Ataxia de Friedreich: o que fazer no dia a dia além do diagnóstico?
A ataxia de Friedreich é uma doença genética rara que afeta principalmente coordenação, equilíbrio, fala, sensibilidade, coração e risco de diabetes. O cuidado mais útil combina neurologia, reabilitação, cardiologia, rastreios regulares, prevenção de quedas e apoio à autonomia.
Publicado em 31 de maio de 2026
Guia em linguagem simples sobre ataxia de Friedreich: sintomas, reabilitação, coração, diabetes, sono, deglutição, quedas, saúde mental e cuidados práticos.


Dr. Thiago G. Guimarães
CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.
Resposta curta
A ataxia de Friedreich é uma doença genética rara que afeta principalmente coordenação, equilíbrio, fala, sensibilidade, coração e risco de diabetes.
Ela costuma ser progressiva, ou seja, pode piorar ao longo dos anos. Mas isso não significa que “não há nada a fazer”.
O guideline internacional de 2022 mostra o contrário: há muito cuidado prático que pode melhorar segurança, autonomia, conforto e qualidade de vida.
Na prática, uma pessoa com ataxia de Friedreich precisa de um plano de acompanhamento. Esse plano deve olhar para marcha, quedas, força, fala, deglutição, coração, glicose, ossos, sono, dor, bexiga, intestino, saúde mental e tecnologias assistivas.
Desde 2023, a omaveloxolona passou a ser o primeiro tratamento aprovado nos Estados Unidos para ataxia de Friedreich em adultos e adolescentes a partir de 16 anos. Depois, também recebeu autorização europeia. Isso é importante, mas não transforma o cuidado em “tomar um remédio e pronto”. O tratamento continua sendo multidisciplinar.

Em 30 segundos
A ataxia de Friedreich acontece por uma alteração genética que reduz a produção adequada de frataxina, uma proteína importante para o funcionamento das células, especialmente no sistema nervoso e no coração.
Pense na frataxina como uma peça importante dentro da “usina de energia” das células. Quando ela falta, algumas células sofrem mais com o tempo.
Os sintomas podem incluir desequilíbrio, tropeços, dificuldade para correr, piora da coordenação das mãos, fala mais enrolada, cansaço, deformidades nos pés, escoliose, perda de sensibilidade, alterações cardíacas e diabetes.
O ponto prático é este: o diagnóstico genético é só o começo. O que muda a vida do paciente é o plano contínuo de cuidado.
Esse plano deve responder a perguntas simples:
- A pessoa está caindo?
- Está perdendo força?
- Está engasgando?
- Está com dor?
- O coração está sendo monitorado?
- A glicose está sendo acompanhada?
- A casa e a escola/trabalho estão adaptados?
- A família sabe o que fazer em uma emergência?

O que importa de verdade
Mensagem 1
- Em 1 frase: Ataxia de Friedreich não é apenas uma doença do equilíbrio.
- Por que isso importa: O acompanhamento precisa incluir coração, diabetes, sono, ossos, fala, deglutição, dor e saúde mental.
- A nuance: Nem todos terão todos os problemas, mas rastrear cedo evita surpresas.
Mensagem 2
- Em 1 frase: Reabilitação é parte central do tratamento.
- Por que isso importa: Fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia ajudam a preservar função, segurança e independência.
- A nuance: O programa precisa ser adaptado à fase da doença, à fadiga, ao risco de queda e ao coração.
Mensagem 3
- Em 1 frase: Tecnologia assistiva não é sinal de derrota.
- Por que isso importa: Bengala, andador, órteses, cadeira de rodas, adaptações em casa e dispositivos digitais podem aumentar liberdade.
- A nuance: O melhor recurso é aquele que dá segurança sem tirar função que a pessoa ainda consegue usar.
Para quem este texto é útil?
Este texto é útil para:
- pessoas com diagnóstico de ataxia de Friedreich;
- pais de crianças ou adolescentes com ataxia de Friedreich;
- familiares que ajudam no cuidado diário;
- cuidadores;
- pessoas em investigação de ataxia hereditária;
- profissionais de saúde que querem explicar o tema em linguagem simples.
Ele não substitui consulta médica. A ideia é ajudar você a entender o que costuma entrar em um bom plano de cuidado.
O que é isso, em linguagem simples?
Ataxia significa dificuldade de coordenação.
Na ataxia de Friedreich, essa dificuldade vem de uma doença genética. A alteração mais comum ocorre no gene FXN, que participa da produção de frataxina.
A frataxina ajuda as células a lidarem com processos ligados à produção de energia e ao equilíbrio interno. Quando ela está reduzida, algumas partes do corpo ficam mais vulneráveis.
As áreas mais afetadas costumam ser:
- sistema nervoso, causando desequilíbrio e perda de coordenação;
- nervos sensitivos, causando perda de sensibilidade e propriocepção;
- propriocepção, que é a percepção da posição do corpo no espaço;
- coração, com risco de cardiomiopatia;
- metabolismo da glicose, com maior risco de diabetes;
- coluna e pés, com escoliose e deformidades;
- fala e deglutição, em algumas pessoas.
Em termos simples: o corpo passa a ter mais dificuldade de coordenar movimento, manter estabilidade e proteger algumas funções importantes ao longo do tempo.
Como isso aparece no dia a dia?
No começo, a ataxia de Friedreich pode parecer “desajeitamento”.
A criança, adolescente ou adulto pode:
- tropeçar mais que o esperado;
- ter dificuldade para correr;
- cair com frequência;
- precisar abrir mais as pernas para andar;
- ter dificuldade em escadas;
- escrever pior;
- derrubar objetos;
- falar de forma mais arrastada;
- cansar mais;
- ter dor nos pés ou na coluna;
- notar piora em ambientes escuros, porque depende mais da visão para se equilibrar.
Com o tempo, algumas pessoas precisam de órteses, apoio para caminhar ou cadeira de rodas. Isso deve ser visto como parte do cuidado, não como fracasso.
Uma boa adaptação pode evitar quedas, reduzir dor e permitir que a pessoa continue estudando, trabalhando, saindo de casa e participando da vida social.
Como o estudo foi feito?
O artigo usado como base é um guideline internacional publicado em 2022.
Guideline é um documento que reúne as melhores recomendações disponíveis para orientar o cuidado. Ele não é um estudo com um único remédio ou uma única intervenção. É um mapa de condutas.
Nesse guideline, especialistas internacionais revisaram a literatura científica, usaram uma metodologia chamada GRADE, ouviram especialistas, consideraram dados de registros de história natural e incluíram a visão de pessoas que vivem com ataxia de Friedreich e familiares.
Isso é importante porque doenças raras têm um problema: muitas recomendações não conseguem se apoiar em estudos grandes, com milhares de pessoas. Então, a qualidade da evidência para vários pontos é baixa ou muito baixa.
Mesmo assim, esperar “evidência perfeita” pode atrasar cuidados básicos. O guideline tenta equilibrar ciência, experiência clínica e necessidades reais de quem vive com a doença.
O que o estudo encontrou?
O guideline reforça que o cuidado deve ser organizado por áreas.
A seguir estão os pontos mais úteis para pacientes e famílias.
1. Movimento, equilíbrio e prevenção de quedas
O guideline recomenda acompanhamento regular da marcha, equilíbrio, força, espasticidade e medo de cair.
Espasticidade significa aumento anormal do tônus muscular, como uma rigidez que atrapalha movimento, postura ou conforto.
Na prática, o cuidado pode incluir:
- fisioterapia;
- treino de equilíbrio;
- fortalecimento;
- alongamentos;
- treino de resistência;
- exercícios aeróbicos adaptados;
- órteses para tornozelo e pé;
- orientação sobre bengala, andador ou cadeira de rodas;
- avaliação do ambiente de casa, escola ou trabalho.
Para pessoas que ainda andam, o guideline favorece reabilitação multifacetada, ou seja, um programa que trabalha várias áreas ao mesmo tempo. Isso costuma fazer mais sentido do que focar apenas em um único exercício.
Para quem já não anda, o cuidado continua sendo importante. O foco muda para transferências seguras, postura sentada, força de tronco, prevenção de dor, prevenção de feridas por pressão e independência nas atividades possíveis.
2. Coração
A ataxia de Friedreich pode afetar o coração.
Por isso, o guideline recomenda eletrocardiograma e ecocardiograma no diagnóstico e depois pelo menos anualmente.
O eletrocardiograma olha a atividade elétrica do coração. O ecocardiograma avalia estrutura e força de contração.
Se houver palpitações, desmaios, dor no peito, falta de ar ou alterações nos exames, pode ser necessário Holter ou monitor de eventos, além de avaliação com cardiologista.
Na prática, a família deve saber que dor no peito em ataxia de Friedreich precisa ser avaliada com cuidado. Alguns exames podem vir alterados por motivos não exatamente iguais aos da população geral, então a interpretação deve considerar a doença de base.
3. Diabetes e metabolismo
Pessoas com ataxia de Friedreich têm maior risco de diabetes.
O guideline recomenda rastreio pelo menos anual com:
- glicemia de jejum;
- hemoglobina glicada.
Hemoglobina glicada é um exame que mostra uma média aproximada da glicose nos últimos meses.
Sintomas como muita sede, urina frequente, perda de peso inexplicada ou cansaço desproporcional devem ser discutidos com o médico.
O tratamento do diabetes precisa ser individualizado e, idealmente, acompanhado por especialista em diabetes.
4. Sono e respiração
Em fases mais avançadas, algumas pessoas podem desenvolver fraqueza respiratória, infecções respiratórias, ronco importante, apneia do sono ou hipoventilação noturna.
Hipoventilação significa respirar menos do que o corpo precisa durante o sono, levando a alterações de oxigênio ou gás carbônico.
Sinais que merecem atenção:
- sono não reparador;
- sonolência durante o dia;
- dor de cabeça pela manhã;
- piora de concentração;
- falta de ar ao deitar;
- infecções respiratórias repetidas;
- cansaço fora do padrão.
Nesses casos, podem ser necessários testes de função pulmonar e estudo do sono.
5. Fala e deglutição
A fala pode ficar mais lenta, arrastada ou difícil de entender. Isso se chama disartria, que é dificuldade de articular as palavras por alteração do controle motor da fala.
A deglutição também pode ser afetada. Disfagia significa dificuldade para engolir com segurança.
Sinais de alerta para deglutição:
- engasgos frequentes;
- tosse durante refeições;
- sensação de alimento parado;
- perda de peso;
- pneumonias repetidas;
- demora excessiva para comer;
- medo de se alimentar.
O guideline reforça a importância de orientação especializada. Em muitos casos, pequenas mudanças de postura, consistência dos alimentos e ritmo da refeição podem melhorar segurança.
6. Dor, espasmos e rigidez
Dor pode vir de várias fontes:
- neuropatia, que é dor causada por alteração dos nervos;
- postura;
- escoliose;
- deformidades nos pés;
- contraturas;
- sobrecarga nos ombros ou braços;
- transferências difíceis;
- cadeira ou assento inadequado.
A primeira pergunta prática é: de onde vem a dor?
Tratar “dor” sem entender a origem pode levar a remédios desnecessários ou perda de oportunidade de corrigir postura, órtese, cadeira, colchão, treino de transferência ou rotina de alongamento.
7. Ossos, coluna e pés
Escoliose e deformidades dos pés podem aparecer.
O guideline recomenda exame regular da coluna. Em alguns casos, coletes podem ajudar a adiar ou evitar cirurgia, especialmente em fases de crescimento. Cirurgias precisam considerar idade, função, coração, respiração e objetivos reais.
Nos pés, órteses e calçados adaptados podem melhorar alinhamento, segurança e transferências. Em casos selecionados, cirurgia ortopédica pode ajudar, mas deve ser muito bem planejada.
8. Bexiga, intestino e sexualidade
Sintomas urinários e intestinais devem ser perguntados ativamente.
Muitas pessoas não falam espontaneamente por vergonha.
Podem ocorrer:
- urgência para urinar;
- escapes;
- dificuldade de esvaziar a bexiga;
- infecções urinárias repetidas;
- constipação;
- escapes fecais;
- impacto na sexualidade.
Esses sintomas têm tratamento e podem afetar muito a qualidade de vida.
9. Saúde mental
Ansiedade, depressão, luto por perdas funcionais e medo do futuro são temas reais na ataxia de Friedreich.
O guideline inclui saúde mental como parte do cuidado.
Isso é importante: tristeza, irritabilidade, isolamento ou desânimo não devem ser tratados como “frescura” ou “falta de força de vontade”.
A doença muda planos, corpo, rotina, autonomia e relações. Apoio psicológico, atividade social, exercício adaptado e tratamento medicamentoso quando indicado podem fazer diferença.
10. Tecnologia assistiva
Tecnologia assistiva é qualquer recurso que ajuda a pessoa a funcionar melhor e com mais segurança.
Pode incluir:
- bengala;
- andador;
- órtese;
- cadeira de rodas manual ou motorizada;
- adaptação de banheiro;
- cadeira de banho;
- barras de apoio;
- dispositivos para escrita;
- aplicativos;
- smartwatch;
- recursos de voz;
- adaptações no computador;
- controle ambiental por celular ou assistente de voz.
O melhor recurso não é necessariamente o mais caro. É o que resolve um problema real, no momento certo.

O que mudou depois do guideline de 2022?
O guideline de 2022 foi publicado antes da aprovação da omaveloxolona.
A omaveloxolona é um medicamento oral aprovado nos Estados Unidos em 2023 para adultos e adolescentes a partir de 16 anos com ataxia de Friedreich. Depois, também recebeu autorização europeia para essa faixa etária.
Esse ponto deve ser explicado com equilíbrio.
A omaveloxolona representa um avanço importante porque foi o primeiro tratamento aprovado especificamente para ataxia de Friedreich em alguns países. Mas ela não é uma cura, não substitui reabilitação e não elimina a necessidade de acompanhar coração, glicose, sono, deglutição, quedas e saúde mental.
Para pacientes no Brasil, disponibilidade, registro, acesso, custo e indicação precisam ser discutidos de forma individualizada com o neurologista.
O que isso muda na prática?
Muda a forma de encarar o acompanhamento.
Em vez de perguntar apenas “qual remédio existe?”, a pergunta passa a ser:
“Meu plano de cuidado está cobrindo todos os pontos que podem mudar minha segurança e qualidade de vida?”
Uma consulta bem direcionada pode revisar:
| Área | Pergunta prática |
|---|---|
| Marcha e quedas | Caí nos últimos meses? Tenho medo de cair? Preciso de órtese ou apoio? |
| Reabilitação | Meu treino trabalha equilíbrio, força, alongamento e resistência? |
| Coração | Fiz eletrocardiograma e ecocardiograma no último ano? |
| Diabetes | Fiz glicemia de jejum e hemoglobina glicada? |
| Deglutição | Tenho engasgos, tosse ao comer ou perda de peso? |
| Sono | Acordo cansado, tenho sonolência ou ronco importante? |
| Dor | A dor vem de nervo, postura, pé, coluna ou transferência? |
| Ossos | Já avaliei vitamina D, densidade óssea e risco de fratura? |
| Humor | Estou mais isolado, ansioso, triste ou sem perspectiva? |
| Autonomia | Alguma adaptação poderia facilitar banho, escrita, estudo, trabalho ou locomoção? |

Um teste rápido para levar à consulta
Marque os itens que aconteceram nos últimos 3 a 6 meses:
- queda ou quase queda;
- medo de andar em casa ou na rua;
- piora para subir escadas;
- engasgos;
- fala mais difícil de entender;
- palpitações;
- dor no peito;
- falta de ar;
- sono não reparador;
- dor frequente;
- prisão de ventre importante;
- urgência urinária ou escapes;
- sede excessiva ou urina frequente;
- perda de peso sem explicação;
- tristeza persistente;
- isolamento social;
- dificuldade para banho, banheiro, escola, trabalho ou escrita.
Se vários itens estiverem marcados, isso não significa que “tudo piorou sem volta”. Significa que talvez o plano precise ser reorganizado.
O que vale perguntar ao médico?
Leve perguntas concretas. Elas ajudam a consulta a sair do abstrato.
- Meu diagnóstico genético está bem definido?
- Tenho expansão bialélica no gene FXN ou outra forma genética?
- Como está meu risco cardíaco?
- Preciso repetir ecocardiograma ou Holter?
- Minha glicose e hemoglobina glicada estão em dia?
- Tenho sinais de disfagia?
- Preciso de avaliação fonoaudiológica?
- Minha fisioterapia está adequada para meu estágio?
- Estou usando o apoio certo para evitar quedas?
- Alguma órtese pode ajudar?
- Minha dor parece neuropática, ortopédica ou postural?
- Preciso investigar sono ou respiração?
- Faz sentido discutir omaveloxolona no meu caso?
- Há alguma adaptação que poderia aumentar minha independência?
- Como minha família deve agir em uma emergência?
FAQ
Medo
Ataxia de Friedreich tem cura?
Ainda não há uma cura definitiva.
Hoje o cuidado combina acompanhamento neurológico, reabilitação, prevenção de complicações, tratamento de sintomas, rastreio cardíaco e metabólico, apoio psicológico e adaptações para autonomia. Em alguns países, a omaveloxolona está aprovada para pessoas a partir de 16 anos.
Vou perder a capacidade de andar?
Algumas pessoas perdem a capacidade de andar com o tempo, mas a velocidade varia.
O objetivo do cuidado é preservar mobilidade segura pelo maior tempo possível, reduzir quedas, adaptar recursos no momento certo e manter independência nas atividades importantes.
A doença sempre piora?
A ataxia de Friedreich costuma ser progressiva, mas o ritmo não é igual para todos.
Além disso, pioras súbitas podem ter causas tratáveis, como infecção, dor, sono ruim, queda, alteração cardíaca, hiperglicemia, efeito de remédio ou descondicionamento.
Dia a dia
Fisioterapia ajuda mesmo?
Sim, fisioterapia é uma parte central do cuidado.
O guideline favorece programas que combinam equilíbrio, força, alongamento, resistência e treino funcional. O ideal é que o programa seja adaptado à fase da doença, ao risco de queda e à fadiga.
Usar bengala, andador ou cadeira de rodas significa que a doença “venceu”?
Não.
Um recurso de apoio pode preservar liberdade. Cair menos, sair mais de casa, gastar menos energia e participar mais da vida social são objetivos importantes.
Exercício é seguro?
Em geral, exercício adaptado e progressivo pode ser útil.
Mas ele deve respeitar fadiga, dor, equilíbrio, sintomas cardíacos e estágio da doença. Exercício mal ajustado pode aumentar risco de queda ou exaustão.
Tratamento
Existe remédio para ataxia de Friedreich?
Existe a omaveloxolona, aprovada em alguns países para adultos e adolescentes a partir de 16 anos.
Ela não é cura e não substitui o cuidado multidisciplinar. A indicação depende de avaliação médica, disponibilidade, riscos, benefícios e contexto regulatório.
Medicamentos para rigidez e espasmos ajudam?
Podem ajudar em alguns casos, mas exigem cautela.
Reduzir rigidez demais pode revelar fraqueza e piorar marcha ou transferências. Por isso, o tratamento deve ser individualizado e reavaliado.
Vitaminas e suplementos tratam a doença?
Não há base para prometer que suplementos tratem a ataxia de Friedreich.
Deficiências específicas, como vitamina D baixa, devem ser corrigidas quando identificadas. Mas suplementar “às cegas” não é o mesmo que tratar a doença.
Futuro
O coração precisa ser acompanhado mesmo sem sintomas?
Sim.
O guideline recomenda eletrocardiograma e ecocardiograma no diagnóstico e pelo menos anualmente. Sintomas como palpitação, desmaio, dor no peito ou falta de ar exigem avaliação.
Diabetes precisa ser investigado todo ano?
Sim.
O guideline recomenda rastreio pelo menos anual com glicemia de jejum e hemoglobina glicada. Isso é importante porque diabetes pode piorar cansaço, infecções, peso, hidratação e saúde geral.
Ação
Quando devo procurar atendimento urgente?
Procure atendimento urgente em caso de dor no peito, falta de ar importante, desmaio, palpitações intensas, engasgo grave, febre com piora neurológica, queda com trauma, sinais de desidratação, confusão mental ou sintomas de glicose muito alta.
O que levar para a consulta?
Leve uma lista de quedas, engasgos, dores, sintomas urinários, sono, humor, exames cardíacos, exames de glicose, medicamentos, suplementos, órteses e adaptações usadas. Isso torna a consulta mais objetiva.
Checklist de agência
Sinais de alerta
Procure avaliação se houver:
- aumento de quedas;
- dor no peito;
- palpitações;
- desmaio;
- falta de ar;
- engasgos frequentes;
- perda de peso;
- sonolência excessiva;
- dor persistente;
- piora rápida da marcha;
- sede intensa e urina frequente;
- tristeza intensa ou ideias de morte.
Perguntas para consulta
- Meu acompanhamento cardíaco está em dia?
- Meu rastreio de diabetes está em dia?
- Minha reabilitação está adequada?
- Preciso de fonoaudiologia?
- Preciso revisar órteses, bengala, andador ou cadeira?
- Minha casa tem riscos de queda?
- Minha dor tem uma causa tratável?
- Preciso avaliar sono ou respiração?
- Omaveloxolona faz sentido para minha situação?
Hábitos apoiados pela lógica do cuidado
- manter programa regular de reabilitação;
- adaptar exercício à fadiga;
- revisar segurança da casa;
- tratar constipação e sintomas urinários;
- cuidar do sono;
- manter acompanhamento cardíaco;
- rastrear diabetes;
- conversar sobre saúde mental;
- usar tecnologia assistiva quando ela aumenta independência.
O que não fazer sozinho
- não iniciar suplemento em altas doses sem orientação;
- não suspender remédios por conta própria;
- não insistir em exercício que causa queda, dor ou exaustão;
- não interpretar dor no peito como “normal da ataxia”;
- não adiar avaliação de engasgos;
- não comprar órtese ou cadeira sem avaliação profissional quando possível.
Quando buscar ajuda urgente
Busque atendimento urgente se houver:
- dor no peito;
- falta de ar;
- desmaio;
- palpitação sustentada;
- queda com trauma;
- engasgo importante;
- febre com piora neurológica;
- sinais de desidratação;
- confusão mental;
- glicose muito alta ou sintomas intensos de diabetes.
O que este estudo/guia NÃO prova
- Não prova que todas as pessoas com ataxia de Friedreich terão os mesmos sintomas.
- Não prova que uma intervenção isolada resolva a doença.
- Não substitui avaliação individual com neurologista, cardiologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo ou outros profissionais.
- Não elimina incertezas, porque muitas recomendações em doenças raras ainda se baseiam em evidência baixa ou muito baixa.
- Não incorpora plenamente todos os dados posteriores a 2022, como a aprovação da omaveloxolona, que deve ser discutida separadamente na prática clínica atual.
Bloco de segurança
⚕️ IMPORTANTE • Este conteúdo resume um estudo científico e não substitui consulta médica. • Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde. • Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria. • Cada pessoa é única — o que vale para o grupo do estudo pode não valer para você.
Referência ABNT
CORBEN, Louise A. et al. Clinical management guidelines for Friedreich ataxia: best practice in rare diseases. Orphanet Journal of Rare Diseases, v. 17, n. 415, 2022. DOI: 10.1186/s13023-022-02568-3.
Assinatura
✍️ Dr. Thiago G. Guimarães CRM-SP 178.347 Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética Hospital das Clínicas da FMUSP
📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP 🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com 🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes 📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta médica.
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