proteína M;
- aglutininas frias;
- anticorpos anti-dissialosil.
A forma incompleta, associada a anticorpos anti-dissialosil, pode ser chamada de CANDA.
O ponto importante para o paciente não é decorar a sigla. É entender que existem neuropatias raras que parecem CIDP, mas exigem exames específicos. Algumas podem responder à imunoglobulina ou ao rituximab, dependendo do caso.
O que isso muda na prática?
Muda principalmente a forma de pensar o diagnóstico.
Quando o paciente tem CIDP com desequilíbrio importante, o médico não deve apenas perguntar: “É CIDP ou não é?”
A pergunta mais útil pode ser:
“Que tipo de neuropatia imunomediada está causando essa ataxia?”
Essa mudança leva a uma investigação mais precisa.
Exames que podem entrar na conversa médica
Dependendo do caso, o neurologista pode considerar:
- eletroneuromiografia completa;
- estudo motor e sensitivo;
- potenciais evocados somatossensitivos;
- líquor;
- ressonância de raízes ou plexos;
- eletroforese de proteínas;
- imunofixação sérica e urinária;
- cadeias leves livres;
- anticorpos anti-MAG;
- anticorpos anti-GD1b ou anti-GQ1b;
- anticorpos nodais e paranodais;
- investigação de Sjögren, neoplasia ou outras causas quando houver pistas.
Nem todos esses exames são necessários para todas as pessoas. O valor está em escolher com lógica, conforme o padrão clínico.

Um exemplo do dia a dia
Imagine uma pessoa que começou a andar insegura. Ela não sente tanta fraqueza, mas tropeça, piora no escuro e precisa olhar para os pés. A eletroneuromiografia mostra uma neuropatia desmielinizante. O diagnóstico inicial é CIDP.
Se ela melhora bem com imunoglobulina, isso apoia uma neuropatia imunomediada responsiva.
Mas imagine outro cenário: além da ataxia, ela tem tremor importante, uma paraproteína IgM no sangue e quase nenhuma melhora com imunoglobulina. Nesse caso, o médico precisa pensar em anti-MAG, CANOMAD ou nodopatia autoimune.
A diferença não é acadêmica. Ela muda o caminho.
Teste rápido de compreensão
Este bloco não é diagnóstico. Ele serve para organizar a conversa com o médico.
Marque mentalmente o que acontece com você ou com seu familiar:
- piora ao fechar os olhos;
- piora no escuro;
- precisa olhar para os pés;
- sente o chão “estranho”;
- tem dormência importante;
- bate o pé no chão ao andar;
- tem tremor junto;
- tem quedas;
- teve pouca resposta à imunoglobulina;
- apareceu proteína monoclonal em exames de sangue.
Quanto mais itens estiverem presentes, mais importante é discutir com o neurologista se a ataxia é sensitiva e se há necessidade de investigação de subtipo.
Não faça testes de equilíbrio sozinho se houver risco de queda.
O que vale perguntar ao médico?
Você pode levar perguntas objetivas para a consulta:
- Minha dificuldade de marcha parece mais sensitiva ou cerebelar?
- Tenho perda de propriocepção ou vibração?
- O Romberg é positivo?
- Minha eletroneuromiografia mostra padrão compatível com CIDP?
- Existe sinal de forma sensitiva ou sensitiva-predominante?
- A possibilidade de CISP faz sentido no meu caso?
- Há indicação de pesquisar paraproteína IgM?
- Anti-MAG foi considerado?
- Devo pesquisar anticorpos nodais ou paranodais?
- Minha resposta à imunoglobulina foi objetiva ou apenas subjetiva?
- Que escala ou medida será usada para acompanhar melhora?
- Preciso de fisioterapia focada em equilíbrio e prevenção de quedas?
Como medir melhora sem depender só da impressão?
A revisão lembra que medir resposta em CIDP pode ser difícil, especialmente quando o problema principal é sensitivo.
Algumas escalas medem força e incapacidade, mas podem capturar mal a ataxia sensitiva isolada.
Ferramentas usadas em CIDP incluem:
| Medida | O que ajuda a avaliar |
|---|---|
| INCAT ou ONLS | Incapacidade em braços e pernas |
| I-RODS | Função nas atividades do dia a dia |
| MRC sum score | Força muscular |
| Preensão manual | Força distal |
| Testes de marcha e equilíbrio | Segurança ao caminhar, levantar e virar |
| Romberg e exame sensitivo | Dependência da visão para manter equilíbrio |
Na prática, é útil ter uma linha de base. Ou seja: medir antes do tratamento e repetir depois. Isso ajuda a saber se houve melhora real.
FAQ
Medo
Ataxia sensitiva é sinal de doença grave?
Pode ser sinal de uma neuropatia importante, mas nem sempre significa doença sem tratamento. Em alguns casos, a causa é imunomediada e pode melhorar com tratamento. O ponto essencial é identificar o subtipo corretamente.
Isso quer dizer que meu cerebelo está doente?
Não necessariamente. Na ataxia sensitiva, o problema principal está nos nervos que levam informação dos pés e pernas ao cérebro. O cerebelo pode estar normal.
Vou parar de andar?
Não dá para prever isso apenas pelo nome da doença. O risco depende da causa, da gravidade, da resposta ao tratamento, do tempo de doença e da prevenção de quedas. A avaliação individual é indispensável.
Dia a dia
Por que eu pioro tanto no escuro?
Porque a visão ajuda a compensar a perda da sensibilidade profunda. Quando falta luz, o cérebro perde uma fonte importante de orientação.
Por que eu preciso olhar para os pés?
Porque o cérebro não recebe bem a informação automática de posição dos pés. Olhar para baixo vira uma estratégia de compensação.
Fisioterapia ajuda?
Pode ajudar muito na segurança, no treino de equilíbrio, na força, na adaptação da marcha e na prevenção de quedas. Ela não substitui o tratamento da causa, mas costuma ser parte importante do cuidado.
Tratamento
Imunoglobulina funciona para CIDP com ataxia?
Pode funcionar, especialmente em CIDP típica, sensitiva ou sensitiva-predominante. Mas algumas condições parecidas, como anti-MAG e certas nodopatias autoimunes, podem responder mal.
Rituximab é sempre indicado?
Não. Rituximab pode ser considerado em alguns subtipos específicos, como certas nodopatias autoimunes ou neuropatias paraproteinêmicas, mas não é tratamento automático para todo paciente com CIDP.
Corticoide pode ser usado?
Em algumas formas de CIDP, pode ser uma opção. Mas a escolha depende do subtipo, das comorbidades, dos riscos e do plano do neurologista.
Futuro
A CIDP sensitiva pode virar uma forma com fraqueza?
Pode acontecer em parte dos pacientes. Por isso, o seguimento clínico e, às vezes, a repetição de eletroneuromiografia podem ser importantes.
Se a imunoglobulina não funcionou, acabou a possibilidade de tratamento?
Não. A falta de resposta pode indicar que o diagnóstico precisa ser refinado. Às vezes, o problema é outro subtipo de neuropatia imunomediada.
Ação
Que informação devo levar para a consulta?
Leve histórico de quedas, evolução dos sintomas, resposta a tratamentos prévios, exames de sangue, eletroneuromiografia, líquor, ressonâncias e uma lista dos medicamentos usados.
Quando procurar ajuda urgente?
Procure ajuda urgente se houver piora rápida da força, falta de ar, engasgos importantes, quedas repetidas, confusão, dor intensa nova ou perda súbita de função.
Checklist de agência
Sinais de alerta para discutir rapidamente
- piora rápida da marcha;
- quedas frequentes;
- fraqueza progressiva;
- dormência subindo pelas pernas;
- engasgos;
- falta de ar;
- dor neuropática intensa nova;
- perda de peso inexplicada;
- alteração urinária ou intestinal importante;
- tremor novo junto com ataxia;
- pouca resposta a tratamento previamente considerado adequado.
Perguntas para a consulta
- Minha ataxia parece sensitiva?
- Há sinais de CIDP típica ou variante?
- Existe suspeita de anti-MAG?
- Existe paraproteína IgM?
- Devo investigar anticorpos nodais ou paranodais?
- A resposta à imunoglobulina foi medida de forma objetiva?
- Como vamos acompanhar melhora?
- Qual é meu plano de prevenção de quedas?
Hábitos e medidas úteis
- usar iluminação adequada à noite;
- retirar tapetes soltos;
- instalar barras de apoio quando necessário;
- usar calçado firme;
- evitar caminhar no escuro;
- fazer fisioterapia orientada;
- revisar medicamentos que aumentem sonolência ou tontura;
- manter acompanhamento regular.
O que não fazer sozinho
- não iniciar imunoglobulina por conta própria;
- não suspender imunoglobulina sem orientação;
- não usar corticoide sem plano médico;
- não iniciar imunossupressores por conta própria;
- não fazer testes de equilíbrio sem proteção se houver risco de queda;
- não atribuir toda queda apenas à idade.
Quando buscar ajuda urgente
Busque atendimento urgente se a piora for rápida, se houver falta de ar, dificuldade para engolir, queda com trauma, fraqueza importante nova, confusão mental ou perda súbita de função.
O que este estudo/guia NÃO prova
- Não prova que toda pessoa com ataxia e CIDP tenha anti-MAG, CANOMAD ou nodopatia autoimune.
- Não prova que todo paciente com má resposta à imunoglobulina deva usar rituximab.
- Não substitui a avaliação clínica, a eletroneuromiografia e os exames laboratoriais individualizados.
- Não garante que a melhora do equilíbrio ocorrerá em todos os casos.
- Não define um único protocolo para todos os pacientes, porque os subtipos têm respostas diferentes.
Bloco de segurança
⚕️ IMPORTANTE • Este conteúdo resume um estudo científico e não substitui consulta médica. • Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde. • Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria. • Cada pessoa é única — o que vale para o grupo do estudo pode não valer para você.
Referência ABNT
REVISÃO narrativa baseada em corpus fornecido. Ataxia sensitiva na CIDP e suas variantes: revisão dos subtipos clínico-imunológicos. Junho de 2026. Documento técnico interno baseado em: Van den Bergh PYK et al., guideline EAN/PNS 2021; revisões sobre neuropatias imunomediadas, nodopatias autoimunes, neuropatias paraproteinêmicas e desfechos em CIDP. DOI: NR.
Assinatura
✍️ Dr. Thiago G. Guimarães CRM-SP 178.347 Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética Hospital das Clínicas da FMUSP
📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP 🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com 🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes 📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta médica.
Artigos Relacionados
Selecionamos outros conteúdos sobre o mesmo tema para aprofundar a leitura de forma prática e organizada.

Ganglionopatia sensitiva: quando o formigamento não segue o padrão comum
Entenda, em linguagem simples, o que é ganglionopatia sensitiva, por que ela exige investigação dirigida e quais perguntas levar ao neurologista.

Rituximabe na CIDP: o que esta revisão sugere para casos difíceis
Uma revisão sistemática com meta-análise sugere que o rituximabe pode ajudar parte dos pacientes com CIDP, sobretudo em casos refratários e em pessoas com certos anticorpos, mas ainda faltam estudos mais fortes.

Neuropatia por falta de vitaminas: quando formigamento, dor e desequilíbrio vêm da nutrição
Entenda como deficiências de vitaminas B12, B1, B6, B9, B2 e vitamina E podem causar neuropatia periférica, formigamento, dor, fraqueza e desequilíbrio.

Rituximabe na nodopatia autoimune: o que este estudo realmente sugere
Entenda o que um estudo de centro único sugere sobre rituximabe na nodopatia autoimune, uma neuropatia rara ligada a anticorpos nodais e paranodais.
Agende sua Consulta
Discuta seu caso com o Dr. Thiago G. Guimarães, neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Atendimento presencial em São Paulo ou por telemedicina.
📍 Consultório: R. Cristiano Viana, 328 - Conj. 201, Pinheiros, São Paulo/SP