Estilo de vida pode melhorar a memória? O que mostrou o LatAm-FINGERS

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Um programa estruturado com exercícios, alimentação saudável, treino cognitivo, controle cardiovascular e interação social melhorou mais o desempenho cognitivo do que orientações gerais de saúde. O estudo não provou que essa estratégia impeça o surgimento de demência.

personDr. Thiago G. Guimarães
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Publicado em 6 de agosto de 2026

Estudo com 1.065 adultos latino-americanos avaliou exercício, dieta MIND, treino cognitivo, saúde vascular e interação social para proteger a cognição.

Diorama em miniatura do mapa da América Latina representado como um cérebro, com pessoas idosas praticando exercícios, preparando alimentos saudáveis, realizando treino cognitivo e medindo a pressão arterial
Dr. Thiago G. Guimarães

Dr. Thiago G. Guimarães

CRM-SP 178.347 | RQE 83752
Neurologista formado pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e Neurogenética. Corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Albert Einstein.

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Resposta curta

Um programa estruturado que reuniu atividade física, alimentação no padrão MIND, treino cognitivo, controle dos fatores cardiovasculares e interação social melhorou mais o desempenho em testes cognitivos do que receber apenas orientações gerais de saúde.

Esse foi o principal resultado do LatAm-FINGERS, um estudo realizado com 1.065 adultos de 60 a 77 anos em 11 países latino-americanos.

A notícia é positiva, mas precisa ser interpretada corretamente: o estudo mostrou melhora nos testes de memória e de raciocínio ao longo de dois anos. Ele não provou que o programa impede o aparecimento de demência, não mostrou benefício garantido para todas as pessoas e não identificou qual componente isolado foi responsável pelo resultado.

Na prática, o trabalho reforça uma mensagem importante: cuidar da saúde cerebral não depende de uma única atividade ou suplemento. O benefício parece estar na combinação de hábitos, na regularidade e no acompanhamento ao longo do tempo.

Em 30 segundos

  • Participaram 1.065 pessoas de 60 a 77 anos com risco aumentado de declínio cognitivo.
  • Os participantes foram distribuídos por sorteio entre dois grupos.
  • Um grupo recebeu um programa estruturado durante dois anos.
  • O outro recebeu orientações gerais sobre hábitos saudáveis.
  • A intervenção estruturada combinou exercícios, alimentação, treino cognitivo, controle cardiovascular e encontros sociais.
  • Os dois grupos melhoraram nos testes, mas a melhora foi maior no grupo estruturado.
  • A maior diferença apareceu na memória episódica, usada para guardar e recuperar acontecimentos.
  • Não houve diferença significativa em uma escala clínica de funcionamento chamada CDR-SB.
  • O estudo não avaliou se a intervenção reduziu novos casos de demência.

O que importa de verdade

Mensagem 1

  • Em 1 frase: Uma orientação genérica não parece equivaler a um programa organizado, acompanhado e mantido por dois anos.
  • Por que isso importa: Saber o que fazer é diferente de conseguir transformar esse conhecimento em rotina.
  • A nuance: O programa do estudo foi intenso e contou com profissionais, encontros, telefonemas e monitoramento.

Mensagem 2

  • Em 1 frase: O grupo estruturado melhorou mais em cognição global, memória, função executiva e velocidade de processamento.
  • Por que isso importa: Esses domínios participam de tarefas como lembrar compromissos, organizar atividades e responder com agilidade.
  • A nuance: A diferença foi observada na média do grupo e pode não ser perceptível da mesma forma em cada pessoa.

Mensagem 3

  • Em 1 frase: O estudo apoia uma estratégia combinada, e não a ideia de um único hábito milagroso.
  • Por que isso importa: Saúde cerebral envolve circulação, sono, movimento, alimentação, aprendizagem, saúde emocional e vida social.
  • A nuance: O estudo não conseguiu determinar quanto cada componente contribuiu separadamente.

Para quem este texto é útil?

Este conteúdo é particularmente relevante para:

  • pessoas com mais de 60 anos preocupadas com a memória;
  • familiares de pessoas com fatores de risco para demência;
  • adultos com hipertensão, diabetes, obesidade ou colesterol elevado;
  • pessoas que perceberam pequenas dificuldades cognitivas, mas mantêm independência;
  • cuidadores interessados em prevenção;
  • profissionais envolvidos na promoção do envelhecimento saudável.

Os participantes do estudo não tinham diagnóstico prévio de demência. Portanto, os resultados não devem ser automaticamente aplicados a pessoas com doença de Alzheimer ou outra demência já estabelecida.

O que é uma intervenção multidomínio?

Uma intervenção multidomínio atua simultaneamente sobre diferentes áreas relacionadas à saúde cerebral.

É como sustentar uma casa com vários pilares. Fortalecer apenas um pilar pode ajudar, mas trabalhar todos de forma coordenada tende a produzir uma estrutura mais estável.

No LatAm-FINGERS, os pilares foram:

  1. atividade física;
  2. alimentação baseada no padrão MIND;
  3. treino cognitivo;
  4. controle dos fatores cardiovasculares;
  5. interação social e apoio em grupo.

O programa não se limitou a entregar uma lista de recomendações. Houve supervisão, metas, reuniões, contatos telefônicos e avaliações periódicas.

Os cinco pilares da intervenção multidomínio do LatAm-FINGERS

Como isso aparece no dia a dia?

Imagine duas pessoas que receberam a recomendação de “fazer exercício e comer melhor”.

A primeira recebe apenas uma folha com orientações.

A segunda participa de encontros regulares, recebe acompanhamento de profissionais, faz exercícios em horários definidos, registra a alimentação, realiza treino cognitivo e monitora pressão, peso, glicose e colesterol.

As duas receberam informações semelhantes. A diferença está na estrutura necessária para transformar orientação em comportamento repetido.

O LatAm-FINGERS comparou, de maneira aproximada, essas duas situações.

Como o estudo foi feito?

O LatAm-FINGERS foi um ensaio clínico randomizado. Isso significa que os participantes foram distribuídos entre os grupos por sorteio, reduzindo o risco de que diferenças iniciais explicassem os resultados.

Foram avaliadas inicialmente 1.719 pessoas. A amostra analisada incluiu 1.065 participantes de 11 países e 12 centros.

A idade média foi de 67,5 anos. Cerca de 75% eram mulheres.

Para participar, a pessoa precisava:

  • ter entre 60 e 77 anos;
  • apresentar risco aumentado de declínio cognitivo;
  • ter desempenho cognitivo abaixo do esperado em pelo menos algumas avaliações;
  • não possuir diagnóstico prévio de demência;
  • não apresentar condição clínica que impedisse a participação segura.

Os avaliadores dos resultados não sabiam a qual grupo cada participante pertencia. Os participantes e os profissionais que aplicavam a intervenção sabiam, pois não seria possível esconder quem estava fazendo exercícios, treinamentos e encontros.

Como os grupos foram comparados?

Grupo estruturado Grupo de orientação flexível
539 participantes 526 participantes
Atividade física supervisionada Recomendações gerais de atividade física
Orientação baseada na dieta MIND Orientações gerais sobre alimentação
Treino cognitivo quatro vezes por semana Recomendações de manter a mente ativa
Monitoramento cardiovascular periódico Orientações gerais sobre fatores de risco
38 encontros em grupo Quatro encontros em dois anos
26 contatos telefônicos de reforço Sem acompanhamento com a mesma intensidade
Seis visitas individuais de saúde Avaliações periódicas do estudo

Como o ensaio clínico LatAm-FINGERS foi organizado

O que exatamente fazia o grupo estruturado?

Atividade física

O programa previa exercícios quatro dias por semana.

As sessões incluíam:

  • exercício aeróbico;
  • fortalecimento muscular;
  • coordenação;
  • equilíbrio;
  • aquecimento e relaxamento.

A intensidade começava entre 55% e 65% da frequência cardíaca máxima e aumentava progressivamente depois dos primeiros seis meses.

Isso não significa que qualquer pessoa deva reproduzir essas intensidades sem avaliação. Doenças cardíacas, problemas articulares, risco de quedas e uso de medicamentos podem exigir adaptações.

Alimentação

A orientação foi baseada na dieta MIND, que combina elementos das dietas mediterrânea e DASH.

Em linhas gerais, esse padrão valoriza:

  • verduras e outros vegetais;
  • frutas, especialmente algumas frutas vermelhas;
  • feijões e outras leguminosas;
  • castanhas;
  • cereais integrais;
  • azeite;
  • peixes;
  • redução de alimentos ultraprocessados e excesso de gorduras saturadas.

Os participantes tiveram consultas com nutricionista, registros alimentares e contatos de acompanhamento.

Treino cognitivo

O grupo realizou quatro sessões semanais de aproximadamente 25 minutos em uma plataforma computadorizada.

As tarefas trabalhavam:

  • atenção;
  • memória;
  • velocidade de processamento;
  • planejamento;
  • flexibilidade mental.

A dificuldade era ajustada de acordo com o desempenho.

Saúde cardiovascular

Pressão arterial, peso, circunferência abdominal, glicose, hemoglobina glicada e colesterol foram monitorados periodicamente.

Esse componente é importante porque o cérebro depende de vasos sanguíneos saudáveis. Hipertensão, diabetes, sedentarismo e tabagismo podem contribuir para lesões vasculares e declínio cognitivo.

Interação social

Os participantes realizaram 38 encontros em grupo ao longo de dois anos.

Além de transmitir informações, os encontros favoreciam:

  • apoio entre os participantes;
  • compromisso com as metas;
  • troca de experiências;
  • interação social;
  • maior continuidade do programa.

O que o estudo encontrou?

Cognição global

A cognição global melhorou, em média:

  • 0,31 desvio-padrão por ano no grupo estruturado;
  • 0,20 desvio-padrão por ano no grupo de orientação geral.

A diferença entre os grupos foi de 0,11 desvio-padrão por ano, favorecendo a intervenção estruturada.

Depois de 24 meses, a diferença estimada foi de 0,25 desvio-padrão.

O desvio-padrão é uma medida estatística usada para comparar o tamanho da mudança em relação à variação dos resultados do grupo. Uma diferença de 0,25 não significa que a memória melhorou 25%.

O que significa “55% maior melhora”?

Os autores calcularam que a velocidade anual de melhora foi aproximadamente 55% maior no grupo estruturado.

Esse número é uma comparação relativa:

  • o grupo estruturado melhorou 0,31 unidade por ano;
  • o grupo flexível melhorou 0,20;
  • a diferença entre essas velocidades corresponde a cerca de 55% do valor observado no grupo flexível.

Isso não significa 55% menos demência, 55% de melhora individual ou 55% de proteção cerebral.

Memória episódica

A maior diferença apareceu na memória episódica, responsável por lembrar acontecimentos e informações aprendidas recentemente.

A diferença entre os grupos foi de 0,14 desvio-padrão por ano.

Função executiva

A função executiva envolve organizar tarefas, planejar, controlar impulsos, mudar de estratégia e lidar com várias etapas de um problema.

A diferença foi menor, de 0,04 desvio-padrão por ano, mas favoreceu o grupo estruturado.

Velocidade de processamento

A velocidade de processamento representa a rapidez com que o cérebro percebe informações e produz uma resposta.

Também houve vantagem de 0,04 desvio-padrão por ano para o programa estruturado.

Funcionamento no cotidiano

O estudo utilizou a escala CDR-SB, que avalia cognição e repercussão funcional.

Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos nessa escala.

Isso pode ter acontecido porque os participantes ainda apresentavam pouca ou nenhuma limitação funcional no início, criando um “efeito de piso”: havia pouco espaço para demonstrar melhora.

Principais resultados cognitivos do estudo LatAm-FINGERS

Por que os dois grupos melhoraram?

Os dois grupos receberam alguma forma de orientação e foram avaliados repetidamente.

Existem pelo menos duas explicações:

  1. O grupo de comparação não ficou sem intervenção. Ele recebeu recomendações de saúde, o que também pode ter produzido mudanças.
  2. Efeito de prática. Repetir um teste cognitivo pode melhorar o desempenho simplesmente porque a pessoa se familiariza com a tarefa.

Como os dois grupos fizeram avaliações semelhantes nos mesmos períodos, o efeito de prática não explica sozinho a diferença entre eles. Análises estatísticas adicionais produziram resultados compatíveis com a análise principal.

O programa foi seguro?

Foram registrados mais eventos adversos no grupo estruturado.

Os mais frequentes foram sintomas musculoesqueléticos, como dores ou desconfortos relacionados ao aparelho locomotor. Esse resultado é plausível em um grupo exposto a maior quantidade de exercícios.

Também houve mais contato entre participantes e equipe, o que pode ter aumentado a identificação e o registro de problemas de saúde.

Ocorreram 74 eventos graves:

  • 50 no grupo estruturado;
  • 24 no grupo flexível.

Nenhum evento grave foi considerado relacionado à intervenção.

Oito participantes morreram durante o estudo, e nenhuma morte foi atribuída ao programa.

Esses resultados apoiam uma segurança geral aceitável, mas também mostram por que atividades físicas devem ser progressivas e adaptadas.

O que isso muda na prática?

O estudo não entrega uma receita universal, mas oferece alguns princípios úteis.

Conhecer a recomendação não é suficiente

O grupo que recebeu apenas orientações também melhorou. Entretanto, o grupo com maior estrutura, acompanhamento e contato apresentou resultados melhores.

Isso sugere que o desafio não é apenas saber que exercício e alimentação fazem bem. É conseguir:

  • estabelecer metas realistas;
  • adaptar as atividades;
  • acompanhar a evolução;
  • identificar obstáculos;
  • manter a regularidade;
  • receber reforço ao longo do tempo.

Nenhum componente deve ser tratado como cura isolada

O estudo não testou:

  • apenas caminhada;
  • apenas dieta;
  • apenas palavras cruzadas;
  • apenas um aplicativo;
  • apenas controle da pressão.

Ele testou a combinação de vários componentes.

Portanto, não é possível afirmar que um deles, isoladamente, reproduziria o mesmo resultado.

O plano precisa ser individualizado

Uma pessoa com artrose, cardiopatia, neuropatia, risco de quedas ou perda de peso não deve seguir o mesmo plano de outra pessoa sem essas condições.

A intensidade e o tipo de atividade precisam considerar:

  • capacidade física;
  • risco cardiovascular;
  • equilíbrio;
  • visão e audição;
  • medicamentos;
  • dor;
  • rotina;
  • preferências pessoais;
  • apoio familiar.

Teste rápido: seu cuidado com a saúde cerebral é realmente multidomínio?

Responda “sim” ou “não”:

  1. Minha semana inclui atividade física aeróbica e exercícios de força adaptados?
  2. Minha pressão, glicose e colesterol estão sendo acompanhados?
  3. Tenho oportunidades frequentes de aprender ou praticar tarefas mentalmente desafiadoras?
  4. Minha alimentação tem vegetais, leguminosas, cereais integrais e pouca comida ultraprocessada?
  5. Mantenho contato social regular e atividades significativas?

Este teste não calcula risco de demência e não substitui avaliação. Ele serve apenas para mostrar se o cuidado está concentrado em um único hábito ou distribuído entre vários pilares.

O que vale perguntar ao médico?

  • Tenho fatores de risco modificáveis para declínio cognitivo?
  • Minhas dificuldades de memória são compatíveis com o envelhecimento ou precisam de investigação?
  • Preciso realizar avaliação cognitiva?
  • Qual atividade física é segura para minha condição?
  • Minha pressão, glicose e colesterol estão adequadamente controlados?
  • Algum dos meus medicamentos pode prejudicar atenção ou memória?
  • Ronco, apneia ou sono ruim podem estar contribuindo?
  • Preciso avaliar audição, visão, humor ou deficiência de vitaminas?
  • Uma avaliação nutricional seria útil?
  • Como posso montar metas realistas e acompanháveis?

FAQ

Medo

O estudo provou que mudar o estilo de vida evita demência?

Não. O estudo demonstrou melhora em testes cognitivos durante dois anos, mas não avaliou se menos participantes desenvolveram demência.

Uma pequena falha de memória significa que estou desenvolvendo Alzheimer?

Não necessariamente. Sono ruim, ansiedade, depressão, medicamentos, dor, perda auditiva e diversas doenças podem afetar a memória. A evolução e a repercussão no cotidiano precisam ser avaliadas.

Dia a dia

Preciso fazer exatamente quatro dias de exercício por semana?

Não obrigatoriamente. Essa foi a estrutura testada no estudo. A frequência mais adequada depende da condição clínica, da capacidade física e das recomendações dos profissionais responsáveis.

Palavras cruzadas são suficientes como treino cognitivo?

Provavelmente não como estratégia isolada. Atividades variadas, progressivamente desafiadoras e associadas a movimento, saúde vascular e interação social fazem mais sentido dentro de um plano amplo.

Tratamento

Posso reproduzir o programa por conta própria?

Não integralmente. Alguns componentes podem inspirar hábitos saudáveis, mas exercício, alimentação e controle cardiovascular devem ser adaptados às condições individuais.

Existe algum suplemento que produza o mesmo efeito?

O estudo não avaliou suplementos. Nenhum suplemento deve ser interpretado como substituto de atividade física, alimentação adequada, sono, tratamento de doenças e acompanhamento clínico.

Futuro

O benefício continuaria depois de dois anos?

O estudo publicado avaliou os participantes durante 24 meses. Ainda não é possível afirmar quanto tempo o benefício permanece depois que o acompanhamento termina.

A estratégia funciona para quem já tem doença de Alzheimer?

O estudo não responde diretamente. Pessoas com demência diagnosticada foram excluídas, e atividades para esse grupo precisam ser adaptadas às necessidades e limitações existentes.

Ação

Qual é o melhor primeiro passo?

Identificar fatores modificáveis. Pressão, diabetes, colesterol, sono, sedentarismo, audição, humor, tabagismo e alimentação são bons pontos de partida para uma avaliação.

Quando devo procurar avaliação neurológica?

Procure avaliação quando as dificuldades forem progressivas, repetitivas, percebidas por outras pessoas ou começarem a interferir em finanças, medicamentos, compromissos, orientação ou tarefas habituais.

Checklist de agência

Hábitos que podem integrar um plano de saúde cerebral

  • manter atividade física regular e adaptada;
  • incluir exercícios de força e equilíbrio quando forem seguros;
  • controlar pressão, glicose e colesterol;
  • tratar problemas de sono;
  • corrigir perda auditiva ou visual quando possível;
  • manter alimentação equilibrada;
  • evitar tabagismo;
  • reduzir consumo excessivo de álcool;
  • manter atividades cognitivamente desafiadoras;
  • preservar vínculos sociais;
  • acompanhar mudanças cognitivas ao longo do tempo.

O que não fazer sozinho

  • iniciar exercício intenso após longo período de sedentarismo;
  • suspender medicamentos por medo de afetar a memória;
  • usar suplementos como tratamento de demência sem orientação;
  • interpretar testes de aplicativos como diagnóstico;
  • atribuir toda dificuldade de memória à idade;
  • ignorar perda progressiva de independência.

Sinais que merecem avaliação programada

  • repetição frequente das mesmas perguntas;
  • esquecimentos que aumentam progressivamente;
  • dificuldade para administrar contas ou medicamentos;
  • desorientação em locais conhecidos;
  • dificuldade crescente para organizar tarefas;
  • alterações relevantes de comportamento;
  • preocupação compartilhada por familiares.

Quando procurar atendimento urgente

Procure atendimento imediato diante de:

  • confusão súbita;
  • fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
  • fala subitamente alterada;
  • perda repentina da visão;
  • dor de cabeça abrupta e muito intensa;
  • convulsão;
  • perda de consciência;
  • alteração cognitiva aguda associada a febre ou infecção.

O que o LatAm-FINGERS não provou e como transformar os resultados em ações seguras

O que este estudo não prova

  • Não prova que a intervenção impeça o surgimento de demência.
  • Não demonstra que cada participante terá uma melhora perceptível.
  • Não identifica qual dos cinco componentes foi responsável pelo benefício.
  • Não demonstra que aplicativos de treino cognitivo funcionem isoladamente.
  • Não permite aplicar automaticamente os resultados a pessoas com demência diagnosticada.
  • Não prova que o benefício observado permanecerá depois do período de dois anos.
  • Não demonstra que a possível diferença entre homens e mulheres seja definitiva; essa análise foi exploratória.
  • Não substitui avaliação clínica antes de iniciar um programa de exercícios.

Bloco de segurança

⚕️ IMPORTANTE • Este conteúdo resume um estudo científico e não substitui consulta médica. • Se você tem sintomas ou dúvidas, converse com um profissional de saúde. • Não interrompa ou inicie medicamentos por conta própria. • Cada pessoa é única — o que vale para o grupo do estudo pode não valer para você.

Referência ABNT

CRIVELLI, Lucia et al. Multidomain lifestyle intervention for the prevention of cognitive decline in at-risk older adults in Latin America (LatAm-FINGERS): a single-blind, multicentre, randomised controlled trial. The Lancet, v. 408, p. 417-429, 2026. DOI: 10.1016/S0140-6736(26)01278-X.

Assinatura


✍️ Dr. Thiago G. Guimarães CRM-SP 178.347 Neurologista — Distúrbios do Movimento e Neurogenética Hospital das Clínicas da FMUSP

📍 Consultório em Pinheiros, São Paulo/SP 🌐 Site: drthiagoguimaraesneuro.com 🎬 YouTube: @DrThiagoGGuimaraes 📸 Instagram: @dr.thiagogguimaraes.neuro

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta médica.


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