Distúrbios do Movimento na Neuromielite Óptica: O Que Sabemos Até Agora?

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Publicado em 1 de abril de 2026

Uma revisão sistemática com 1.751 pacientes revelou que até 4 em cada 10 pessoas com neuromielite óptica apresentam distúrbios do movimento, como espasmos dolorosos e ataxia. Entenda o que isso significa e o que perguntar ao seu médico.

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Se você busca acompanhamento neurológico para neuromielite óptica, sintomas motores, espasmos dolorosos ou revisão diagnóstica, conheça a página clínica dedicada.

Dr. Thiago G. Guimarães

Dr. Thiago G. Guimarães

CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.

Distúrbios do Movimento na Neuromielite Óptica: O Que Sabemos Até Agora?

Em 30 segundos

Se você convive com neuromielite óptica e já notou espasmos musculares dolorosos, dificuldade de equilíbrio ou movimentos involuntários, saiba que esses sintomas são mais comuns do que muita gente imagina.

Uma revisão sistemática publicada no Movement Disorders Clinical Practice reuniu 96 estudos com 1.751 pacientes com NMOSD. O principal achado foi que cerca de 4 em cada 10 pacientes apresentaram algum distúrbio do movimento. Os mais frequentes foram espasmos tônicos e distonia paroxística, com prevalência estimada de 39 em cada 100, seguidos por ataxia, em cerca de 26 em cada 100. Ainda assim, os estudos eram muito heterogêneos e, em sua maioria, pequenos.

O que este estudo não prova?

Qual foi a pergunta do estudo?

Os autores buscaram responder duas perguntas principais:

  1. quais distúrbios do movimento já foram descritos em pacientes com NMOSD;
  2. com que frequência esses sintomas aparecem.

Essa pergunta é importante porque muitos desses sintomas, como espasmos dolorosos, tremor e desequilíbrio, podem passar despercebidos ou ser atribuídos apenas à fraqueza e à espasticidade.

Como o estudo foi feito?

Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática seguindo diretrizes PRISMA e buscaram estudos em grandes bases de dados até julho de 2024.

AspectoDetalhe
Estudos encontrados inicialmente5.441
Estudos incluídos96
Total de pacientes1.751
Pacientes com distúrbios do movimento487
Tipo predominante de estudoRelatos e séries de caso
Critério diagnósticoConsenso internacional de NMOSD de 2015

Quando havia estudos suficientes sobre um mesmo sintoma, os autores fizeram meta-análise de prevalência.

O que foi encontrado?

Os distúrbios do movimento descritos foram variados, mas alguns apareceram com muito mais frequência do que outros.

Distúrbio do movimentoPrevalência estimadaFaixa provávelPacientes
Espasmos tônicos / distonia paroxística39 em cada 10023 a 55 em cada 100241
Síndrome das pernas inquietas32 em cada 1000 a 72 em cada 10073
Ataxia26 em cada 1009 a 42 em cada 100152
Tremor3 em cada 1000 a 6 em cada 10012
Distonia fixaRara10
MiocloniasRara6
ParkinsonismoRara2
CoreiaRara2

Espasmos tônicos e distonia paroxística

Foram os achados mais frequentes. Em geral, envolviam membros inferiores, eram dolorosos e podiam causar quedas e limitação funcional. A maioria dos pacientes descritos era do sexo feminino, e as lesões medulares cervicais e torácicas foram comuns.

Ataxia

A ataxia foi o segundo distúrbio do movimento mais frequente. Em muitos pacientes, ela apareceu logo no início da doença. Os autores sugerem que boa parte desses casos possa representar ataxia sensitiva, relacionada ao acometimento da medula, e não necessariamente lesão cerebelar primária.

Tremor e outros movimentos raros

Diferente do que costuma ocorrer na esclerose múltipla, o tremor foi raro na NMOSD. Parkinsonismo, coreia e mioclonias também apareceram apenas em poucos relatos.

O que isso significa na prática?

Na prática, essa revisão reforça que espasmos dolorosos, inquietação nas pernas e dificuldade de equilíbrio podem fazer parte do espectro clínico da NMOSD. Isso ajuda tanto no reconhecimento dos sintomas quanto na conversa entre paciente e neurologista.

Se você tem NMOSD e percebe espasmos repetidos, desequilíbrio progressivo ou sensação incômoda nas pernas ao repouso, vale levar isso de forma objetiva para a consulta. Esses sintomas podem merecer tratamento específico e, em alguns casos, investigação para atividade inflamatória recente.

Perguntas frequentes

Os distúrbios do movimento na NMOSD significam que a doença está piorando?

Nem sempre. Alguns sintomas podem surgir na recuperação de surtos anteriores e não necessariamente indicam novo ataque. Ainda assim, o contexto clínico importa, e a avaliação médica é essencial.

Ter espasmos dolorosos na NMOSD é perigoso?

Os espasmos em si costumam preocupar mais pelo impacto funcional e pela dor do que por risco direto, mas podem aumentar risco de quedas e piorar bastante a qualidade de vida.

Existe tratamento para os espasmos tônicos na NMOSD?

Sim. Anticonvulsivantes, baclofeno e outros medicamentos podem ser usados em casos selecionados. O tratamento depende da frequência, intensidade, dor associada e contexto da doença.

A síndrome das pernas inquietas na NMOSD é tratada de forma diferente?

Em geral, segue princípios semelhantes aos usados fora da NMOSD, incluindo avaliação de ferro e tratamento sintomático quando indicado. O diferencial é que, nesse contexto, as lesões medulares podem ter papel importante.

Quando devo procurar atendimento urgente?

Se os espasmos vierem acompanhados de fraqueza nova, perda de visão, dificuldade para urinar ou outros sintomas neurológicos recentes, procure atendimento urgente, porque isso pode indicar um surto.

O que posso fazer a partir de agora?

Referência científica

BRINGEL, L. A. F. et al. Movement Disorders in Neuromyelitis Optica Spectrum Disorder: A Systematic Review. Movement Disorders Clinical Practice, 2026. DOI: 10.1002/mdc3.70339.

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